29 comentários:
De Carlos Portugal a 6 de Fevereiro de 2011
Pois é, Caro Bic, e o muro à esquerda, com os «buraquinhos», era o da Clínica de S. Miguel, onde nasci uns anos depois... Agora transformada em «Clube Residencial São Miguel».

De qualquer modo, o que diz é bem verdade. O mundo parece que ficou mais pequeno, mais acanhado...

Contudo, se passar por essa rua, ainda encontra algumas moradias intactas, como aquela de aparentemente apenas um piso (tem dois, na verdade) que se vê directamente em frente ao «carocha» estacionado, e que agora tem um belíssimo cedro no jardim da frente. A que está imediatamente à direita do VW, infelizmente já foi «renovada» por um operador de CAD, transformando-se em mais uma «modernidade» para albergar uma qualquer instituição.

Cumprimentos.
De Bic Laranja a 7 de Fevereiro de 2011
Essa do operador de C.A.D. é sintomática da arte do Desenho de todo o arquitecto hoje em dia. Quando os computadores tiverem imaginação e souberem Belas-Artes voltaremos a ter Arquitectura digna do nome.
Cumpts.
De Carlos Portugal a 7 de Fevereiro de 2011
Nem mais, Caro Bic.
O que vale, é que ainda temos arquitectos «à antiga», como o Tiago Bradell, por exemplo, cujos alçados das moradias que planeia são desenhados à mão e pintados a aguarela. Verdadeiras obras de arte. E como ele, há outros mais, infelizmente relegados para os bastidores, quando mereciam honras de primeiro plano.

Cumprimentos.
De Júlio Amorim a 7 de Fevereiro de 2011
Mas que espaço tão bem ordenado! E repare-se nos prédios ao fundo que não esmagam ninguém (!). De tudo gostei mesmo daquele belo "caixote" modernista em frente. Esta gente que planeou estes bairros já morreu?....é que fazem cá bastante falta.
De Carlos Portugal a 7 de Fevereiro de 2011
O «caixote modernista» foi modificado, com um telhado e linhas suavizadas, mas não perdeu carácter, antes pelo contrário. Se quiser, vá ao Google Earth, entre na rua pelo Street View e aprecie, que vale a pena (quase toda a rua, pelo menos). É outra atmosfera, outro tempo, preservado quase miraculosamente no centro da cidade e desta era de barbárie.

Cumprimentos.
De Bic Laranja a 9 de Fevereiro de 2011
Quem planeou estes bairros, sendo viva ou não, está proscrita pelo lado 'certo' da História.
@ Carlos de Portugal
Pois a mim parece que a casa modernista ficou descaracterizada.
Cumpts.
De Luísa a 7 de Fevereiro de 2011
Mais um bocadinho para a esquerda e via-se a casa onde vivi seis anos. Gosto mais da rua nos tempos actuais por uma coisa simples: tem árvores (sou fanática por árvores). No entanto, tenho a certeza que teria gostado mais de ter morado nesta rua na época da foto. É que o charme deste bairro perdeu-se há muito, com os donos dos cães a passearem os bichos e a ignorarem a porcaria que eles deixam na rua e com os assaltos regulares (às pessosas e aos parquimetros) em plena luz do dia...
De Bic Laranja a 9 de Fevereiro de 2011
E os assaltos.
Cumpts.
De VSC a 8 de Fevereiro de 2011
A mim parece-me um pouco inóspito, falta de árvores e do «vivido».
Urbanisticamente, parece-me que o projecto destes bairros tem um erro: a falta de jardins.
De Carlos Portugal a 8 de Fevereiro de 2011
As árvores foram plantadas pouco depois, e muitas delas - felizmente - ainda lá estão. Quanto a jardins, para além dos existentes nas traseiras de cada prédio (muitos deles agora arrasados para a construção de pavilhões, sabe-se lá para quê), havia neste Bairro de S. Miguel, ao lado da Rua António Ferreira, onde agora está uma escola, um grande jardim, se não me engano. E ainda há os que restam nas Praças Andrade de Caminha e Gonçalo Trancoso. E não eram só de pedras e relva sintética, como muitos que agora aí polulam, com esculturas «artísticas» próprias para afugentar lobisomens...

Cumprimentos.
De VSC a 8 de Fevereiro de 2011
Sim, este bairro tinha esse jardim, se me lembro, talvez mais uma praça ajardinada de que um jardim, mas admito estar enganado. Mas, se vier do Saldanha até à Av. do Brasil, quantos jardins dignos desse nome encontra?
De Carlos Portugal a 8 de Fevereiro de 2011
Só os do Campo Pequeno (há muito destruído pela comercialização aberrante do espaço) e o do Campo Grande, esse ainda «verde» (por quanto tempo?).
De qualquer modo, o ódio visceral que os novos papalvos ascendidos ao poder têm contra as árvores (saudades da vida nómada no deserto?) é patológico e nada augura de bom. A confirmar isto, está o que eles têm feito à Serra de Sintra, e aos plátanos seculares de Colares, por exemplo. E, quando um apaniguado da cleptocracia reinante compra uma moradia antiga com um belo jardim de árvores frondosas, a primeira coisa que faz é cortar todas as árvores, meter horrorosos taipais verdes na cerca e descaracterizar por completo a casa, para a «modernizar». Uma tristeza.

Cumprimentos
De Bic Laranja a 9 de Fevereiro de 2011
A sanha contra as árvores também andou já pelo Campo Pequeno. Escudam-se sempre na moléstia das árvores. Morre a gente mais depressa duma molestiazinha que uma árvore.
Cumpts.
De Bic Laranja a 9 de Fevereiro de 2011
Inóspito por ser bairro novo. Das árvores é como diz O Carlos Portugal. Quanto a jardins note que na Av. dos E.U.A., onde desemboca esta rua, o cimento foi generosamente condimentado com relvados entre os blocos de habitação. Todo o plano de urbanização a sul da Alferes Malheiro (actual Av. do Brasil) se compunha de habitação de diversos géneros e preços (de casas de renda económica até moradias), com logradouros diante e atrás dos edifícios; o bairro é limitado a E e O pelo parque do Pote de Água e pelo Campo Grande e polvilhado de de praças ajardinadas (Pr. Pasteur, Pr. Londres, Pr. Afrânio Peixoto. Fizeram-se escolas, igrejas, cinemas, piscinas, mercados, hotéis...)
Cumpts.
De VSC a 10 de Fevereiro de 2011
Sim... mas, de facto, estava a pensar em todas as chamadas avenidas novas.
Faltam dois ou três jardins Gulbenkian.
De Bic Laranja a 10 de Fevereiro de 2011
As avenidas novas eram 'boulevards' à francesa. As placas centrais que serviam de passeio foram sacrificadas ao estacionamento, quando não foram totalmente delidas (v. a Fontes Pereira de Melo aqui...).
Cumpts.
De [s.n.] a 8 de Fevereiro de 2011
Limpeza, perfeição nos empedrados e alcatroados, a harmonia das construções, segurança, paz, felicidade, alegria de viver... e sem grades nas janelas..., é o que esta linda fotografia traduz, preto no branco. Literalmente.
Nos dias que correm a população de Lisboa e arredores e do resto do país, fecha-se a sete chaves e põe trancas nas portas e gradeamentos nas janelas... e a maioria começa a andar armada, tal e qual como nos EUA. Estamos a copiá-los em tudo, até nesta desgraça. Exactamente como foi programado pelos "nossos grandes democratas", a soldo dos mundialistas. Excelentes alunos demonstraram ser estes espíritos diabólicos que nos infernizam a vida e destroem a alma.

No anterior regime podíamos dormir no Verão com as janelas abertas de par em par e com as portas no trinco durante todo o ano. Em todo o país, esclareça-se. Foi este completo inferno que esta 'fabulosa democracia' nos trouxe. Hoje os portugueses trancam-se a sete chaves durante o dia e a noite e a partir das 21 horas nem um pé fora de casa. E quem vai trabalhar ou quem tem que sair forçosamente, vai com o credo na boca e a olhar para todos os lados cheio de medo, não vá o diabo tecê-las.

Os bandidos que andam a arrotar postas de pescada com a democracia desde há quase quarenta anos, precisavam ser corridos daqui para fora, para não dizer fuzilados. Os traidores à Pátria eram assim tratados no nosso país e não há tanto tempo como isso. E ainda o são em muitos países do mundo. Até naquele que se auto-intitula o "mais democrático do mundo", por essa e por muitas outras razões, isso acontece diàriamente! O país mais democrático... mas pouco. E que "belos" exemplos ele transmite ao mundo,
não haja dúvidas...

Sim, neste particular concordo com eles, de facto os traidores à Pátria só merecem o destino que lá lhes dão. O pior é que entre estes não se encontram aqueles que verdadeiramente deveriam ser executados, os que há muitas décadas estão (por interpostas marionetas) a destruir a humanidade. E aqueles que nas chamadas 'democracias' - a "nossa" incluída - obedecem e executam religiosamente as ordens recebidas lá de longe, deveriam igualmente ser varridos do mapa. É uma pena que o não tenham sido já.
Mas não desanimemos, lá chegará o dia. Queira Deus que não demore muito.
Maria
De Bic Laranja a 9 de Fevereiro de 2011
Tenho ouvido de assaltos no bairro de S. Miguel. A gente idosa, fora de horas tardias e com violência. O exemplo desses dos 'amanhãs que cantam' é viverem eles barricados em condomínios (feudos) de luxo. Longe dos bandidos e do povo sereno. Mas que quere? Na longa noite fascista nem o sol despontava nem os dias deixavam de ser de chumbo...
Cumpts.
De Paulo Cunha Porto a 8 de Fevereiro de 2011
Meu Caro Bic,

infelizmente, este S. Miguel não conseguiu matar o dragão do Progresso!
A minha Piquena habitou por lá, já em tempos da estragação, claro.

Abraço
De Bic Laranja a 9 de Fevereiro de 2011
Esse dragão é pior que o outro.
Cumpts.
De Costa a 8 de Fevereiro de 2011
Jardins nunca foram coisa muito estimada entre nós. Fizeram-se alguns jardins como obra de regime, talvez (por Lisboa, o parque Eduardo VII, os relvados das fontes luminosas, pouco mais), e sabe-se do trato pouco carinhoso que lhes é ministrado, entre responsáveis e simples cidadãos. De resto, o pequeno jardim de rua, de bairro, nunca foi minimamente acarinhado. Alguns sobrevivem e acompanham os derradeiros dias de quem neles joga as cartas ou o dominó - ou testemunham coisas bem tristes e decadentes -, juncados de toda a sorte de lixo neles lançado por quem neles passa.

Mas não vemos em Lisboa o que, por exemplo, em Londres ou Nova Iorque nos é dado ver: de repente, ao virar de uma esquina, um oásis na agitação e um pequeno e cuidado jardim onde, pasme-se, com alguma sorte até se pode encontrar um esquilo (que nos grandes jardins, a par com outros animais, são absolutamente comuns e acarinhados).

O que não surpreende. Fosse no anterior regime, seja no que agora nos é forçado suportar, o povo é o mesmo: um povo bruto e embrutecido, ignorante, com a sensibilidade própria dos que só respeitam a natureza, ou o que for, se a tanto forem obrigados a cassetete, para quem progresso se confunde com construção civil, betão, tijolo, alcatrão, alumínio e paredes de azulejo de sanitário. Para quem o espaço em volta é coisa a pilhar à exaustão e "quem vier depois que se amanhe". Para quem território não construído é território a construir. E mal!

Foi assim, é assim, e nada se faz, por parte dos que nos pastoreiam, para iniciar um longo processo de transformação de mentalidades.

Nem daria frutos numa legislatura, nem daria votos (bem pelo contrário, de início!)...

Saudações,
Costa
De VSC a 8 de Fevereiro de 2011
A questão não estará na bruteza do povo, que gosta de flores e as pendura(va) às janelas. A justificação para essa aparente falta de gosto pelos jardins estará mais no carácter rural e pachorrento de Lisboa e, talvez, numa questão de "status", por temerem que o gosto pelo verde pudesse denunciar ou ser tomado como campesino.
É a grande metrópole que Lisboa não é e citadinos indesmentíveis que fazem o gosto pelos «espaços verdes»
De Bic Laranja a 9 de Fevereiro de 2011
Aflora várias verdades - o espaço em volta é coisa para pilhar e que os terrenos ermos só dão lotes para construção - muito entranhada em muito boa gente. E os jardins de regime são sempre de desprezar se o regime for do outro lado da História. É triste.
Cumpts.
De JPG a 10 de Fevereiro de 2011
Curiosa, a matrícula do VW; num modelo que parece ser o fabricado entre 1955 e 59, se calhar foi um dos últimos exemplares a sair da fábrica porque a dita matrícula é de 1958/59.
De Bic Laranja a 10 de Fevereiro de 2011
É uma preciosa informação que ajuda a datar a fotografia para o fim dos anos 50. Obrigado!
De cb a 10 de Fevereiro de 2011
No tempo da outra senhora, passei por este bairro de S.Miguel parte da minha adolescência entre os 16 e 18 anos, na época das festas de garagem aos sábados.
Morava do lado de lá da Av da República, contudo o grupo de amigos era de S.Miguel e o ponto de encontro era normalmente na Grã-Fina (julgo que se escreve assim e ainda existirá com este nome ?).
Não diz nada a ninguém, mas se me permitem queria recordar aqui as pessoas, porque aquelas casas e aquelas ruas eram feitas para e a pensar nas pessoas. Pelas partidas da vida perdi-os de vista: o Frederico, o Zé Maria, o António e o José Manuel.
De Bic Laranja a 10 de Fevereiro de 2011
São memórias simples assim que animam os áridos desabafos que vou publicando.
A pastelaria Granfina subsiste na esquina da Rua de Entrecampos com a Av. dos Estados Unidos.
De Attenti al Gatti a 12 de Fevereiro de 2011
E tem uns "croissants" que merecem nota positiva.
A.v.o.
De Bic Laranja a 12 de Fevereiro de 2011
Apela para minha veia gulosa. Pois terei que experimentar.
Cumpts.

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