14 comentários:
De [s.n.] a 23 de Abril de 2011
Há dois aspectos absolutamente deliciosos nesta imagem. Um, é aquele transporte (carruagem?) de passageiros que, penso eu, antecede o eléctrico, puxado a dois cavalos e digno de uma pintura a óleo dado o pitoresco da imagem. Senão, vejamos: senhoras de saias até aos pés; sombrinhas ou chapéus de chuva (possìvelmente estes últimos, dado estar de chuva, porque os homens também os usam) e que, curiosa e simultâneamente, traduz um relativo conforto ainda perfeitamente imaginável nos dias de hoje. Seria de seguir o exemplo, não com carruagens destas òbviamente, mas sim um retorno ao confortável, arejado e 'amigo do ambiente' (como soe dizer-se) eléctrico, sobretudo agora que a poluição automóvel ultrapassou os limites do suportável.

O outro: o lindo desenho e absolutamente perfeito trabalho de empedramento no passeio de que se vislumbra um bom pedaço em primeiro plano.
Que saudades da nossa inigualável e belíssima calçada portuguesa. Tempos recuados esses - e ainda não tantos quanto isso, sómente cerca de quarenta anos - em que mestres da pedra encheram os passeios de toda a Lisboa e de muitas outras cidades do país com desenhos primorosamente executados por quase perfeitos cubos de calcário e basalto, autênticas maravilhas para a vista, que nos encantavam e particularmente os turistas que nos visitavam. Esses eram artistas no verdadeiro sentido do termo e tinham orgulho na sua profissão. Afinal eram chamados com toda a propriedade os mestres-calceteiros.

Hoje os poucos que entretanto aprenderam e seguem a profissão, são requesitados por alguns países para lhes ensinar este difícil ofício que requer aptidão, total dedicação e muito trabalho. Por outras palavras, engenho e arte. Qualidades estas que os nossos antigos calceteiros dominavam na sua plenitude.
Maria
De Bic Laranja a 23 de Abril de 2011
É o carro americano. O americano foi uma inovação de vulto no transporte urbano. Creio que se estabeleceu em 1873 em Lisboa e havia vários particulares explorando dessas carruagens puxadas por muares. O mais famoso foi o «Chora». Ganhou a alcunha por andar sempre a chorar-se de a Carris lhe roubar a clientela. Quando a Carris inaugurou a tracção eléctrica condenou estes carros americanos à extinção. O «Chora» ainda continuou até aos começos da Grande Guerra, salvo erro. Desapareceu e quando tornou nos anos 20 veio com camionagem; tinha garagem na Venda Nova e explorou as carreiras para os arredores até à nacionalização. O «Chora» era o conhecido Eduardo Jorge da Amadora.

Tem graça dizer que estava a chover. Reparei nas sombras tão nítidas e nem me ocorreu. Mas tem razão, sim senhora; cavalheiros de sombrinha, onde estava eu com a cabeça! São chapéus de chuva. Tempo incerto, choviscos e, com tantos trabalhos em curso, tanta obra por acabar, arrisco a fotografia para pouco depois da inauguração do comboio no Cais do Sodré. No Outono de 1894.

A calçada portuguesa anda numa lástima. A Câmara acabou com os calceteiros e não cura dessas ninharias. Só de fanfarronadas como a Frente Tejo, que movimentem muita massa.

Cumpts.
De Paulo Cunha Porto a 23 de Abril de 2011
E nem sombra, creio, dos estabelecimentos de comes e bebes instalados posteriormente em edifícios de armazenagem. Sinal de uma sociedade mais sóbria...

Abraço
De Bic Laranja a 23 de Abril de 2011
É possível, sim.
Cumpts.
De [s.n.] a 24 de Abril de 2011
Achei imensa graça à história que conta sobre a origem dos "Chora". Tenho uma vaguíssima ideia de alguém na família (ou, o que é mais certo, ter lido algures) ter falado nesses curiosíssimos transportes. Tenho pena de não se terem prolongado no tempo de modo a ter podido conhecê-los. Acho-os uma delícia. Acho piada a tudo o que é antigo (influência familiar...) e estèticamente belo. Se lhe juntarmos originalidade e funcionalidade, melhor um pouco. Por outras palavras, tudo o que de um modo ou de outro tenha marcado positivamente uma época.
Como por exemplo estes engraçadíssimos "Chora".
E muito obrigada pela sua resposta.
Maria
De Bic Laranja a 27 de Abril de 2011
De nada. Obrigado eu!
De Agostinho Paiva Sobreira a 24 de Abril de 2011
Caro BIC LARANJA Em primeiro lugar os meus agradecimentos pela referência. Seguidamente quero felicitá-lo pela maneira simples de se poder contar história observando uma foto já velhinha (1894), de uma zona tão especial. Os meus parabéns! Aproveito para lhe desejar uma PASCOA FELIZ. Cumpts . APS
De Bic Laranja a 27 de Abril de 2011
Quem agradece sou eu; o apreço, os votos e as Ruas de Lisboa com alguma História.
Cumpts.
De Attenti al Gatti a 28 de Abril de 2011
Boa partida a do vidro partido da fotocopiadora. A propósito, a foto, especialmente quando ampliada, parece tirada através do vidro estalado de uma velha janela. É curioso como certos pequenos pormenores prendem a atenção de várias pessoas. É o caso dos chapéus de chuva/sombrinhas. A mim parece-me que estavam abertos devido ao Sol e não à chuva. Se chovesse o guarda estaria dentro da guarita e não cá fora e os transeuntes não circulariam tão calmamente, estando até alguns parados. Ainda hoje os mais velhos protejem-se ferozmente do Sol, nomeadamente em certas alturas do ano. Também nestes últimos dias, na Baixa, tenho visto japoneses de sombrinhas abertas, mantendo uma tradição que por cá já se perdeu.
A.v.o.
De Bic Laranja a 28 de Abril de 2011
Essa também foi a minha primeira interpretação, que não excluí de todo. Podia dar-se que fosse chuvisco. O céu ao longe parece limpo. As sombras na rua em baixo porém são nítidas; Sol e encoberto.
Sobre a janela, note que a textura do papel do livro interfere com grande resolução de digitalização. Será isso?
Cumpts.
De Attenti al Gatti a 29 de Abril de 2011
Não. Refiro-me apenas a uma mera aparência (foto tirada através de uma velha janela) que lhe confere um aspecto peculiar e lhe aumenta, na minha opinião, a componente nostálgica.
A.v.o.
De Bic Laranja a 30 de Abril de 2011
Agora percebo! Sim, é uma "perspectiva" interessante.
Cumpts. :)
De Agostinho Paiva Sobreira a 12 de Março de 2012
Embora atrasado, aqui fica os meus agradecimentos pela referência. Saúde! APS
De Bic Laranja a 12 de Março de 2012
Ora essa. Obrigado eu!

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