Sexta-feira, 12 de Agosto de 2011

Falta de tacto?

 Literalmente e em todos os sentidos.
 Esta é do calibre do Egito/Egípcio mas muito mais grosseira: «tacto» com o prefixo de negação «in-» não deixa de ser a mesma palavra «tacto». Pois a bizarria cacográfica que querem levar avante emparelha «tato» sem prefixo e «intacto» com prefixo. Isto não é falta de tacto de incautos acorditas; é asneirada grossa e feia de cavalgaduras de nomeada. 

  

 

Escrito com Bic Laranja às 12:45
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17 comentários:
De JPG a 12 de Agosto de 2011 às 15:19
Este dicionário online tem sido uma verdadeira mina de dados para comprovar a absoluta estupidez (e impraticabilidade) do AO90. Por exemplo, um número que faltava apurar - e que há meses um voluntário andava a tentar obter - aparece agora com uma simples pesquisa interna: quantas NOVAS duplas grafias pariu o "acordo"?

2 170 (duas mil cento e setenta)

http://bit.ly/prUV1r
De Bic Laranja a 12 de Agosto de 2011 às 15:43
Citando: "2.170 resultados (0,05 segundos)".
Cumpts.
De tron a 13 de Agosto de 2011 às 00:05
De facto são mais calhaus que os touros de festa brava, nem os brasileiros marxistas da wikipédia fazem isto, notando com vincada diferença a grafia em português do brasil e português "europeu".
Nem a recentemente falecida professora doutora Lepecki que apesar de ser brasileira dos sete costados nunca usou o aborto ortogáfico nas suas saudosas colunas na super interessante e falo na wikipedia porque ela é uma ferramenta preciosa para um novo blog meu sobre astronomia
De Bic Laranja a 13 de Agosto de 2011 às 22:04
São calhaus são.
Cumpts.
De [s.n.] a 14 de Agosto de 2011 às 01:05
Há qualquer coisa de muito estranho na semântica de pelo menos dois jornalistas da SIC. A menina d'olhos-arregalados-com-ar-de-sono-e-voz-diluída-nas-profundezas Ana Lourenço e o 'precioso' senhor Mário Crespo (porque cheio de preciosismos, mais trejeitos esquisitos e expressões faciais estranhíssimas, a pretender demonstrar que é muito dotado e um 'intelectual' de primeira plana, convencido que é o melhor jornalista da estação, tem um discurso impossível de suportar mais do que cinco minutos), têm a pretensão de que se exprimem primorosamente. Pois fiquem sabendo que não param de repetir uma calinada verbal que brada aos Céus. E isto, há tempos infinitos.
Porque é que estas duas personagens (e parece-me que as únicas) agradecem a presença dos seus convidados da seguinte maneira: "agradeço que tenha 'aceitado' o convite..." ou "... que tenha 'aceitado' vir ao programa...", etc.

Estes 'meninos' não sabem conjugar os tempos do verbo ACEITAR nem o que cada um deles significa. E menos ainda sabem que existe o Presente do Conjuntivo deste verbo e porque o não conhecem também não podem verbalizá-lo, naturalmente. Como tal é-lhes impossível introduzi-lo nos devidos tempo e pessoa, ao construir, no caso oralmente, uma proposição. Pois então aqui vão os respectivos tempo e pessoas do dito verbo para decorarem nas horas vagas. Far-lhes-á um mar de bem (como diriam nuestros hermanos):

Que eu aceite/ que tu aceites/ que ele aceite/ que nós aceitemos/ que vós aceitais/ que eles aceitem.

Posto isto, revejam o vosso léxico (procurem uma gramática, mas anterior ao 25/4, por favor) e especialmente como construir uma proposição correctamente, porque são inadmissíveis erros sintácticos e outros mais, proferidos por locutores e jornalistas que são ouvidos por milhões de pessoas. Pessoas que aprendem a nossa língua através da televisão, dentre vários outros meios de comunicação escrita e falada. Não se esqueçam deste pormenor, por favor.
Maria

Obs.: O "ora seja"* frequente do sr. Crespo também não é uma semasiologia especialmente adequada aos dias que correm. Com efeito, até acho que nunca foi. Excepto talvez em Moçambique ou na África do Sul, por ele andou muitos anos. Mas nós estamos em Portugal.

*Não será pròpriamente um erro semasiológico, mas é certamente um pouco possidónio.

Nota: A festa da não conjugação do verbo principal nas proposições, verificada em todos os canais e pela quase totalidade das pessoas que neles bota discurso, continua em beleza e 'recomenda-se'... Este crime de lesa-língua prossegue impante sem que as bestas quadradas (desculpem o plebeísmo) que lhe estão na origem, retrocedam nos procedimentos, façam mea-culpa e corrijam, alterando, os respectivos programas escolares (anulando por completo os execráveis TLEBS) para que, pelo menos os alunos de hoje, começando pelas crianças nos primeiros anos de escolaridade, tenham melhor sorte e um futuro mais promissor, fruto de mais e melhores conhecimentos de base e, por extensão, mais respeito pela língua materna - a ser-lhes incutido desde a infância - do que os agora adultos que aprenderam e não por culpa sua, um português miserável, cheio de indesculpáveis erros e inqualificáveis omissões, depois do 25/4. Consequência, como não poderia deixar de ser, da tão propalada quão destrutiva modernidade.
De Bic Laranja a 15 de Agosto de 2011 às 13:01
A sua preocupação com o conjuntivo é pertinente. Como o modo dá o locutor como encarando um facto como incerto ou inexistente, os srs. jornalistas fogem-lhe porque o seu trabalho é (seria) noticiar factos acontecidos, não mexeriquices (ou porque o não saibam utilizar, claro). E no entanto a mania de jamais se comprometererm (quando sabemos que são todos mais ou menos alinhados) dá em que os trejeitos da sua linguagem sejam tais que passamos o tempo a ouvir-lhes que fulano «ontem terá dito» (ou «teria dito» se fossem mais correctos), que mais não exprime do que possibilidade e não factos realmente sucedidos. Mexericos, por conseguinte, não notícias.
O modo conjuntivo, portanto, melhor é esquecer... - Aliás, toda a Gramática há muito que anda, como diz, fustigada a pontapé . Assim o merecem, por indecente e má figura, os que a maltratam.
O Crespo é precisoso, sim (rico termo). É toleirão e não se enxerga. Na maioria dos casos os seus entrevistados mereciam realmente ser ouvidos e as interrupções vaidosas do Crespo são, ou manteiguice despropositada, ou rematada estupidez. A Ana Lourenço, porém, não lhe copia o modelo.
Cumpts.
De Bic Laranja a 16 de Agosto de 2011 às 00:24
Leia-se a segunda frase assim: «Sendo que o modo conjuntivo dá o locutor encarando um facto como incerto ou inexistente, os srs. jornalistas fogem-lhe, &c.»
Cumpts.
De [s.n.] a 14 de Agosto de 2011 às 20:07

Não apenas "tempo e pessoa", mas "tempo, modo e pessoa", naturalmente.
Maria
De Pianoman a 15 de Agosto de 2011 às 10:46
Acho que o nosso amigo [s.n] deve um pedido de desculpas a alguém, pois Mário Crespo e Ana Lourenço são, aparentemente os únicos certos...

http://www.ciberduvidas.com/idioma.php?rid=1615
De Bic Laranja a 15 de Agosto de 2011 às 13:15
Sim. Estão certos no uso do particípio regular (no caso) com o auxiliar «ter». Não invalida o que se diz das entorses à Gramática propaladas pela imprensa por gente que não lê os clássicos e que, se os lesse, os não entenderia por a termos tão mal instruída. O fundo disto é que dá uma pena enorme. Morre-se dela, sabe...
Cumpts.
De Pianoman a 15 de Agosto de 2011 às 10:47
Ao que parece é uma amiga e não um amigo.
De [s.n.] a 16 de Agosto de 2011 às 16:01
Claro que estou completamente de acordo com o que escreveu. Nem poderia ser doutro modo. Aqui estou perante alguém que não só conhece a nossa língua como poucos, como também a respeita de modo singular, fazendo de cada escrito um exemplo de inteligibilidade e perfeccionismo, sinónimo de enorme prazer para quem o lê.

A Ana Lourenço tem dois defeitos - um deles está 'quase', repito, quase ultrapassado. O primeiro, imperdoável para um/a jornalista que se preze, era/é articular cada frase ou palavra, nas perguntas aos convidados, mal mexendo os lábios e de modo tão baixo que não raras vezes só se deduz a pergunta/observação, pràticamente imperceptíveis, pela resposta do interlocutor...

O segundo defeito, o tal 'quase' ultrapassado, era/é o seu ar de sono e, pior, dar a impressão estar a fazer um grandessíssimo frete que, interiormente implora a Deus e a todos os Santos, acabe o mais depressa possível..., além do ar antipático que manteve durante anos e benza-a Deus, já o tem em menor escala, que nem um simulacro de sorriso se dignava oferecer aos telespectadores... O oposto de quase todas as jornalistas e apresentadoras. Claro que não é necessário rir às escâncaras - não é isso que se pede às/aos jornalistas - na sua prestação diária, mas, caramba, apresentar um telejornal com um fácies de quem acha que todo o mundo lhe deve e ninguém lhe paga, qualquer que seja a sua missão frente às câmaras, é um bocado demais. Parece-me. Os telespectadores não têm a menor culpa dos seus problemas existenciais. Eles
Mas o facto é que está ligeiramente melhor. E isto deve ser dito em abono da verdade.
De Bic Laranja a 16 de Agosto de 2011 às 19:55
Agradeço-lhe o gentil apreço. Que, em boa verdade, nem é inteiramente merecido. Mas é reconfortante, obrigado!
Cumpts. :)

De [s.n.] a 18 de Agosto de 2011 às 02:28
Peço desculpa por não ter dado exemplos no meu escrito, mais acima. Porém o autor do blogo já o fez e bem.

Por mim só quero realçar as diferenças gramaticais entre o QUE-pronome relativo e o QUE-conjunção integrante, que me parece fazerem uma certa confusão a muita gente, dados os erros falados e escritos em que frequentemente incorrem. E não menos importante, como articulá-los devidamente com os tempos dos verbos.

Assim, se o verbo principal estiver no infinitivo, o verbo auxiliar pode e deve estar no particípio passado ou no gerúndio. Ex.: TER vindo; TER recusado; TER confirmado, etc.

Outra coisa completamente diferente e erro crasso, é construir uma frase/proposição empregando o verbo principal de modo irregular quando antecedido da conjunção integrante, QUE!

Ex.: Agradeço QUE tenha aceite o convite; Agradeço QUE as provas SEJAM entregues com brevidade (imaginem alguém dizer 'sejam entregadas'!?!) ; Peço a Deus QUE os pescadores sobrevivam ao naufrágio..., ou... Suplico a todos os Santos QUE os acidentados resistam aos ferimentos, etc.

Como é que se distingue este QUE, conjunção integrante, do QUE, pronome relativo? Porque quem agradece, AGRADECE alguma coisa a ALGUÉM; quem pede, PEDE alguma COISA a ALGUÉM; QUEM suplica, SUPLICA por ALGO ou alguma COISA (a alguém), etc.

O pronome relativo QUE, distingue-se fàcilmente da conjunção integrante, basta reparar na seguinte frase: "Estas flores QUE me ofereceram são lindas"; ou "o ruído QUE se ouvia era ensurdecedor", estes QUE's referem-se aos substantivos/sujeitos 'flores' e 'ruído' que precedem o QUE relativo (significando que ou quais flores; que ou qual ruído).

Deste modo nada há que enganar na conjugação dos verbos/predicados antecedidos por UM dos dois QUE's, desde que tenhamos plena consciência de qual deles se trata e, bem entendido, desde que conheçamos todos os verbos regulares e irregulares que integram o nosso sistema verbal, como a palma das nossas mãos ou, se se preferir, saber conjugá-los da frente para trás e de trás para a frente.
Bastam estes conhecimentos básicos para se saber escrever um período ou parágrafo ou um texto de modo impecável e sabendo-o evitam-se erros de palmatória que muitas vezes repetidos podem valer um bom emprego. Muitos jovens e mesmo adultos acham que estes conhecimentos não têm importância de maior nem lhes trazem mais valias em empregos presentes ou futuros, mas estão redondamente enganados. O perfeito conhecimento gramatical e grafológico do português e das regras léxicais que o compõem, é, sem receio de errar, uma das bases mais sólidas para se antever um futuro promissor, senão brilhante, independentemente dos cursos e das áreas profissionais por que se opte.
Maria
De Bic Laranja a 18 de Agosto de 2011 às 23:33
Agradeço-lhe a magistral lição. :)
Isto tudo, afinal, para dizer que o prolixo Crespo não passa sem fazer jus ao nome encrespando rodriguinhos. Melhor iria com um simples «agradeço-lhe por aceitar o convite para...» ou um simplório «obrigado por vir ao programa». - Mas cá está! O Crespo tem de se evidenciar ad nauseam. - Nesta última hipótese (a simplória) o Crespo quedar-se-ia modesto e penhorado ao convidado que lhe faria o activo obséquio de ir ao programa. Mesmo a outra hipótese (a simples) seria curta para o imenso umbigo do Crespo; não lhe havia de ser bastante só o pôr-se em evidência com «agradecer», nem mesmo duplicando-se como agente dum superior «convite» (marca subtil de poder pessoal omissa na frase simplória). Não. O convidado ali ainda apareceria no complemento indirecto (pronome «lhe») e na voz activa a «aceitar» convite. Havia de precisar de mais: passivar ao máximo o convidado. Daí: «agradeço [e não 'agradeço-lhe'] que tenha aceitado o convite...» - Não é o particípio passado regular por excelência o tom a voz passiva? - Eis a subjugação total pela palavra... a metro. Grande Crespo! Deve ser isto a «relação de transparência com a notícia» que lhe salpicava hoje os perdigotos.
Cumpts. :)
De tron a 22 de Agosto de 2011 às 22:02
tenho um passatempo algo estranho além de escrever blogs que é estudar alemão em casa sem qualquer ajuda e na minha busca de dicionários viáveis e de baixo custo dei por mim a comprar um dicionário do estilo "académico da Porto Editora" mas muito mais completo apesar de ser editado no Brasil e no Brasil em vez de usar o termo Conjuntivo, usam o termo "Subjuntivo" na conjução dos verbos que vem no final do dicionário que dá a ideia que o uso do cojuntivo se deve a acção do verbo estar sujeita a algo ou a alguém, ou seja, o uso deste modo verbal deve ser feito segundo certas condições e situações muito específicas.
Até mesmo no Dicionário Michaelis editado pela editora brasileira Melhoramentos, os gramáticos que compilaram as conjuções verbais deixam um conselho nas páginas de introdução ao dicionário de Alemão-Português; Português - Alemão: em caso de dúvida devem ser usadas as formas verbais do indicativo, ou é impressão minha ou certeza absoluta que no Brasil se consegue mais respeito e falar melhor português pelo menos em termos morfológicos do que na televisão dita de Portugal
De Bic Laranja a 25 de Agosto de 2011 às 23:32
Não posso dizer. Não uso dicionários brasileiros. Não vejo televisão brasileira. Nem portuguesa, quase.
Cumpts.

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