Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

Contas do meu rosário



 Excepto a...
 Quantos sinais de trânsito com excepto a... haverá em Portugal? Uma vez disseram-me 100.000. Talvez 200.000. São estimativa, valem o que valem, mas para uma conta rápida servem.
 Imagine o benévolo leitor que mudar o excepto a... para brasileiro em todos os sinais de trânsito custa € 50,00 (€ 25,00 cada placa + € 25,00 a mão d' obra). Considere por agora só esta despesa e deixe outros custos... 
 Ora assim sendo, a conta simples a fazer é € 50,00 por sinal de trânsito, vezes 100.000 ou 200.000 sinais. Pois o resultado é cinco a dez milhões de euros. — Um a dois milhões de contos. — Só para os excepto a..., bem entendido. Sobram os novos letreiros da Direcção Geral dos Impostos, p.ex., postos há dois, três anos na fachada das repartições de finanças. Mais a restante ortografia que houver, a preços de mercado.
 Bem sei, é empreitada a diluir até 2016 segundo apregoa a atabalhoada regência do Acordo Ordtográfico; dá um a dois milhões por ano, uma gota no deficit, mas... sendo que abrasileirar o português era escusado — a escrita que temos serve bem, obrigado — um tostão que custasse seria sempre mais caro.

 

(A fotografia é de Manuel Campos Vilhena, do blogo H Gasolim Ultramarino, que espero me não me leve a mal usá-la nas contas do meu rosário. O verbete foi refundido às 10 da manhã de 13 de Setembro.)

Escrito com Bic Laranja às 23:05
Verbete | comentar
18 comentários:
De Carlos Portugal a 13 de Setembro de 2011
Caro Bic:

Enviaram-me o seguinte e excelente texto por e-mail, onde parece que a inenarrável Pilar del Rio pretende adicionar mais barbaridades «à cor do horto gráfico»...:

«manifesto contra as violências gramaticais...

A Presidenta foi estudanta ?!

Infelizmente a jornalista Pilar del Rio costuma explicar, com um ar de catedrática no assunto, que dantes não havia mulheres presidentes e que, por isso, é que não existia a palavra "presidenta"... Daí que ela diga insistentemente que é Presidenta da Fundação José Saramago e se refira a Assunção Esteves como Presidenta da Assembleia da República.

Ainda nesta semana , escutei Helena Roseta dizer : «Presidenta!», retorquindo o comentário de um jornalista da SICNotícias, muito segura da sua afirmação...

A propósito desta questão recebi o texto que se segue e que reencaminho:

Uma belíssima aula de português!

Foi elaborada para acabar de uma vez por todas com toda e qualquer dúvida se temos sobre se devemos dizer a "presidente" ou a "presidenta".

A presidenta foi estudanta?

Existe a palavra: PRESIDENTA?

Que tal colocarmos um "BASTA" no assunto?

No português existem os particípios activos como derivativos verbais. Por exemplo: o particípio activo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendigar é mendicante... Qual é o particípio activo do verbo ser? O particípio activo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.

Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte.

Portanto, a pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha. Diz-se capela ardente e não capela "ardenta"; diz-se estudante e não "estudanta"; diz-se adolescente e não "adolescenta"; diz-se paciente e não "pacienta".



Um bom exemplo do erro grosseiro seria:

"A candidata a presidenta comporta-se como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta".

Por favor, pelo amor à língua portuguesa, repasse essa informação...»

Cumprimentos.
De Bic Laranja a 13 de Setembro de 2011
Já noutra vez que li isto duas coisas me intrigaram. A Roseta está agora em que partido? E quem é Pilar del Rio?
Cumpts. :)
De Carlos Portugal a 13 de Setembro de 2011
Caro Bic:
Estar num partido ou noutro, que são todos exactamente a mesma coisa, é como ela mudar de vestido... perdão, casaca! Quanto à Pilar, boa pergunta... :)
Cumprimentos.
De Bic Laranja a 13 de Setembro de 2011
Sabe o que me parece. Que são ambas mulheres que lhes falta algo. São carentas.
Cumpts.
De Carlos Portugal a 13 de Setembro de 2011
Precisamente! :)
Cumprimentos.
De Leitora atenta a 13 de Setembro de 2011
Fiquei muito "sorridenta" ao ler estes mimos!!

Bic, parabéns. Gosto de tudo o que por aqui vou vendo e lendo.

De Bic Laranja a 13 de Setembro de 2011
Uma lente atenta que sorri. Uma rosa para si.
Grato pelo apreço. :)
De Carlos Portugal a 13 de Setembro de 2011
A crer na nova terminologia bárbara, não será antes uma «lenta atenta»... Just kidding... ;)
Cumprimentos à Cara Leitora e ao Caro Bic.
De Leitora Atenta a 13 de Setembro de 2011
Obrigada pela rosa.

Cumprimento ambos,"atentamenta".
De MCV a 13 de Setembro de 2011
Não levo nada a mal.
Há sempre uns bois amigalhaços dos bois nomeados que de repente criam uma empresa que apaga as tais letras a mais...
Haveria de ser outra forma?
Abraço
De Bic Laranja a 14 de Setembro de 2011
Sim. Mas não é.
Obrigado.
De [s.n.] a 14 de Setembro de 2011
Olhe, com todo o respeito permito-me fugir um pouco do tema - se bem que na verdade dele não me afaste completamente - para abordar aqui outro que me faz uma confusão tremenda já lá vão muitos anos.
Até há 37 anos ninguém com sequer a antiga terceira classe e menos ainda qualquer pessoa mìnimamente instruída, dizia 'à brasileira', referindo-se a um espaço de tempo decorrido - um minuto, uma semana, mil anos, sessenta milhões de anos - deste modo: "há uma semana atrás, há três anos atrás, há mil atrás" e assim sucessivamente.
Ou seja: pelo que vejo, no Brasil não se emprega o verbo HAVER para designar o espaço de tempo decorrido entre um determinado momento no passado e o momento presente, seja ele um minuto ou mil anos. Dito doutro modo, eles não usam o verbo Haver (ou se calhar não sabem que ele existe...) para determinar o tempo que medeia (minutos, semanas, meses, anos, séculos) entre um passado, qualquer que ele seja e o momento presente. Ou se acaso o utilizam, não sabem o que gramaticalmente significa, porque acrescentam-lhe sempre o advérbio 'atrás'. E a pergunta que se põe é: para quê? Porque se utilizam também o verbo Haver nestas frases (o que se duvida), então trata-se de uma redundância, porque repetem na mesma proposição um termo que significa o mesmo, embora com grafia diferente e em que o advérbio (que na realidade tem outro significado numa oração, que não o de Haver/Existir) não faz sequer sentido neste tipo de léxico, não tem lógica, é um erro sintáctico.

Quer-me cá parecer que eles julgam que determinada frase relativa ao período de tempo decorrido entre o passado e o presente se escreve com um "à" e não com um "há", género: 'à três semanas atrás fui ver aquela peça de teatro'; ou ainda: cheguei a Portugal à dois anos atrás"..., etc.

Decididamente eles não conhecem o verbo Haver e com a quantidade de brasileiros que por aqui andam (mais as milhentas telenovelas brasileiras anuais, em todos os canais... propositadamente introduzidas em Portugal desde o primeiro minuto de 'democracia' sabemos bem por quem), os portuguesinhos pouco (ou nada) instruídos seguem-lhes, todos contentinhos da sua verve, o mau exemplo. E não há quem os corrija - na escola, em casa e aos mais crescidinhos, nos empregos?

E os jornalistas, apresentadores, ministros, comentadores, etc., não seria boa ideia voltarem à escola por uns tempos para aprenderem a falar e porventura a escrever o português sem falhas?

O pior de tudo isto é o que está a acontecer às crianças, adolescentes e jovens adultos: absorvem e reproduzem inconscientemente uma linguagem adulterada através do que ouvem diàriamente nas novelas brasileiras, que, juntando à criminosa nova ortografia que os políticos querem impor à força, é o paradigma do mais criminoso atentado contra uma língua viva com o intuito expresso de a destuir, para não empregar outra expressão mais feia por uma questão de respeito para comigo e para com quem diligentemente me lê. Que não para os ortografistas abortícios, naturalmente.
Maria
De Bic Laranja a 14 de Setembro de 2011
Também me dá impressão que o verbo haver passa mal com o clima tropical. Tem muita dificuldade, 'tá entendendo?
E toda essa gente que enumera, voltar à escola para quê? Se havia de vir de lá com diploma das novas oportunidades...
Cumpts.
De Alves Pereira a 17 de Setembro de 2011
Caro Carlos Portugal:
os meus agradecimentos pela clarificação da "presidenta".
Isto anda tão mau, que eu, por vezes, me sinto completamente perdido sem saber já muito bem como se escreve ou diz isto ou aquilo; todavia, gostaria de vos propor a seguinte pergunta:
e nas palavras infanta e juiza? (esta não como feminino de juiz, está visto, mas da pessoas que tinha a seu cargo as festas do santo padroeiro da terra).
respeitosamente,
A. Pereira
De Bic Laranja a 17 de Setembro de 2011
Não são particípios activos de verbos («governanta» seria melhor exemplo). São femininos derivados de substantivos latinos masculinos (infans, infantis e iudex, iudicis). «Infante» (ifante em português antigo) só teve feminino, salvo erro no séc. XVI, e juíza como feminino de juiz meritíssimo só se vulgariza no fim do séc. XX, pese em boa hora a sua existência no caso das festas religiosas do povo. É fácil perceber que a formação de femininos se deu naturalmente na linguagem popular quando houve de dar-se, sem politiquices de igualdade de género violando a gramática. Note que no falar popular dizer «chefa» ou «capitoa» é depreciativo; «governanta», já consagrado, não foge inteiramente à carga pejorativa (ainda estou para ver se alguma governante, ministra ou secretária de estado, virá algum dia pugnar por lhe chamarem governanta). E assim mesmo «presidenta»: a ideia que dão é sempre forçada e de mulheres pouco seguras, com jeitos de bota cardada por o disfarçar.
O povo quando tem de derivar formas de dizer é sempre mais genuíno do que os linguagistas dos amanhãs que cantam. Por isso a juíza das festas religiosas é tão natural, e nunca, até há bem poucos anos, se achou meritíssima em tribunal algum que fosse ou mesmo apreciasse ser chamada «juíza», por incorrecto. Mas da maneira que isto vai a Gramática é já uma reles ditadura e não tarda temos crianças do género masculino com a birra de serem «crianços».
Cumpts.
De Alves Pereira a 19 de Setembro de 2011
Notável! Os meus agradecimentos , já que me tornei um pouco mais rico!
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Notável! Os meus agradecimentos , já que me tornei um pouco mais rico! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Cump</A> .
De tron a 19 de Setembro de 2011
quem fez o texto desta placa deveria de ter bebido um quantos litros de cartaxo tinto 2010 de certeza, não acha meu amigo
De Bic Laranja a 20 de Setembro de 2011
Pode ser poeta.
Cumpts.

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