24 comentários:
De JPG a 3 de Outubro de 2011
A questão do referendo sobre o AO90, uma opinião que vale tanto como qualquer outra.

Já o disse e escrevi por diversas vezes e formas: isso nunca!

A explicação é simples e óbvia, parece-me: nunca em Portugal houve um referendo com resultados vinculativos (acima de 45% de votos expressos). Porém, mesmo não sendo vinculativos, esses mesmos resultados têm servido para

a) tomar resoluções políticas de implementação das políticas "vencedoras" (veja-se o caso do referendo ao aborto, por exemplo)
b) liquidar na prática qualquer espécie de viabilidade ou direito de retorno da parte "derrotada" (idem)

Ou seja: por um lado, nunca teríamos mais do que 10 ou, no máximo, 20% de votantes num referendo sobre o AO90; 80 ou 90% dos eleitores sequer se aproximariam de qualquer assembleia de voto nesse dia; por outro lado, uma de duas outras coisas se poderia passar: se ganhasse a rejeição do acordo (hipótese altamente improvável), o Poder instalado diria que os números não eram vinculativos (e não eram mesmo, eram ridículos) e que, portanto, continuaria tudo como dantes, acordo ortográfico em vigor; caso o AO90 fosse "aprovado" nesse referendo (muitíssimo provável, já que o PS e o PSD mobilizariam as suas máquinas), então pronto, era mesmo de vez, o AO90 ficaria em vigor para sempre e sem qualquer hipótese de retrocesso.

Com riscos de 80%, é claro, seria suicida sujeitar a Língua Portuguesa a plebiscito. Aliás, até por questões morais e patrióticas: o património nacional não se vota, é o que é e o que sempre foi; nenhuma maioria - relativa ou mesmo absoluta - pode impor a uma minoria aquilo que diz respeito a uma e a outra e que sequer pertence em exclusivo a qualquer delas.
De Bic Laranja a 3 de Outubro de 2011
Concordo. Já basta ter de baixar à Assembleia como se a Gramática se fizesse por decreto. António José Saraiva bem o sabia, tanto que certa vez ironizou: «O governo criou em 1911 uma comissão para refomar a ortografia, como se a língua estivesse nas atribuições das leis e do parlamento.»
O idioma não é para andarmos a mexer assim. Ele mexe por si da maneira que tiver de ser.
Cumpts.

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