3 comentários:
De Alves Pereira a 8 de Dezembro de 2011

Comentários a esta notável peça de escrita:

« É [...] por espirito de imitação que o "Fado" se aristocratisou na guitarra dos marialvas e no piano das salas, como um producto exotico violentamente aclimado, uma planta d'estufa , que parece chorar pelo seu clima nativo — o clima dos bairros infamados e das ruas suspeitas.»

Hoje, o Fado como Património Cultural Imaterial da Humanidade aristocratizou-se novamente, não nas guitarras dos marialvas que são todos de Direita, mas nos areópagos dos politicamente correctos, quase todos de esquerda, como convém…


« Comprehende-se que o povo, no meio dos seus prazeres, não esqueça inteiramente a pesada fatalidade com que a sorte o subjuga; »

Se calhar não é a sorte, mas, muito mais prosaicamente, a imbecilidade dos políticos de pacotilha que temos, e não me refiro só aos de cá do burgo…


« mas comprehende-se tambem que ache gosto em saborear o desabafo que a guitarra lhe proporciona, fazendo-o cantar, e dando-lhe pretexto para molhar a palavra com o vinho. »

Atenção à “tacha de alcoolémia” que parece que andam por aí uns elementos da PSP a provocar…

« D'envolta pois com o sentido esmagador da palavra "Fado", que representa uma condemnação invencivel, vem associada a ideia de folga na taberna, da merenda nas hortas, do passeio ao luar emquanto a guitarra vai dizendo da sua justiça. »

Para lá caminhamos a Passos largos, já que a dívida não é para pagar (vidé os estudos do "outro". É o adeus ao centro comercial e, esperemos, também às armas…

Resumindo: como estamos entregues a politiqueiros de ópera bufa, não é de pôr de parte a hipótese de, a breve trecho, estarmos de volta ao nível de vida dos anos 50 mas só com os seus defeitos e penúrias, mas sem as suas qualidades, como a honestidade, a amizade e a solidariedade (nasci numa aldeia beirã em que ninguém tinha carro, mas toda a gente tinha uma casa, com a ajuda de todos…e agora, quando o ciclo se fechar,será ainda assim?
Cumpts





De Bic Laranja a 8 de Dezembro de 2011
Certíssimos comentários. E o corolário é que dês do grande acidente nacional Portugal se tornou tão imaterial como o seu fado.
Cumpts.
De Alves Pereira a 10 de Dezembro de 2011
Caro Bic: é com reconhecimento, mas também com infinita tristeza que concordo com o que disse.
Cumpts

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