Quinta-feira, 15 de Março de 2012

Ignomínia ®

 O chefe índio de Santa Comba lembrou-se agora de vender a vinhaça da tribo ao turista, às cavalitas da memória do dr. Salazar. Grosseria de tratante interesseiro e piegas. — Seja ele corajoso! Reerga ao dr. Salazar a estátua que lá havia na terra. É mais nobre e calhando logo verá mais turistas do que espera.

 

Ignomínia, Santa Combaa Dão, 1975

Momento de ignomínia, Santa Comba Dão, 1975.
(Imagem d’ «A Voz Portalegrense».)

Escrito com Bic Laranja às 12:15
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22 comentários:
De Inspector Jaap a 15 de Março de 2012
Agora apanhei um sopapo, pois pensei que essa soez mutilação já tinha sido reparada faz tempo… sou mesmo um patusco!
Cumpts
De Bic Laranja a 16 de Março de 2012
Flutuam por aí umas «notícias» de se «ir pôr uma nova estátua (http://www.publico.pt/Pol%C3%ADtica/salazar-vai-voltar-a-ter-estatua-em-santa-comba-dao-1437175)». Ora notícias são do que foi; do que se diz que vai ser são alardes de nada ou mentiras a parecer que sim.
Cumpts.
De Inspector Jaap a 16 de Março de 2012
Pois, mais uma vez tem o caro Bic mais que razão... aguardemos serenamente, a ver no que dá.
Cumpts
De [s.n.] a 15 de Março de 2012
Que vergonha! Como se o facto de alguém - obra de um ou vários agitadores profissionais, daqueles que, tal como em 1974/5 no nosso país, andam de país em país aproveitando os golpes de Estado artificiais para incitarem os povos à revolta contra o poder e a ordem estabelecidos - ter cometido um acto tão degradante, levasse os portugueses de bem a esquecer o Estadista e tudo quanto ele fez de grandioso em benefício de Portugal e dos portugueses. Eles bem querem, mas não hão-de conseguir. Mais depressa serão eles próprios atirados para o lixo da História.

Que quem de direito restitua o mais urgentemente possível, sem medos ou complexos relativamente à esquerda maçónica e apátrida, a dignidade que a estátua merece e o respeito que é devido ao povo duma terra que se orgulha de ter tido como ilustre conterrâneo o grande Estadista que foi Salazar. Os acontecimentos históricos de um país, bem como as personalidades políticas e sociais que neles tiveram cargos preponderantes, não se apagam com um estalar de dedos. A História é o que é, quer gostemos dela ou não.
Salazar tinha muitos defeitos, mas possuía várias qualidades intrínsecas que nem os seus piores inimigos lhas podem negar: honestidade, integridade, patriotismo, formação moral superior e capacidade governativa elevadíssima. Todas elas deixam a milhões de anos-luz os políticos-feitos-à-pressa que temos aguentado (pior que mal) desde Abril e que, por inveja e ódio seculares, não as conseguem tragar nem com molho de limão.
Maria
De Inspector Jaap a 16 de Março de 2012
Cara Maria:
Só um pequeno aparte:
Os defeitos do Estadista (que os tinha, de facto,) eram melhores que as qualidades desta medíocre classe política que nos “governa”, que, na sua grande maioria, nem para contínuos de ministério serviriam no seu tempo. Triste é ter que chegar a esta conclusão, muito triste mesmo.
Cumpts
De [s.n.] a 16 de Março de 2012
Completamente d'acordo com o que escreveu, agradecendo-lhe o apoio.
Haveria muito a dizer sobre o afamado 'férreo' anterior regime.
Só para dar dois exemplos, por agora: um actor comunista declarado, já falecido há muito tempo (não me consigo lembrar do nome, mas as pessoas desse tempo recordá-lo-ão), que além de fazer a sua vida profissional no país, normalmente, ainda tinha plena liberdade para ir dar cursos de representação a Cuba... Ia e vinha e ninguém lhe barrava as saídas ou entradas no país, contràriamente ao que a oposição propagandeava aos quatro ventos. Isto não acontecia nas verdadeiras ditaduras da altura. Nestas quase ninguém era autorizado a entrar e menos ainda a sair, como é do conhecimento geral.
Todas as pessoas da minha família, amigos e vizinhos e muitos milhares de pessoas conhecidas socialmente, sempre viajaram para o estrangeiro as vezes que lhes apeteceu sem serem mìnimamente incomodadas.
Maria

Fica uma pergunta: porque é que os arquivos da Pide 'voaram' para Moscovo logo a seguir ao golpe d'Abril e nunca mais voltaram? O que é que era lá revelado de tão secreto e perigoso para a 'democracia', que os portugueses não podem tomar conhecimento?



De Inspector Jaap a 16 de Março de 2012
Ora aí tem... mais palavras para quê?
Cumpts
De Luísa a 15 de Março de 2012
A minha mãe diz que, depois de lhe cortarema cabeça, a explodiram com uma bomba e sei que agora está lá uma fonte (nada bonita, diga-se de passagem!).
Eu sou defensora que se deve preservar a Memória, para não se voltar a cair no erro. Acho que museus, bibliotecas sobre certos assuntos, sobre certas pessoas são a melhor forma de o fazer. No entanto, quanto a estátuas, não sei. Apesar de ser memória, não sei... parece-me que a pessoa depois de morta (ou de deposta) ainda se fica a rir de quem sofreu.
Sei que não posso falar muito pois só tenho 29 anos, não experienciei nada da ditadura. No entanto, pelo que me contam e pelo que aprendi na escola... santa paciência... ele era um bom estadista, seguia as suas convicções, mas... daí a considerar que era de "formação moral superior", como diz a Maria... acho que também também já é um pouco demais.

Quanto à polémica dos vinhos. Eu acho que o presidente até tem ideias de génio. Parece-me que isto vai acabar em nada, ou seja, o vinho não vai ser comercializado (ou se já está nas lojas, não me parece que aguente assim tanto tempo). Mas enquanto andam nestas conversas, neste de se chamarem de "fascistas" ou de "mentecpatos que querem esquecer o passado" (conforme as facções),Santa Comba Dão aparece no mapa (basta olhar para polémicas anteriores, até dá a sensação que fazem de propósito para aparecer nos meios de comunicação social).
Saudações
De [s.n.] a 16 de Março de 2012
A Luísa tem todo o direito à sua opinião e eu às minhas. Eu tenho idade para fazer comparações entre o antigo regime e esta pseudo democracia. Fui educada entre duas correntes ideológicas opostas. O pai foi um republicano convicto e não gostava nem um bocadinho de Salazar e do regime. Do lado da mãe eram todos monárquicos. E todos gostavam de Salazar e o tipo de regime não os incomodava ainda que nenhum membro tenha alguma vez ocupado cargos políticos.

Ora bem. Se por um lado eu e meus irmãos tenhamos tido influências republicanas como é natural, por outro lado tivemos igualmente influências monárquicas.
Não obstante as inclinações políticas opostas, entre mãe e pai nunca houve discussões políticas e o ambiente familiar era do mais saudável e o nosso pai nunca por nunca ser disse uma palavra menos correcta a respeito de Salazar. Talvez pela impecável educação por ele recebida, talvez por respeito para com minha mãe e sua família ou por ambas as razões, o certo é que várias vezes ouvi o meu pai elogiar algumas das medidas políticas tomadas pelo Presidente do Conselho, entre as quais o ter poupado o país à guerra e o facto de vivermos em paz e termos um governo estável há várias décadas. E quando os filhos, todos ainda relativamente pequenos, lhe perguntaram o motivo dessa afirmação, dava como um péssimo exemplo a Itália e os 45 governos que aquele país tinha tido desde o fim da Guerra, o que tornava qualquer país ingovernável.

Salazar nunca foi um ditador mas sim um governante autoritário. Vivíamos em paz e em total segurança e o que é mais importante para a saúde mental e física, tínhamos alegria de viver. Não havia crimes, nem assaltos, nem violência, nem roubos, nem medo,* como acontece de noite e de dia em Portugal deste Abril/74. Quem não conspirasse contra Portugal não era mìnimamente incomodado.

Concluíndo. Se Salazar fosse o ditador que estes bandidos que destruíram Portugal, mentindo alarvemente, vêm repetindo há mais de quarenta anos, primeiro na oposição depois no próprio país, teria mandado matar milhares de portugueses oposicionistas (tinha poder e autoridade para isso) como os verdadeiros ditadores o fizeram e continuam a fazer em todo o mundo sem que os grandes democratas se incomodem um átomo. Ditadores sanguinários foram Estaline, Lenine e apaniguados de países satélites, que mandaram matar inocentes de todas as idades às dezenas de milhões. Esses e os tiranos de muitos países africanos que fazem exactamente o mesmo, sem que os grandes democratas mexam uma palha porque afinal foram lá postos pelos próprios.

Salazar fez porventura algo do género? Nem de longe nem de perto e quem o afirmar mente com todos os dentes que tem na boca. Os poucos prisioneiros que estavam presos e saíram em liberdade depois do golpe de Abril, todos eles vinham gordinhos e anafados, a sorrir e bem dispostos. Eram assim tão terríveis as 'torturas' sofridas pelos presos políticos nas prisões do antigo regime? Então porque é que Salazar, sendo tão mau como eles o pintam, não os deixou morrer à fome ou, melhor um pouco, não seguiu o exemplo dos Estalines, Lenines e outros ditadores africanos, mandando matá-los pura e simplesmente? Talvez até tivesse feito bem, por muito que me custe dizê-lo. Assim não teriam feito tanto mal a Portugal nem teriam mandado matar em África, eles sim autênticos assassinos, mais de um milhão de portugueses inocentes que tudo quanto pediam era paz e continuarem a ser portugueses.

Quando em 1975 ou por aí, perguntaram a uma mulher humilde de uma aldeia lá para o Norte, se gostava de um regime comunista para Portugal (é claro que eles esperavam outra resposta) ela retorquiu: "eu? nem pensar nisso, os comunistas matam as velhinhas com um tiro atrás da orelha!". Isto foi dito por uma mulher sem instrução, pobre, que ainda não tinha tido uma amostra do que era um tal regime. Não obstante e sem ter a mínima ideia dos regimes de terror nesses países, acertou em cheio. Pelos vistos ela gostava de viver na 'ditadura salazarista'.

Se a Luísa quizer saber quem de facto foi Salazar permito-me aconselhá-la a ler os livros que o Embaixador Franco Nogueira escreveu sobre o mesmo.
Maria

* Palavras de uma farmacêutica hoje assaltada: "Vivemos cheias de medo sempre à espera que o próximo cliente seja um assaltante".
De Inspector Jaap a 16 de Março de 2012
Cara Luísa:
Manifestamente a sua afirmação
“daí a considerar que era de "formação moral superior", como diz a Maria... acho que também também já é um pouco demais.
É notoriamente fruto da sua juventude… penso que terá já sido aculturada na matriz anti-Salazar , e, provavelmente daí…
Permito-me, pois, perguntar-lhe: é capaz de me dar um exemplo de alguma imoralidade de Salazar?
Não foi ele um português que pôs sempre a sua Pátria acima dos mesquinhos interesses pessoais?
Fez ele fortuna com (da) política?

Poderia eu fazer uma redacção bem extensa a enumerar as suas acções, mas, como muito bem diz a Maria, reitero o convite para que “visite” o Estadista através dos livros do Sr. Embaixador Franco Nogueira; verá que vai ter grandes surpresas e, no fim, não duvido que verá a triste realidade actual com olhos bem diferentes, e, mais parecidos com os nossos, aqueles que viveram 2 regimes podendo, assim, comparar as coisas mais serenamente por não terem sido doutrinados numa determinada direcção.
Se se refere à PIDE, convido-a então a meditar nos seguintes pontos:
Tem conhecimento de algum bom português que tenha sido incomodado por essa polícia política?
Acha que os presos, com excepções pontuais, naturalmente, eram assim tão maltratados? Tenho provas no meu círculo de amizade de que não, mas, já agora, proponho-lhe este pequeno exercício intelectual: se fosse o Cunhal a prender Salazar, o que acha que lhe aconteceria? Estudaria na prisão, faria exames e tudo? E olhe que não foi só ele…
Para terminar, o Tarrafal, sabe o que é hoje? Uma estância de férias. Será pois, preciso dizer mais alguma coisa?
Penso que já deixei claro o meu ponto de vista, mas, aceito com prazer um “torneio” se, por acaso, discordar frontalmente do que eu disse, pois as suas ideias serão sempre muito bem-vindas.
Cumpts

De Luísa a 16 de Março de 2012
Porque foi buscar o Cunhal?? Eu não falei nele, nem nos comunistas, nem nos sanguinários, nem nos socialistas, nem em ditadura. Mas falando neles e na velhinha do Norte (exemplo da Maria): a ignorância era tão grande na minha aldeia que o padre que tinha chegado de novo (para substituir um que tinha fama de usar o segredo de confissão para tramar os aldeãos junto das autoridades), propunha que se valorizasse o ecumenismo e disseram logo que ele era comunista! Portanto... essa coisa da ignorante da aldeia do Norte que sabe que os comunistas são maus, pode ser muito relativa. Primeiro é preciso saber se sabem o que é o comunismo. Mas lá está, eu não estava a falar de comunismo, nem nada que se aproxime disso. Simplesmente comentei a estátua e acho que o Salazar perdeu pontos quando chegou ao autoritarismo.

A imoralidade que falo tem, de facto, a ver com a PIDE (e não só), que, sim, incomodou pessoas da minha terra. Não, não conheço, pois já morreram. Mas que toda a gente (uns mais, outros menos "salazaristas") apontam como pessoas de bem, que ajudavam os pobres, que respeitavam o próximo. Um dos casos foi flagrante: o senhor era professor, andaram, andaram até que ele deixou de poder dar aulas nas escolas. O que ele ainda fez, às escondidas, foi preparar alunos pobres que não podiam ir à escola para irem a exame. Mas a coisa tornou-se tão gigante que o senhor acabou por fugir e morrer fora de Portugal. E este caso deve ser verdade porque um professor da faculdade (em LX) que era de Sintra, quando viu na minha ficha o nome da minha terra, perguntou-me se eu conhecia a história dessa pessoa e contou-a a toda a turma. Mas também conheço um guarda do Tarrafal (já para o velhote, mas acho que ainda é vivo).

Repito, só acho que a moralidade do Salazar foi pelo cano quando chegou ao autoritarismo...

Mas atenção, eu não estou a dizer que o que temos hoje é melhor!!!!! E não me considero anti-Salazar, mas também não me considero pró-Salazar. Acho que nos dias de hoje já não devia haver isso, ele está morto, não adianta ser pró ou contra! E não vou visitar a campa dele porque simplesmente não vejo a lógica de visitar campas de pessoas que não me são nada. Acho tão parvo ir ao cemitério de Santa Comba Dão, como ir ao Cemitério do Père-LAchaise (ainda se fossem como os da Suíça que parecem jardins!).

Quer mais um exemplo dentro desta história da homenagem ao Salazar? Apesar de continuar sem saber o que acho das estátuas, considero que a ponte sobre o Tejo não devia ter mudado de nome. Não foi o 25 de Abril que a construiu!!!!!!! Tão simples como isso.

É uma parte da história que não vivi, que não posso alterar (nem quero!), mas que espero que não seja esquecida, para se aprender alguma coisa (as boas para copiar e as más para não repetir). Eu sou um pouco como o distrito onde nasci, quetambém viu nascer o Salazar, o Aristides de Sousa Mendes e essas pessoas de quem ainda se fala na minha terra... É uma mistura, um pouco de tudo, "bons" e "maus". Tento equilibrar as coisas, para não chegar a extremos, sejam eles de que influência forem. Pois a ditadura, o autoritarismo, o que seja... é mau em qualquer linha ideológica!

É angraçado, já me tinham chamado de reacionária, de fascista, mas nunca me tinham empurrado para a linha anti-salazarista. No meu entender, neste ponto, têm estado todos errados em relação a mim! Eu era radical com 15 anos. 14 anos volvidos, percebi que radicalismo não funciona lá muito bem, só se for a fazer "bungee jumping", mas nem isso posso fazer porque a saúde não mo permite.

Saudações
De [s.n.] a 17 de Março de 2012
Ah, agora estou mais d'acordo com o que escreveu. E até poderá ter razão nalguns aspectos, não serei eu a denegá-lo. Se a Luísa reparou bem no que escrevi, saiba que eu tive fortes influências republicanas (socialistas, como se começou a dizer a partir dos anos 70 com o partido então formado e assim designado), o que não me impediu de, com os anos decorridos, ver o que está bem e o que está mal nessa corrente ideológica.
Por algum motivo sempre votei PSD e uma vez em Soares (as tais influências paternas), de que, neste último caso, hoje me arrependo amargamente. Isto até Nov./2002. A partir desse ano nunca mais votei. Porquê? Porque a decepção que sofri sobre o perfil moral de quase todos os políticos, muitos dos quais apreciava grandemente e sobretudo relativamente ao regime, foi de uma tal ordem de grandeza que difìcilmente a consigo traduzir por palavras. Desde então, perante a verdade nua e crua, fui forçada a tomar consciência da real massa de que são feitos pràticamente todos os políticos do sistema bem como muitas personalidades não políticas mas nele preponderantes, que temos tido desde Abril de 74, ou seja, do mais corrupto, vil e degradante a que um ser humano, mormente um político em actividade, é capaz de chegar.
A Luísa sabe do que falo, não é verdade? E é capaz de imaginar uma tal baixeza moral e política poder ter acontecido no anterior regime, a começar pelo Chefe de Estado?!?

Este é um regime/sistema cuja grande maioria dos seus membros em funções (sem contar com os de fora dele, mas activos polìticamente e centenas de outros independentes e socialmente prestigiados, mas conluiados com o sistema e fazendo parte da rede) abusaram de crianças a partir dos 4 anos de idade, note-se bem, crianças À GUARDA DO ESTADO, umas orfãs de pai e mãe, outras provenientes de ambientes familiares degradados, durante 27 ANOS (e inacreditàvelmente, anos depois do escândalo rebentar, parece que a prática obscena continua, desde então secretamente) com a maior desfaçatez e sem sentirem a mais pequena culpa, sabendo-se acima da lei e portanto impunes. A isto chama-se rede de pedofilia de estado, porque foi através dele - Estado - e dos seus mais proeminentes membros, que ela se organizou, formou, 'legalizou', instituiu e praticou, com a maior das liberdades e desvergonhas.

Compreendo perfeitamente a posição política da Luísa. Eu, com a sua idade, possìvelmente andaria perto da mesma. Mas já assisti a tanto acto criminoso deplorável e repugnante, praticado por políticos deste regime e por personalidades públicas a ele chegadas, 'aparentemente' estimáveis e impolutas, que, francamente, fazendo a comparação possível entre este e o anterior regime, meu Deus, a distância que separa um do outro, nem que seja só em integridade política e formação moral dos seus membros (e há muito mais), a distância que os separa é maior do aquela que vai da Terra a Plutão.

Permito-me propor-lhe um exercício de imaginação para sopesar as virtudes dos dois regimes e respectivos membros: coloque num dos pratos da balança as qualidades e defeitos - POLÍTICOS E MORAIS - do anterior regime e no outro prato as qualidades e defeitos deste em que nos encontramos e veja para que lado pende o prato mais pesado.

Falta-me agradecer a sua resposta, o que faço desde já.
Maria
De Luísa a 18 de Março de 2012
Se eu sabia que o meu primeiro comentário ia dar nisto, não tinha respondido. Mas já que está assim...

No meu livro de Língua Portuguesa da quarta classe vinha um excerto de um livro de Alice Vieira (acho que era o "Rosa, minha irmã Rosa", se não é esse, é o "viagem à roda do meu nome"). Esse excerto tinha o título de "Medo ou respeito". Uma lição de vida sobre como se pode viver com medo ou com respeito, que eu acho que devia ser lida por todas as pessoas uma vez por ano. Uma história das que influenciou muito o meu carácter.

E mesmo não estando o país bem, que eu sei quee não está, não me parece que autoritarismo e o medo sejam a solução. Porque é que será que não havia essa “tal baixeza moral e política”?!? Acredita mesmo que eram todos integros e impolutos de livre e espontânea vontade?!?! E mesmo que me diga que no tempo da outra senhora não havia medo... desculpe-me, mas eu não a conheço, logo prefiro acreditar na palavra da minha mãe e não na sua - e a minha mãe diz que se vivia mal e que havia medo. A partir do momento que um sistema mete medo aos seus cidadãos, na minha maneira de ver as coisas, lá se vai a moral. Se a moral se vai, a política, entre outras coisas, perde, para mim, todo o valor.

Uma forma ingénua de viver a vida? Talvez, mas ainda não magoou, nem enganou ninguém. E por mais ingénua que seja, desde que comecei a votar, ainda não votei em ninguém que depois me tenha enganado.

Quer que lhe diga muito siceramente o que eu acho que falta em Portugal? VALORES. Mas não é só dos políticos, é também do cidadão comum que deixa andar "só porque sim", porque "coiso e tal e prontosss". Se as pessoas não tivessem perdido os valores, nada disto tinha acontecido. Mas perderam-nos... Como vinham lá do jugo do tempo da outra senhora, em que ninguém lhes ensinou o significado de liberdade... confundiram isso com libertinagem e foi o descalabro. Como muitos só faziam as coisas por medo (ou não faziam, dependia da coisa) foram, mal comparando, como os cães que fugiram do canil... Fazem aseniras e por conseguinte aceitam as asneiras dos outros e... estamos entregues aos bichos!

Quanto à pedofilia... (onde isto já foi parar! Quer mostrar-me que o que se vive em Portugal também não é moralidade… mas eu nunca disse o contrário!) sabe o padre que eu falava no meu segundo comentário? Foi apanhado com uma moça a quem dava a pílula para ela “voltar a ser virgem”! Sabe-se desta porque foi apanhado com a boca na botija. Só não se sabe bem há quantos anos exactamente andava ele naquilo, nem se sabe se houve mais antes e/ou depois dessa. E ele, como disse lá em cima, era conhecido por dizer umas coisitas que ouvia aqui e ali a umas certas pessoas. Pode dizer-me onde está a diferença??

Eu acho que a Maria não tem noção da minha posição política (que era coisa que eu nem queria debater). Mas seja ela qual for e venha quem vier, eu considerarei sempre que o Salazar, e tantos outros, perdeu a moral no dia em que se tornou autoritário. Pois se a intenção era boa, além de eu não ver onde está o bom do autoritarismo, é como diz o ditado: o inferno está cheio delas!

Se calhar, a culpa é do texto da Alice Vieira ou do Cavaco Silva, que era o Primeiro-ministro quando o meu livro da escola foi feito, ou se calhar não tem nada a ver. Sinceramente, não sei. Só sei que sou assim há muito tempo e parece-me que não hei-de mudar tão depressa (e não é porque não queira, é porque não vejo utilidade em mudar este ponto do meu carácter).

Saudações
De [s.n.] a 18 de Março de 2012
Luísa, primeiro tenho que lhe pedir desculpa, porque o seu comentário era uma resposta ao leitor Inspector Jaap e eu, por absoluta distracção, tomei-o como para mim.
A Luísa tem todo o direito de subscrever qualquer tipo de ideologia e ninguém a pode criticar.
Do mesmo modo que todos nós também o têm. Todavia entre as pessoas da sua idade e as da minha, há uma pequena/grande diferença: nós, os mais velhos, podemos fazer comparações entre os dois regimes, ao passo que os muito novos não têm idade suficiente para isso. Estes, ou são indiferentes à política ou aceitam como verdades absolutas todas as mentiras que os políticos debitam. Não direi que é o seu caso, naturalmente, mas isto é verificável. E o que é facto é que as pessoas mais velhas conseguem detectá-las. Incrìvelmente no meio destas ainda há as crentes nos políticos e que juram estar dentro da razão.

Logo após o 25/4 eu e muitos mais, ficámos satisfeitos com a mudança de regime. Lembro-me, como se fosse hoje, de um episódio que traduz as 'certezas' não vividas das pessoas muito novas (como eu, na altura) e as certezas vividas pelas pessoas bastante idosas. A dada altura, logo depois do 25/4, tive que levar a minha recente sogra ao médico. Acontece que foi connosco um casal amigo, de bastante idade, cuja esposa precisava de consultar o mesmo médico.
Durante o trajecto aconteceu falarmos do regime recentemente instaurado, a tal 'ansiada democracia'.
Eu, tal como 90% dos portugueses, estava relativamente satisfeita com o derrube do 'fascismo'. A minha família pouco se pronunciava. Havia de tudo, a uns agradava-lhes ver o que a mudança traria, a outros era-lhes indiferente. Quanto à minha sogra, repetia que os socialistas não iam trazer nada de bom ao país porque eram primos-irmãos dos comunistas... e quanta razão ela tinha!

Essa Senhora contou vários episódios horrendos sobre a 1ª República.
A Senhora detestava a 'democracia' e explicava os motivos. Alegava que durante aquele regime as pessoas eram obrigadas a esconder debaixo das camas tudo aquilo que tivesse valor, pratas, quadros, etc., porque os assaltos às residências eram diários. As pessoas tinham pavor de andar nas ruas, havia assassinatos por dá cá aquela palha, perseguições aos padres, saques frequentes às Igrejas. Além da marginalização, ostracismo, insultos e difamações a quem professasse outra ideologia que não a que vigorava.

Em resumo, tudo o que de mais criminoso e atroz se passou naqueles tempos é quase o mesmo que se passa neste em que vivemos, mas agora muitíssimo bem disfarçado. Só haverá talvez duas excepções: a não(?) perseguição aos católicos e a não(?) matança de padres e de inocentes. Aos socialistas do presente serviu-lhes de emenda o tremendo erro cometido pelos seus antecessores relativamente à religião católica. E mesmo isso...

A Luísa diz que agora se vive sem medo. Pois permita-me que lhe diga que não concordo. Em todas as democracias do mundo, incluíndo a que se auto-proclama a mais progressista de todas elas, os E.U., vive-se com 'outro' medo muito mais subtil e por isso muito mais perigoso. Os governantes destes países mandam NADA, quem manda nas 'democracias' conserva-se na obscuridade. Temos amigos norte-americanos que o confirmam relativamente ao seu próprio país.

O 'medo' que supostamente se vivia no Estado Novo (se é podemos designá-lo deste modo, porque quem não conspirasse contra a Pátria vivia com toda a liberdade e não tinha medo de nada - não esqueçamos que muitos membros de famílias reais europeias viviam tranquilos e em total liberdade e fizeram-no durante todo o Estado Novo..., veio a 'democracia' e foram-se todos embora!) era sobejamente conhecido da população, todos sabiam porque existia e quem o devia temer.

Resta-me lançar-lhe um desafio amigável (que pela minha parte provàvelmente não poderei ver cumprido por certamente já cá não estar): que tal daqui a quarenta anos trocarmos impressões sobre o que a Luísa pensará NESSA altura acerca do período histórico que estamos a atravessar (em 'liberdade e sem medo'...) e a degustar esta 'esplendorosa democracia'.

Deixo-lhe os parabéns pela forma educada como expõe tudo quanto escreve. Dá prazer trocar ideias com pessoas que o sabem fazer de uma forma elevada ainda que polìticamente possam divergir.
Maria
De Luísa a 19 de Março de 2012
Eu sei que há muito medo. Medo de perder o emprego, medo de perder a segurança social. Há sempre medo de qualquer coisa. Mas eu acho que ainda não há o medo de ser contra o primeiro ministro e levar um tiro.

Tenho medo de ficar no desemprego anos a fio. Tenho medo de ficar doente e não me poder tratar com deve ser. Mas o facto de poder ter um blog onde, de vez em quando, “falo mal" do governo e não sentir medo... apaga-me todos os outros medos.

Foi a própria Maria que disse que quem não se metia com a Pátria não tinha problemas. Aí está a diferença grande.
Primeiro, parece-me que quem era acusado de ser contra a Pátria, estava na realidade contra o regime, não acho que se quisessem “vender”. Nesta perspectiva: posso falar mal do primeiro ministro e ser suspensa (coisa que já aconteceu). Acontecendo isso, seria catastrófico, anti-democrático e tudo o mais. Poderia nunca encontrar outro trabalho, mas ainda poderia ir cultivar os terrenos que da minha mãe (coisa pouca, mas que dá para viver) e não morreria à fome. No entanto, usando o exemplo do tal professor da minha terra, ele não pôde ficar a cultivar os seus terrenos. Teve que fugir.

Segundo, se a Maria se refere a Pátria como coisa de achar que não há nada melhor que o “jardim à beira mar plantado” (como diria outro senhor do distrito de Viseu) e que vale mais estar “orgulhosamente sós”… então estaria condenada ao Tarrafal. Não sou dessas. Gosto de defender o que Portugal tem de bom, mas sou a primeira a apontar-lhe defeitos e isso não é de patriota (ou pelo menos no conceito vigente)!

E para mim o que temos aqui são medos diferentes. COm o primeiro, ainda que seja mal, eu consigo viver, com o segundo morreria do coração (literalmente).

Quanto à 1.ª República, também ouvi falar. Não tão directamente, através da minha mãe, pois não conheci os meus avós (teriam mais de 100anos se fossem vivos). E sei que o meu avô ia de noite levar a outra aldeia a comida aos sobrinhos - tinha que se declarar a comida ou algo do género e para não correr o risco de ser assaltado. A minha mãe diz que a minha avó dizia "que esta lembre e outra não volte" por causa da crise de valores, da fome e das candongas que se viviam naquela época (isto numa aldeia da Beira-Alta, dá para imaginar como seria noutros meios).
Mas detestar a democracia... Significa o quê? Que há uns que são escolhidos por Deus e podem ser reis dos outros? QUe valem mais do que eu e que podem reger o que faço? Não. Há quem diga que a democracia está esgotada. Talvez. Mas a hereditariedade de um governante é melhor? Um tirano faz melhor do que um que eu tenha eleito? (a anarquia não é opção para ser SEQUER pensada). Talvez a democarcia directa pudesse ser uma solução, mas... aqui a coisa durou tantos anos a definir (e também tem falhas). Para países como Portugal, nem daqui a 100anos! Além de não ver os portugueses a terem referendos 3 ou 4 vezes por ano!!
É complicado tudo isto. Continuo a achar que o medo não é a solução. Defendo que devemos ter uma palavra na sociedade em que nos inserimos. se não tivermos, vivemos como carneiros.

Acho que voltamos ao que disse noutro comentário: falta de valores. Se as pessoas tivessem vergonha na cara e parassem dois minutos por dia para pensar nas coisas: no que gostam ou não de fazer e que lhes façam; como gostariam de ver o fututo, como acham que poderiam mudar o presente... Mas não!
Se não dão a cara, se são permissivos, para que os outros sejam permissivos com eles... como é que querem que os que têm o poder os respeitem? Se nem na hora de exercer o seu direito de votar fazem nada decente (é melhor dormir e ir para a praia)... Quem está no poleiro é que se aproveita! O que precisávamos era de gente com dois dedos de testa a chegar-se à frente, mas esses têm juízo, não se metem em problemas!

Agradeço o seu cumprimento. Mas explico-lhe 1 coisa: respeito! Respeito por si, que não a conheço, respeito pelo dono da casa (também não conheço o Bic) e, acima de tudo, respeito por mim. Eu não posso andar a lavar roupa suja e querer que me respeitem. Se eu achasse que me estavam a ofender ou assim, das duas uma: ou saía de fininho e não vinha cá mais ou dizia que não tinha mais nada a declarar. Lá porque há gente parvalhona, não quer dizer que nós o sejamos. ;)
Saudações
De [s.n.] a 21 de Março de 2012
Luísa, com todo o respeito, deixe-me contraditar algumas das suas afirmações.

- "... quem se metia com a Pátria tinha problemas."
Eu não disse exactamente isso. O que eu disse e era verdade, é que quem CONSPIRASSE CONTRA a PÁTRIA (e SÓ ESSES) ou era mantido debaixo d'olho ou, em casos graves, era preso. E muito bem. A Pátria é o nosso maior bem a par da língua. Nos Estados Unidos, o país que hipòcritamente se auto-proclama o "mais democrático e progressista do mundo" por muito menos mandava e manda executar os traidores à Pátria.

- Essa de a Luísa dizer que "... então estaria condenada ao Tarrafal".
Desculpe que lhe diga mas esta sua afirmação só pode ser um exagero de linguagem. Não acredite em tudo quanto lhe contam ou lê, se vindo de pessoas ligadas à oposição ao Estado Novo. Há muita mentira e difamação por ela propagadas, fruto do ódio que aquela votava a este, ao não lhe ser consentido subverter a paz e a ordem que se vivia em Portugal. Nós sabemos por pessoas amigas de família (e repetido por ele próprio) que, por exemplo, Mário Soares que foi desterrado para S. Tomé por conspirar gravemente contra a Pátria, vivia na paz os anjos e tinha uma vida regalada. Se 'isto' significa um preso político 'sofrer horrores' no anterior regime... vou ali já venho. Se o mesmo se passasse nos E.U. faziam-lhe o que os militares americanos fizeram aos Iraquianos na prisão de Abu G. ou em Guantanamo, isto se não fosse simplesmente fuzilado.

- "... que uns que são escolhidos por Deus e podem ser reis dos outros", diz a Luísa.
Mas os Reis, nos tempos que correm, não são absolutistas e são eleitos (depois aclamados) dentro das regras democráticas. Não seria má ideia voltarmos à Monarquia. Claro que a Constituição teria que incluir essa opção no seu clausulado. Mas os 'grandes democratas libertadores do povo e da longa noite'... não a admitem!, nem sequer um referendo sobre essa hipótese, cheios de medo, claro. Calcula-se de quê. Não será isto hipocrisia e falta de vergonha a mais?

"... direito de votar... "é melhor dormir e ir para a praia"
E não acha que eles fazem bem? A Luísa acha que o voto do povo vale alguma coisa? E que as eleições são transparentes? Eu, com a sua idade, também pensava o mesmo, era demasiado idealista e ingénua, até que, muitas leituras após, me convenci que os nossos votos valem O (zero) e que quem ganha as eleições são quem o sistema (e a seita por detrás dele) escolhe. Tudo o resto não passa de uma cínica e perfeita mise-en-scène em que estes pseudo-políticos são peritos. Para quê então votar?

- "Reis"? Eu não falei em reis, embora também esses cá tenham vivido. Falei em membros de famílias reais mas não só esses. Muitos refugiados da Guerra, alguns distintos cidadãos, como, entre outros, o Sr. C. Gulbenkian que tanto bem fez ao país, vieram para cá viver e apesar da 'ditadura férrea' curiosamente sentiam-se lindamente e LIVRES como passarinhos...

- A "velhota" de uma aldeia do Norte de que lhe falei, não era nada velhota, era uma mulher dos seus vinte e tal/trinta anos. Diz a Luísa que ela não saberia nada do comunismo. Eu penso o contrário. Na altura nem acreditei, achei que a aldeã no mínimo exagerava. Porém o que ela afirmou foi o que depois se veio a saber ser a pura verdade através dos muitos dissidentes soviéticos, alguns bem famosos. Ademais não sabemos se ela teria tido algum familiar que tivesse vivido num desses países e portanto com conhecimento de causa.

Nós éramos pobres? Sim éramos, mas num país muito rico e por isso cobiçadíssimo pelos seus inimigos. Talvez pelas suas origens humildes e educação recebida mas principalmente pelo caos em que encontrou o país quando se permitiu governá-lo, o Dr. Salazar fez o que entendeu dever fazer face à situação catastrófica, social, económica e política que encontrou.

- "... (a anarquia não é opção para ser SEQUER pensada)".
Pois não, mas tal como na 1ªRepública vivemos numa quase anarquia.

Sobre os 'pobres da ditadura' contrario a tese mentirosa dos traidores com uma pequena história. À espera de uma amiga no hall de um Hotel, ouvi o porteiro educadamente desabafar sobre "este" Portugal: que 'eles' tinham dado cabo do país; que tinha vindo para Lisboa com 11 anos trabalhar como marçano e já era porteiro no Hotel há 65 e era muito feliz.
Maria
De Luísa a 21 de Março de 2012
Realmente, tem toda a razão, não sei onde fui buscar o “velhota”, mas não muda em nada o que eu escrevi. Onde coloquei "velhota", que se leia simplesmente mulher.

"Os que se metiam com a pátria" referia-me mesmo aos conspiradores. Quem não conspira, não se mete com a pátria. E seria interessante saber o que os senhores da minha terra conspiraram contra a pátria para terem que fugir. Porque não estavam satisfeitos com o que viviam tinham que baixar a cabeça?!? Dizer: “basta. Não quero mais isto!”, sem ser sanguinário, é o mesmo que ser conspirador?!? No meu conceito de conspiração não!

Quanto aos reis, não estava a falar dos que fugiram para Portugal. Estava a falar na possibilidade de virmos a ter um rei . Mas falando desses reis, para mim, são como todos os turistas que vão a Cuba nos dias de hoje: têm dinheiro, não abanam as coisas e o regime deixa-os entrar. Os americanos são maus, mas os dólares nunca foram!!!

Já isso de os reis não serem absolutistas e serem democráticos... juro que não entendo esse sistema. Pode dizer-me que há esses sistemas na Europa, mas eu não percebo. Quer dizer, eu entendo, mas não percebo a lógica de deixar o sistema que temos para irmos para esse. Já tentaram explicar-me e eu não consigo ver grande diferença entre ter um presidente e um rei a não ser a hereditariedade. Não estou a brincar, mas também não estou a pedir uma explicação, pois sei que preciso mesmo de uma explicação minuciosa, com tempo, “ao vivo e a cores” para eu poder ir colocando questões a ver se chego lá. Como aqui não é “em directo”, não adianta.
Falando em sistemas de 'monarquias democráticas'. A Dama de Ferro mandou na Inglaterra como quis e quem também levou uma bela cacetada foram os pobres (eu nunca lá fui, sei pela boca de gente que nasceu e/ou viveu toda a sua vida lá e que trabalhou sempre ao serviço de sua magestade (as condecorações estão espalhadas pela casa)). Ou seja: não há diferença do que se está a passar em Portugal (refiro-me ao facto de os pobres pagarem a factura).

Eu não falava do conceito de anarquia como se usa no dia a dia, estava a falar mesmo da filosofia política que conheço, por exemplo, de estudar cultura espanhola. Pois em Portugal não se está quase na anarquia, está-se quase no caos anterior à criação do mundo!!

Os EUA… toda a gente sabe que não são exemplo para nada! Nem era necessário ir buscá-los. Têm a pena de morte, chega para eu não lhes dar crédito!

Mas, numa espécie de conclusão (será a última vez que virei aqui responder, pois eu tenho a minha ideia e não a quero convencer de nada, mas fiquei com a sensação que a Maria me quer convencer de algo), eu digo-lhe porque gosto do meu tempo, apesar de ser muuuuuito mau.

Começo por dizer porque o acho mau: emigrei. Fiz o curso, tentei trabalhar em qualquer coisa (era mesmo qualquer coisa) mas o que me ofereciam era absurdo (cheguei ao cúmulo de receber uma oferta para trabalhar 3 meses sem ganhar). Deixar a minha vida e recomeçar do zero… impensável desde sempre e de repente… estava de esfregona na mão e aprender uma língua bárbara ao ouvido. Mas tenho garantias que não tinha na minha terra.

Agora falando do que eu acho óptimo: Eu emigrei quando quis, vou a casa quando quero. Não precisei de autorização do meu pai (não tenho marido), nem tenho medo de ser apanhada na fronteira (nem sequer por trazer chocolates a mais). Posso estar aqui a trocar ideias consigo sem me sentir reprimida ou como uma espécie de conspiradora. Isso é que faz com que, apesar de toda a porcaria que Portugal tem, eu goste do meu tempo. E por favor não me diga que não havia desses controlos porque eu conheço muita gente que teve o mais variado tipo de vivências e experiências, na província, na capital, além mar e além fronteiras. Muita gente que nunca se cruzou e duvido que venha a cruzar. Algumas das histórias que um conta poderia ser contada por todos os outros.

Eu só espero que nunca ninguém tente convencer-me que não houve nenhum tipo de perseguições, ou prisões, que eram todos uns santos. Pois se fosse verdade, queria dizer que vivi 30 anos da minha vida rodeada por mentirosos (e não falo dos livros ou dos políticos, falo das pessoas das minha relações) e isso, sim!, é assutador, pois lembra-me o "1984" do Orwell.
Saudações
De [s.n.] a 22 de Março de 2012
Primeiro, obrigada pelo seu comentário. Mas Luísa, eu não a quero convencer de coisa alguma. Longe de mim tal ideia. O que escrevo é aquilo que penso, após muitos anos de comparações entre os dois regimes - o anterior e este em que nos encontramos.
Eu também viajei com os meus pais, era ainda muito novinha, por vários países: Inglaterra, França, Estados Unidos, Itália, Espanha. Já mais crescidinha e tendo familiares em Inglaterra, fiquei por lá uns tempos. Gostei muito de lá viver, mas estava sempre com saudades loucas de voltar para o meu querido país, com ditadura e tudo...
No tempo em que lá vivi a sociedade andava sobre rodas. Nada de assaltos, medos, roubos, etc. As crianças portavam-se lindamente nas escolas e respeitavam os professores e os mais velhos. Andava-se no centro de Londres e nos bairros periféricos a qualquer hora sem o mínimo receio, tal como no Portugal d'então. Mas os tempos mudaram cá e lá e aqui há uns anos uma professora disse-me que o ambiente nas escolas inglesas é péssimo e os professores passam por momentos de terror. Exactamente como em Portugal. Os alunos portam-se como marginais e não respeitam nem professores nem os mais velhos. Volta e meia há atentados e crimes sem explicação como, entre outros, o daquela jornalista da televisão que foi morta à porta de casa. Por outras palavras, entre a Inglaterra que conheci e esta d'agora vai uma distância de milhares de anos-luz. Exactamente o que se passa em Portugal entre a 'ditadura' em que vivi e a 'democracia' em que vivo.

Quanto aos regimes monárquicos, além de muitas outras virtudes que seria exaustivo enumerar, possuem pelo menos três que ninguém pode negar: gozam de imenso prestígio em todo o mundo; os povos respeitam os seus monarcas porque sabem que eles os protegem acima de tudo e se mais não fora - e há - as monarquias, principados e ducados recebem centenas de milhões (de libras no caso inglês) em receitas anuais provindas do turismo que a própria realeza suscita.
Nós, nesta excelsa república (assim como a Grécia, Itália, França, Irlanda, etc. - Espanha é a excepção - todas repúblicas 'democratíssimas') além de deixarmos de receber muitos milhões em receitas anuais provenientes dos vários sectores de actividade destruídos pelos 'democratas', deixámos sair biliões a maior parte surripiada pelo poder instituído. Resultado, ao fim de várias décadas de 'democracia' todos estes países entraram em bancarrota.

Nada do que escrevo pretende influenciá-la, repito. Cada pessoa tem o direito de pensar como lhe convém. O ambiente em que cada um foi educado tem enorme influência na sua maneira de ser e de se comportar perante a vida. Mas as pessoas informadas têm o dever de sopesar os prós e contras dos regimes em que vivem . E a Luísa parece-me ser uma pessoa informada, motivo pelo qual aprecio o que escreve, sem que com isso eu esteja totalmente d'acordo.

Deve compreender que tendo eu tido do lado materno uma enorme influência monárquica, só é natural que nutra por este regime uma forte empatia. A título de curiosidade, posso dizer-lhe que conheço pessoalmente aristocratas e nobres tanto em Inglaterra (a princesa Marina, já falecida, mãe do Duque de Kent, de seu irmão Miguel e de sua irmã Princesa Alexandra, primos direitos da Raínha Isabel) como em Espanha. Neste país conheço pessoalmente a Duquesa de Alba. Em Portugal passa-se o mesmo: uma, é minha segunda prima; outra, é uma grande amiga nossa; e uma outra, no caso toda a família, morou no prédio dos meus pais. Todas pessoas do mais simpático e acessível que se possa imaginar. E possuem uma virtude que prezo acima de tudo, são PATRIOTAS.

A Luísa conhece a linha programática (chamemos-lhe assim) deste Blogo? Se sim, saberá o motivo porque escrevo nele (e em muito poucos mais). Estou em perfeita sintonia com os vários conceitos e opiniões, políticas e outras, que o autor aqui expõe. Mais, há uma espécie de serenidade que aqui encontramos, que nos traz bem estar interior e paz à alma. E bem que eu preciso de ambos. O digníssimo autor do Blogo sabe bem do que estou a falar.

Não necessita responder. Eu, sim. Até há 40 anos era costume dizer-se "uma carta merece sempre uma resposta" e os comentários mais não são do que cartas abertas. Eis porque o faço.
Concordo, podemos ficar por aqui.
Maria
De [s.n.] a 16 de Março de 2012
Tanta ignorância que por aqui grassa. Como é possível, nos dias de hoje, haver alguém a elogiar o tenebroso e sanguinário salazar? Um fascista da pior espécie que atrasou décadas e décadas de desnvolvimento de Portugal. Canalha que perseguia e mandava torturar e matar quem não pensava como ele. Será que Tarrafal diz alguma coisa a esta gente que por aqui escreve? Não reescrevam a história! E quanto à Estátua, deita-la abaixo parece-me pouco! Abaixo o salazar e todos os salazaristas!

João Paulo
De Bic Laranja a 16 de Março de 2012
Como é possível, realmente... Salazar, todavia, é com letra grande. A estátua é que podia ser com letra pequena.
De Inspector Jaap a 16 de Março de 2012
Considere-se feliz por ter tido a resposta que não merecia, honra seja feita à bondade e grandeza de alma do Bic.
Quanto à ignorância de que nos acusa, a avaliar pela maneira como escreve, estamos conversados.
De Anónimo a 18 de Março de 2012
Até me dei ao trabalho de fazer a "papinha" para si, para ver como fala levianamente:

http://desmitos.blogspot.pt/2011/02/razoes-para-censura.html

A fonte? O blogue do actual ministro da economia. Bom proveito.

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