10 comentários:
De [s.n.] a 24 de Julho de 2012
Já que ninguém se pronuncia sobre este edifício, tomo a liberdade de ser eu a primeira a fazê-lo:).

Eis um bonito edifício, não em especial pela simplicidade das linhas arquitectónicas, embora também, mas pela harmonia das mesmas e particularmente pela solidez patente na fachada, do réz-do-chão ao telhado, como aliás todos os edifícios construídos no regime anterior o eram, este não destoando da delicada moradia ao lado nem com os prédios contíguos do lado da Av. de Berna, estes dos anos 30/40, todo ele creio que em pedra-mármore. Estes, sim, é que eram edifícios com categoria na forma e nos materiais, a poderem ombrear com o que de melhor se fazia nessa altura pela Europa fora. Não os chamados caixas de fósforos em vidro e/ou em material de qualidade inferior, todos horrorosos (tipo Dallas, não foi impunemente que um edifício deste 'belo estilo modernista' na Av. José Malhoa foi assim baptizado..., de qualquer modo esta avenida começou por ser baptizada pelos lisboetas como avenida Dallas!) que inundaram Lisboa e porventura todo o país, desde que estes possidónios-ultra-oportunistas-pseudo-presidentes da Câmara se amesendaram na respectiva cadeira do poder depois do malfadado Abril.

E isto porquê? Primeiro porque são quase todos dum extracto social muito baixo (Duarte Lima e Dias Loureiro, apenas dois exemplos de indivíduos que nada tinham de seu quando ascenderam ao partido e hoje são bilionários a custa de roubos gigantescos e crimes económicos e não só económicos) sem background que lhes desse o 'humos' (salvo seja) necessário para crescerem a apreciar as coisas belas e com um toque de classe que os políticos do Estado Novo teriam com toda a certeza, basta comparar o que se fazia relativamente à construção civil bem como noutras áreas da arquitectura nacional (vide a Exposição do Mundo Português) assim como nas muitas obras de arte monumentais construídas então e pós-Abril. Mas não é só por estes factos que eles são pirosos, porque há muitíssima gente e eu conheço alguma, de origem bem humilde que se instruiu e cultivou o suficiente para evoluir pessoal e profissionalmente e que comparados com estes ignorantes funcionais que nos desgovernam, são verdadeiros príncipes.

O grande mal destes apátridas é que nos governam a mando do mundialismo. Portugal e o seu povo não lhes interessa em absoluto. E a juntar a esta desgraça, além de traidores em primeiríssimo grau, são mega-oportunistas e só lhes interessa dinheiro, rodos dele e estatuto social e político, sinónimos de comendas, mordomias, benesses e mesuras. E serem recebidos que nem reis em visitas de Estado, pois claro. E é isto que eles andam a fazer há quase quatro décadas e o povo a assistir com a maior das complacências. Como é que isto continua a ser possível, não sei.
Maria
De [s.n.] a 24 de Julho de 2012
Algures no texto falta um acento grave num "a" e um agudo em "húmus". Sorry!


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Joe Bernard, eu é que fico agradecida pela sua concordância.
Maria
De Inspector Jaap a 24 de Julho de 2012
Maria, mas não tem que ficar surpreendida!
Com efeito, cada regime tenta perpetuar-se da maneira que mais se lhe ajusta, donde, nada a estranhar na solidez dos edifícios e da estrutura modelar do regime em causa; as coisas eram feitas para durar, porque, uma das frases do Estadista era “produzir e poupar”, a par, digo eu, do aforismo popular: “quem se veste de mau pano, veste-se duas vezes no ano”; assim, o modelo económico da época, concorde-se ou não com ele, era LÓGICO, donde, durável, e o resto era a condizer… por exemplo, o Liceu onde estudei, ao que sei, não sofreu obras durante décadas, porque sólido, como tudo o resto.
Agora a que assistimos nós? Agora (desde ontem de manhã) é mais “poupar e produzir” … se isso não for contra os interesses da tripeça, inútil será dizer; entretanto, o ideal é consumir o mau pano e diversas vezes ao ano por causa do IVA e tal, tal tal…
Acho que merecíamos melhor.
Calorosos cumprimentos.
De [s.n.] a 24 de Julho de 2012
"Acho que merecíamos melhor"..., não só merecíamos como se está a tornar imperioso que tal suceda mais cedo ou mais tarde.

Um povo que conseguiu manter-se independente durante 900 anos, vencendo guerras brutais e tremendamente desiguais, em homens e armas, à custa de muito sangue mas também de muita Valentia, é um Povo Imortal digno representante do chão Sagrado que pisa e Nobre herdeiro dos seus Heróis ancestrais.

Não acredito que dos 15 milhões de portugueses (10 cá dentro e 5 lá fora)
não exista um punhado de Bravos, suficientemente corajosos e patriotas, capazes de derrotar duas ou três centenas de reles traidores. Não, não posso acreditar.

Obrigada pelo seu comentário.
Maria
De Bic Laranja a 25 de Julho de 2012
Um edifício do tempo do Português Suave. Desmerece, no meu conceito, não pelo estilo, mas por ter arrasado o belíssimo palacete em Arte Nova que preenchia aquele gaveto. No mais, bastaria soprarmos estes dois conceitos -- «Português Suave» e «Arte Nova» -- aos cafres que refere, ou mesmo aos reles operadores de Autocad que arcaicamente ainda se designam como arquitectos, e prestes tiraríamos do esgar bovino que fariam o motivo da estética canibal que nos desfeia cidades vilas e aldeias. Azar nosso que por vigarice congénita tanto que lhes vá assentando a canga dos cifrões na cernelha quando garrochada a valer é que aqueles lombos mereciam.
Cumpts.
De [s.n.] a 26 de Julho de 2012
Quanto à "garrochada" nos "lombos", não posso estar mais de acordo. E quanta mais, melhor um pouco.

Agora quanto à moradia cuja foto reproduz (fui ver todas as ligações de 2007, que deixou e que desconhecia, creio que ainda não andava por aqui nesse ano). Olhe que me parece ser o Clube dos Empresários, tal como aliás um comentador dessa altura lhe perguntou. Porque se não é, imita muito bem... É que até há cerca de dois ou três anos, volta e meia passava por lá, tanto que lhe fixei as linhas e reparo que a fachada é a mesma sem tirar nem pôr...
Maria
De Bic Laranja a 27 de Julho de 2012
O Palacete Valmor (Clube de Empresários) não tem coruchéu a cortar a simetria. Além de mais despido de ornamento.
Cumpts. :)
De Joe Bernard a 24 de Julho de 2012
Nem mais.
Grato pela sua opinião, que é a mesma que a minha!
De Bic Laranja a 29 de Julho de 2012
Obrigado sou eu pelo seu comentário.
Cumpts.
De Mário N. a 28 de Abril de 2015
Não me levem a mal o comentário mas, fiquei todo contente com o comentário que dizia que já que ninguém falava do edificio o iriam fazer. E esperava eu descobrir algo sobre o proprietário, se é habitado, se foi reformulado, se vai ser demolido, como é a organização especial, enfim... essas coisas mais diretamente ligadas a um edificio.
Reconheço que souu muito fútil, abordo a história urbana da cidade sempre numa perspectiva de "quotidianos": como viviam as pessoas, como organizavam o seu dia, etc. etc. e fiquei decepcionado quando ao invés de informações sobre o texto, leio considerações individuais de politica.
As minhas desculpas , pelo meu desabafo, concordo com a linha geral do comentário mas, é como ir ao cinema falar de catequese; uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa...
Posto isto, eu não considero este edificio um edificio "Português Suave". Porque não tem nada de arcaicamente tradicional na sua fachada( não há torrezinhas, nem varandas com esferinhas armilares, nem fenestramento de sacada ou remates de janelas a la d. João V, nem sequer uns painelitos de azulejo ou aplicações de ceramicaa, não notamos telhas ( quase não há porque termina num terrace ajardinado com salão de jogos dos proprietaries), nem beirais, nem aqueles ferros forjados para vasos de sardinheiras, enfim... tudo aquilo que fez alguém reconhecer nalguma arquitectura do Estado Novo a matriz e o pastiche de um suposto corpus da arquitectura tradicional. E não tem -também - o simples ritmado da arquitectura chã que alguns prédios "EStado Novo" tem... é mesmo uma coisa diferente.´Este prédio poderia estar em Itália, como uma obra arquitectónica dos anos 50. Tem qualidade e é por isso que foi Prémio Valmor.
(alias, tb em Itália houve "Italiano Suave" com Piero Portaluppi e outros e parece-me que a malta se foca na novidade da coisa e não na reacção cega de colagem a Mussolini ( como por cá se faz colando a Salazar). É arquitectura, e tem autor. Valem por tudo isso.
O que me atria neste prédio: para além do que se vê, a organização interna , muito curiosa em relação aos outros prédios de rendimento da época: no r/c para além das arrecadações dos proprietaries e inquilinos do prédio, e dos estacionamentos, há dois quartos e respectivos sanitários para o Porteiro ; um quarto para o motorista e outros para os criados dos proprietaries. Termina isto com uma cozinha e zona de refeições na parte de trás, contigua a entrada do prédio.
Depois, cada piso é uma casas com: da direita para a esquerda: uma sala de jantar, alinhadas as lareiras com a chaminé que se vê no topo, à dta. depois das duas janelas desta sala, com portas de correr, surge o salão ( + 2 janelas), dando directamente para um Hall quase eliptico. E, na esquina ou no gaveto, a sala de jantar, com lareira no vértice interior da sala. esta sala comunica com portas de correr para o salão e com portas normais para um "quarto principal" com cerca de 25 m2 que se interliga com um roupeiro, uma casa de banho com banheira e duche e um corridor priivado para onde dão 5 quartos mais pequenos, uma rouparia e a caixa forte do apartamento. a zona de cozinha, copas, e quarto de criada ficam nas traseiras que correspondem ao lado direito do prédio. No topo,um terrace ajardinado e um grande salão dos proprietaries. Dando para as traseiras, "talhões" de terraço correspondentes aos estendais dos inquilinos.
é um prédio com uma organização muito curiosa e bem mais eficaz que os seus similares ( em publico alvo e estilo de vida) da Avenida Sidónio Pais.
Bem hajam.

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