17 comentários:
De José a 28 de Julho de 2012 às 10:43
Esta parte de Lisboa - Avenidas da Liberdade, Fontes Pereira de Melo, 5 de Outubro e República - lembra-me cada vez mais as feias, frias e incaracterísticas cidades da zona ocidental da Alemanha. Porém, no caso destas últimas, até se percebe qual a razão de ser da sua falta de homogeneidade: as pavorosas destruições causadas pelos bombardeamentos aéreos da II Guerra Mundial e a subsequente reconstrução apressada - por razões de maximização económica - operada ao longos dos anos 50/60. Ora, não tendo Lisboa sofrido qualquer bombardeamento aéreo, nem Portugal intervindo na II Guerra Mundial, ainda mais difícil se torna perceber racionalmente a amplitude da destruição constatada na capital portuguesa. E isto dá muitíssima pena, quando nos recordamos que cidades que ao longo do século XX tiveram uma existência muito mais atribulada que a de Lisboa, têm a quase totalidade do seu património histórico perfeitamente salvaguardado. Assim de repente, recordo-me de Barcelona, Paris, Praga ou Budapeste.

De Bic Laranja a 29 de Julho de 2012 às 12:41
O que me diz resume tudo muito bem. O crescendo de estupidez e de falta de cultura continuam a espiral de destruição. Fazemos tudo sem guerra e matamo-nos a alma. É assim acabamos.
Muito triste!
Cumpts.
De José a 28 de Julho de 2012 às 10:54
Entretanto, fui "passear" por aquelas bandas. Vejamos a coisa pelo lado positivo: a farmácia continua no mesmo sítio...
http://maps.google.pt/maps?hl=pt-PT&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.r_qf.,cf.osb&biw=1024&bih=600&wrapid=tlif134346896179810&q=avenida+da+rep%C3%BAblica,+n%C2%BA+25,+Lisboa&um=1&ie=UTF-8&hq=&hnear=0xd19330a81bbebb9:0x31599e6cd4d4f262,Avenida+da+Rep%C3%BAblica+25&gl=pt&sa=X&ei=wbUTUIiKGoWkiQfN-ICADQ&ved=0CAcQ8gEwAA
De Bic Laranja a 28 de Julho de 2012 às 13:04
Algo perene. Uma boa notìciazinha, apesar de tudo.
Cumpts.
De [s.n.] a 28 de Julho de 2012 às 19:52
A Av. da República era uma preciosidade no que à urbanização e construção em geral, diziam respeito. Prédios e moradias, havia-os/as múltiplas e lindíssimas. Era muito novinha mas lembro-me perfeitamente de lá passar com a minha mãe e ficar maravilhada com o seu esplendor. Cada uma era mais elegante e bela do que a anterior. As demolições começaram, se não estou em erro, já antes dos abrileiros cá porem as 'patas', mas em pequeníssima escala, porque tenho ideia de haver imensas casas e moradias do fim do séc. dezanove e princípios do vinte ao longo desta Avenida. Art Nouveau e Art Decô havia-as às dúzias, mais aquelas do que estas. Tanto o eram moradias como edifícios de poucos andares. O pior veio depois d'Abril. Realmente quem pratica tais crimes de lesa-património merecia a prisão.

Tudo quanto estas nefandas criaturas fazem ao chegar às 'democracias', que ademais os mesmos impõem à força, entre outros males e em troca dos milhões que as construtoras lhes metem nos bolsos (corruptos e corruptores, que são), é destruir tudo o que de valioso e belo possa existir nesses países. Duma cajadada matam dois coelhos: primeiro destróiem a anterior sólida e correcta urbanização substituíndo-a por construções pavorosas, estradas pèssimamente alcatroadas, passeios horrendamente calcetados cujos primorosos desenhos precedentes, em calcário branco e preto, são/foram mal e porcamente restaurados ou pura e simplesmente descartados; depois e ainda não satisfeitos com o descalabro, em simultâneo tentam apagar da vida das populações, neste caso de Lisboa, "lembranças de tudo quanto seja estèticamente magnificente" o que as reportaria d'imediato para o 'antigamente' - coisa tenebrosa!, como sabemos - forçando-as de um modo subtil a esquecer hábitos e tradições, tais como agradáveis passeios e visitas turísticas de naturais e estrangeiros, pelas avenidas, praças e lugares mais emblemáticos da cidade, para, por exemplo, tirar fotografias na (que foi) belíssima avenida da República e/ou a tomar uma chávena de chá nas prestigiadas pastelarias ou almoçar/jantar em óptimos e elegantes restaurantes - vide a inigualável Versailles - que felizmente se conserva quase igual - onde tantas vezes fui (e ainda vou, mas agora raramente porque me fica distante) lanchar e também almoçar com a minha Avó e minha Mãe - que ombreavam com os magníficos restantes estilos arquitectónicos, os quais deixaram uma marca indelével na cidade de Lisboa e que, graças aos seus competentes governantes, autarcas e habitantes, foram durante décadas e décadas religiosamente preservados. Até que, para mal dos nossos pecados, chegaram os malditos do presente.

Olhando à volta e verificando a calamidade que se me depara a cada esquina, recordo com uma saudade infinita a grandeza de Lisboa doutros tempos e a completa decadência em que, desde há três décadas, se foi tornando aquela que já fora considerada a cidade mais limpa e uma das mais bonitas da Europa. Perante todo o mal que os governantes permitiram e os autarcas (todos eles 'democratas' da mais pura água) executaram em Portugal inteiro e muito particularmente em Lisboa, aproveito para deixar um intenso queixume que perpassa num só verso de uma famosa e linda canção romântico-poética d'Aznavour e que traduz à perfeição o meu estado d'alma relativamente a esta cidade adorada: "... je te regarde... et mon coeur au bout des larmes".

Obrigada por nos trazer tão fantásticas fotografias. Que o são pela impecabilidade dos ângulos, pela sua beleza intrínseca, pela nitidez d'imagem e pela mestria como foram tiradas.
Maria
De Inspector Jaap a 29 de Julho de 2012 às 13:48
Cara Maria:
A galinha da vizinha é sempre melhor (pior?) que a minha.
Ao que vejo, somos confrades na desgraça; tendo lido atentamente este seu belo trecho, sempre lhe digo que me aconteceu a mesmíssima coisa em relação à minha querida Av. dos Aliados da bela cidade “Inbicta”, depois das obras do Metro do Porto e do programa Polis/ Porto, capital da Cultura, etc, etc, a saber:
Onde estão os passeios e a sua magnífica calçada portuguesa de que os tripeiros tanto se orgulhavam e os estrangeiros tanto gostavam e elogiavam???
Onde param os magníficos jardim que embelezavam a sua divisória central???
Quando ela voltou a estar disponível ao público e lá pude voltar, pois foi também o que me aconteceu, “Je te regarde… et mon cœ au bout des larmes” e não me envergonho de tal.
Ficaram intactos (ou quase) os edifícios, mas, com as montras do que já foi a nata do comércio portuense, vazias, sujas, quando não entaipadas e, para variar, devidamente grafitadas… Hoje, chega-se lá, fecham-se os olhos, e poderemos estar numa qualquer europeia cidade descaracterizada, dessas de que se fala acima e com toda a propriedade; para completar o quadro, o “assassínio” desta pérola, teve como autor um arquitecto (se calhar, “arquiteto” filho da cidade…
Tristes tempos estes que vivemos.
Obrigado pelo seu contributo.
De [s.n.] a 29 de Julho de 2012 às 16:59
Obrigada sou eu pelo seu comentário.
Bem a propósito: porque é que os tripeiros não se juntaram em bloco para se manifestar contra esse atentado urbanístico, um crime de lesa-património, indubitàvelmente?! É que a cidade do Porto, embora tendo só estado lá de passagem, não a conheço o suficiente para me manifestar a favor ou contra, mas pelo que me dizem desde há muitos anos e também pelo que vejo nas reportagens e documentários, é uma maravilha em todos os aspectos, fazendo lembrar - no tipo de construção e pelo belo e acinzentado granito com que foram edificadas - até a estatuária da cidade também é granítica, se não estou em erro - algumas cidades da Grã-Bretanha, ainda que neste caso com materiais completamente diferentes, naturalmente.

Pois, digo isto mas contra os lisboetas falo. Mal fizeram estes, logo no início quando o camartelo entrou furiosamente em acção, ao não terem protestado violentamente contra actos sucessivos desta índole relativamente ao seu valioso património arquitectónico e urbanístico, hoje destruído irremediàvelmente.
Agora é tarde demais para as duas cidades e porventura para o país. Já nada do destruído pode ser recuperado.
(Aos responsáveis deste inferno) malditos sejam e diabos os levem.
Maria
De Inspector Jaap a 29 de Julho de 2012 às 21:12
Aquilo foi mais um caso de fazer as coisas “à surrelfa ”; eu ouvi uns zunzuns, mas nada de concreto; quando vi é que me caiu o coração aos pés; acho que os tripeiros foram “levados”.
Agradeço, em nome de todos os tripeiros, os elogios que faz à cidade de Porto que é maravilhosa, como muito justamente diz, e, uma coisa rara, tem carácter; ora acontece que parte dele foi delapidado pelo camartelo, como muito apropriadamente diz.
No que respeita à estatuária, tem a minha Amiga toda a razão; para utilizar a classificação oficial do Guia Michelin, “vale a viagem”; por que não vem até cá para lho poder demonstrar “in loco”?
Prometo brevemente mandar-lhe umas ligações que ilustram tudo o que disse.
Cumprimentos.
P.S. Dei agora por uma gralha tipográfica, fruto da pressa com que lhe respondi: leia-se cœur, naturalmente!
De Inspector Jaap a 30 de Julho de 2012 às 18:30
Cara Maria:
Cantando um filho do Porto, "o prometido é devido" e os tripeiros (mesmo de adopção, como é o meu caso) não gostam de dever; assim, cá vão as ligações prometidas:
O antes:
http://www.google.pt/imgres?q=avenida+dos+aliados&hl=pt-PT&sa=X&rlz=1C1GGGE_pt-PTPT462PT462&biw=1440&bih=755&tbm=isch&prmd=imvns&tbnid=tySRw9_g3x0nGM:&imgrefurl=http://www.panoramio.com/photo/208023&docid=5HB_ig8TsOwlBM&imgurl=http://mw2.google.com/mw-panoramio/photos/medium/208023.jpg&w=500&h=375&ei=WsEWULbML9O7hAez74DQDA&zoom=1&iact=hc&vpx=1140&vpy=290&dur=142&hovh=194&hovw=259&tx=106&ty=121&sig=106240798084931734192&page=2&tbnh=133&tbnw=195&start=15&ndsp=30&ved=1t:429,r:23,s:15,i:207

http://www.google.pt/imgres?q=avenida+dos+aliados&hl=pt-PT&sa=X&rlz=1C1GGGE_pt-PTPT462PT462&biw=1440&bih=755&tbm=isch&prmd=imvns&tbnid=I_zadkM-olIZ5M:&imgrefurl=http://magisterio6971.blogs.sapo.pt/2006/01/&docid=UjlYoDdmPVUBqM&imgurl=http://magisterio6971.blogs.sapo.pt/arquivo/avenida.jpg&w=480&h=360&ei=4MEWUNPOGNSJhQfppYCwDg&zoom=1&iact=rc&dur=356&sig=106240798084931734192&page=1&tbnh=167&tbnw=249&start=0&ndsp=15&ved=1t:429,r:13,s:0,i:126&tx=118&ty=84

http://www.google.pt/imgres?q=avenida+dos+aliados&hl=pt-PT&sa=X&rlz=1C1GGGE_pt-PTPT462PT462&biw=1440&bih=755&tbm=isch&prmd=imvns&tbnid=mWpk3-RFaY1xfM:&imgrefurl=http://monumentosdesaparecidos.blogspot.com/2012/05/jardins-da-avenida-dos-aliados-porto.html&docid=2JmqgSpU9aCs7M&imgurl=http://1.bp.blogspot.com/-xh7yqor1GaI/T8JL3wlhhTI/AAAAAAAAEaU/Yq5pPXPHXI8/s1600/Aliados%252Bvarios%252Bangulos.jpg&w=650&h=458&ei=4MEWUNPOGNSJhQfppYCwDg&zoom=1&iact=rc&dur=301&sig=106240798084931734192&page=3&tbnh=136&tbnw=181&start=45&ndsp=35&ved=1t:429,r:10,s:45,i:262&tx=27&ty=100

e o depois:
http://www.google.pt/imgres?q=avenida+dos+aliados&hl=pt-PT&sa=X&rlz=1C1GGGE_pt-PTPT462PT462&biw=1440&bih=755&tbm=isch&prmd=imvns&tbnid=0l4wbXJzMH6hPM:&imgrefurl=http://www.cm-porto.pt/gen.pl%3Fsid%3Dcmp.sections/63&docid=Yx0MBcrIYvfGJM&imgurl=http://www.cm-porto.pt/users/0/58/18aa83cc.jpeg&w=1024&h=727&ei=WsEWULbML9O7hAez74DQDA&zoom=1&iact=rc&dur=257&sig=106240798084931734192&page=1&tbnh=162&tbnw=226&start=0&ndsp=15&ved=1t:429,r:1,s:0,i:88&tx=67&ty=97

E, quanto à calçada portuguesa, olhe só o que a veio substituir:
http://www.google.pt/imgres?q=avenida+dos+aliados&hl=pt-PT&sa=X&rlz=1C1GGGE_pt-PTPT462PT462&biw=1440&bih=755&tbm=isch&prmd=imvns&tbnid=4ITNsWd_aekioM:&imgrefurl=http://palavras-arquitectura.com/2007/01/23/avenida-dos-aliados/&docid=I4cHTCt-YzBthM&imgurl=http://asimplemind.wordpress.com/files/2007/01/aliados_07.jpg&w=500&h=291&ei=gMQWULu1C8Ow0QWg9ICgDg&zoom=1&iact=rc&dur=351&sig=106240798084931734192&page=3&tbnh=96&tbnw=165&start=45&ndsp=35&ved=1t:429,r:4,s:45,i:243&tx=68&ty=44

palavras, para quê?
Cumprimentos
De [s.n.] a 31 de Julho de 2012 às 13:57
Uf! Vai ser moroso mas muito compensador ver todas estas ligações! Contudo demorarei algum tempinho, isso é certo. Muito agradecida pela sua intensa pesquisa, I'm sure!
Maria
De Inspector Jaap a 31 de Julho de 2012 às 16:28
Take your time... there is no rush, whatsoever!
E, no que respeita ás ligações, é só copiá-las uma por uma e colocá-las no seu navegador... e já está!
Cumprimentos
De José a 28 de Julho de 2012 às 23:42
A desgraça desta zona da cidade remonta à segunda metade dos anos 60 e ao mau gosto da construção de pato-bravo então prevalecente, característica da época marcelista. A inflação do pós-25 de Abril e a especulação imobiliária iniciada na segunda metade dos anos 80 prosseguiram tal desgraça, e acabaram o serviço que aqueles patos-bravos haviam iniciado.
De [s.n.] a 29 de Julho de 2012 às 17:45
Terá sido então como diz.
A todos eles, aos patos bravos de ontem e aos seus zelosos seguidores de hoje, apenas um conselho: ponham-se na alheta antes que os portugueses acordem do longo torpor, caiam em si e vos chamem à pedra pelos crimes cometidos. Patrimoniais e urbanísticos. Mas não só.
Maria
De Bic Laranja a 29 de Julho de 2012 às 12:47
De [s.n.] a 3 de Agosto de 2012 às 22:34
Estas duas moradias geminadas são uma beleza. Assim como o é a que imediatamente se lhes segue. A perfeição e os pormenores da construção e dos materiais nobres usados, as linhas impecáveis (já em plena ART DECO), as bem concebidas e delicadas varandas envidraçadas, aquelas peanhas (ou mísulas) que suportam dois pequeninos e bonitos elefantes esculpidos, também em pedra, tudo aqui está perfeito e em harmonia.
Quem dera que voltassem a fazer prédios e moradias com esta categoria.
Olha-se para esta foto e mais parece estarmos perante três casinhas em miniatura, daquelas raras e caríssimas que se encontram em antiquários de luxo, tal o realismo que irradiam mesmo tratando-se de uma foto. Foto que aliás possui uma qualidade sem par.

Grandes arquitectos, esses, dos tempos que já lá vão. Mas como aqueles infelizmente não os haverá mais.
Maria
De Bic Laranja a 4 de Agosto de 2012 às 00:00
É uma cidade irreal, não lhe parece?
Tempos paupérrimos, os de hoje.
Cumpts.
De Eduardo Silva a 12 de Janeiro de 2015 às 17:43
Nessas 2 vivendas /palacetes vivia a familia Portela(medicos e advogados), no predio do lado direito nº 33 viviam pessoas menos ricas . No 3º andar vivia a mãe da atriz Maria do Ceu Guerra, no 2º andar vivia uma velhota D.Cacilda e filho Francisco Chaves (caixa no BES Saldanha) No 1º andar vivia uma medica Ginecologista e marido com 2 filhas , no r/c vivia um Comandante da avição venuzuelano , mulher e filhos e na cave que são as 2 janelas rentes ao chão eu , a minha avó (costureira), a minha mãe (domestica) e o meu pai (funcionario publico). No predio (onde era uma farmacia)antes das vivendas viviam varias pessoas de rendimentos medios mas tinham filhos a estudar nas escolas oficiais e não em colegios privados. Naquela avenida havia varios tipos de pessoas os ricos,os medios e os remediados. Finalmente aqueles 2 palacetes já vinham do tempo dos reis e aquela familia apenas comprou.No predio ao lado nº 35 que não se vê na foto viviam desde policias a bombeiros e professor ....enfim outros tempos

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