9 comentários:
De [s.n.] a 3 de Setembro de 2012
Na minha modesta opinião e com todo o respeito, acho que a sua primeira observação é que estava correcta.

Senão vejamos: o verbo transitivo "arriscar" significa pôr em risco; aventurar.

O mesmo verbo, mas reflexo, significa: expor-se "a"; aventurar-se "a".

Donde, conforme primeiramente sublinhou e bem, em bom português a preposição deve e tem que lá estar.

Exemplos: "ele arrisca-se A perder o jogo"; nestes casos é inconcebível não empregar o advérbio (sob pena de estar a falar ou a escrever em 'eduquês') e grafar a frase deste modo estranho: "ele arisca-se perder o jogo" "; ou no correcto "dada a enchente arrisco-me A não conseguir bilhete", deste modo coxo: "dada a enchente arrisco-me não conseguir bilhete"... ; ou no perfeito "eles arriscam-se A não apanhar o avião", deste modo enviesado "eles arriscam-se não apanhar o avião"; ou "ele vai aventurar-se A escalar aquela montanha" e nunca "ele vai aventurar-se escalar aquela montanha", etc.

Quanto à sua outra observação sobre o verbo "haver", concordo mas com um pequeníssimo 'mas'.
Se a notícia estivesse grafada do seguinte modo: "... estava divorciada DESDE há três anos" (mas SEM o insuportável 'atrás') talvez fosse aceitável. O advérbio 'atrás' que os brasileiros usam nas frases em que existe (ou deveria existir, para ser mais correcta) o verbo HAVER e os macacos de imitação portugueses analfabetos imitam à exaustão, não faz falta alguma na frase, antes, é uma redundância completamente desnecessária para quem se arroga o direito de saber escrever e falar a nossa língua. Os muitos que ainda o dizem e escrevem, por total desconhecimento do nosso léxico - provàvelmente é assim que se exprimem nas aulas e nem sequer são corrigidos pelos excelsos professores, salvo as honrosas excepções, que as há - estão a imitar a oralidade brasileira, porque estes, segundo creio, desconhecem que o verbo HAVER significa EXISTIR - ou ele é simplesmente inexistente no brasileiro corrente, contràriamente ao culto falado e escrito - e como tal é um erro crasso repeti-lo na mesma frase/proposição/oração. Aliás penso que eles nem sequer o usam no discurso oral. Quanto ao escrito, salvo no brasileiro culto, também não.

Com efeito e pegando no seu bom exemplo, a frase correctamente grafada seria: "estava divorciada havia três anos".
Maria
De [s.n.] a 3 de Setembro de 2012
"... a docente estava separada do marido havia três anos" e não "divorciada", como deixei escapar inadvertidamente.
Maria
De Bic Laranja a 3 de Setembro de 2012
O «a» a mais é no no verbo «arriscar»; é artigo não preposição; pertence ao complemento directo (ex. arriscar a vida, o coiro, os cabedais).
O caso do verbo «arriscar-se», pronominal, é que é como diz. E é este o caso do título da notícia, mal redigida. O verbo tinha de ser o pronominal e não o transitivo simples pela simples razão de que «ficar paralisado» não é acção do sujeito. O pronome reflexo funciona como partícula apassivante tornando o sujeito da acção um mero agente da passiva: o moço de forcado não age deliberadamente paralisando-se; ele é vítima duma acção cometida por um sujeito omisso na frase, o toiro. Ou o destino.
O verbo haver fica para depois.
Cumpts. :)
De Bic Laranja a 3 de Setembro de 2012
[...] não é acção do sujeito (na redacção do jornal). O pronome reflexo funciona como partícula apassivante tornando o sujeito da acção (na redacção do jornal) ume mero &c.
Cumpts.
De [s.n.] a 3 de Setembro de 2012
Tem razão. Neste caso o "a" é artigo e não preposição. Absoluta falta de atenção da minha parte.

Mas e o que quer dizer com "um mero &c"??? Será que quis significar "... & companhia"? Quis concerteza.
Maria
De Bic Laranja a 3 de Setembro de 2012
Intercalei dois parêntesis no que escrevera antes por maior rigor:
[...] não é acção do sujeito (na redacção do jornal). O pronome reflexo funciona como partícula apassivante tornando o sujeito da acção (na redacção do jornal) um mero agente da passiva: o moço de forcado não age deliberadamente paralisando-se; ele é vítima duma acção cometida por um sujeito omisso na frase, o toiro. Ou o destino.
Cumpts.
De [s.n.] a 4 de Setembro de 2012
Compreendi perfeitìssimamente o que escreveu na sua resposta mais longa. A minha pergunta referia-se tão só - na sua resposta de duas linhas, sendo esta aliás um pequeno extracto da maior - ao fim desta frase "... tornando o sujeito da acção (na redacção do jornal) ume mero &c". Foi este final "um(e?) mero &c", que me fez confusão. Nothing else:)
Maria

p.s.: E a propósito, onde está o meu comentário correctivo à frase "estava separada (e não 'divorciada', como por lapso escrevi) havia três anos"? É que eu verifiquei que apareceu nos comentários e agora não o vejo por aqui... Levou sumiço, mas não tem importância de maior.

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