14 comentários:
De Bic Laranja a 10 de Setembro de 2012
Que elementos lhe escapam? Posso estar eu enganado...

Sempre lhe adianto, depreendendo que me esteja a dizer que, como o enunciado (a notícia) vem em discurso directo, o «haver três anos» se possa referir ao tempo do enunciado e não da separação (da acção).
Eu analiso a notícia simplesmente como ela está redigida e a redacção vem com os verbos das orações principal e copulativa no passado:

«Deolinda Devesa também era docente e estava separada do marido havia três anos (quando foi atingida com cinco tiros).»

A subtileza que sugere (tempo do enunciado) choca com a senhora já não viver nessa altura (a condição de separada é só enquanto viva, suponho). Outra subtileza para justificar a incoerência de tempos seria forjar um presente histórico implícito, mas tal só forçando o enunciado:
«Deolinda Devesa também era docente e estava está separada do marido três anos (quando é atingida com cinco tiros).»

Parece-me forçar demais. Não há marcas deícticas nem mais nem menos subtis. Para justificar «há» por «havia» mais fàcilmente cola o argumento do uso dos melhores autores para legitimar o erro. E isso dou de bandeja.
Estou enganado?
Cumpts. :)
De CSJ a 11 de Setembro de 2012
Nunca me pareceu que estivesse enganado no caso concreto. O meu comentário é mais geral.Muitas vezes as circunstâncias externas do discurso são determinantes para certas escolhas, embora não sejam evidentes. E quanto a mim, é mais importante a análise e a confrontação dos diferentes pontos de vista do que a afirmação de quem tem razão ou de quem está errado. Isso permite-nos compreender melhor o mundo de que todos fazemos parte.
Acresce dizer que gosto de ler os seus comentários.

De Bic Laranja a 11 de Setembro de 2012
Em geral sim, vale o que diz. Acho que nenhum enunciado é imune às circunstâncias -- olhe o caso dos jornais!
É saudável não fazer de tudo uma competição, também, sim.
Obrigado pelo seu apreço.

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