14 comentários:
De Sc a 11 de Setembro de 2012
Caro Bico Laranja,

Se está em Camilo e em Eça e em... quer apenas dizer que a construção está legitimada e, mais do que isso, "especializada". Quando é assim, não devemos dizer "erro!" mas anotar que esse uso também é correcto. Quem faz a gramática é o povo e são os grandes génios. Se ambos coincidem... contradizê-los faz-nos cair a nós num vício gramatical denominado "preciosismo" que, de tão correcto querer ser, acaba por ser, muito francamente falando, mau português.
E, se virmos bem, até pode haver distinções subtis, as tais "especializações" que referia. Queira verificar aqui: http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ha-e-havia-uma-questao-de-aspecto.jhtm
Fui ver todos os "links" que indicou. No livro de Menezes e no loc. cit. há é um caso desagradável de endorreia.
De SC a 11 de Setembro de 2012
Assim, no exemplo que apontava em 2010 (« Era o tipo de violência que se vinha verificando em Portugal há [havia] décadas e cuja supressão há [havia] muito constituía a principal missão do Exército.») parece-me que devia estar antes:
« Era o tipo de violência que se verificava* em Portugal havia (durava desde há) decénios* e cuja supressão há (desde que começara até ao momento de que o narrador fala, embora também não ofendesse o havia, tenho de confessar) muito constituía a principal missão do Exército.»
* alterado para mais "correcto" ou preciso.

A questão é que ninguém ensina. No caso do comentador, muita coisa foi aprendida em casa, apesar de ter tido uma educação formal de boa qualidade e de leituras que englobaram muita «Série Régia» e muitos Sá da Costa. Os erros que evita foram-lhe explicados ocasionalmente em criança e adolescente. O importante é ler. Se lemos, não escrevemos calinadas e se os erros cometidos são já da esfera da curiosidade ou geram controvérsia entre autores, não é mau sinal...
De Bic Laranja a 11 de Setembro de 2012
Sem desprimor do seu juízo, o tempo do narrador não é chamado à narrativa no segundo «há». Principalmente se constituía a principal missão do Exército. O imperfeito, mesmo não dando a acção como acabada, também a não prolonga até ao presente.
Não nego que o uso de «há» se sobreponha crescentemente em todo e qualquer caso. Prova disso é a falta de nexo destas locuções não ferirem já o ouvido a muitos -- como fere agora cada vez menos a locução «houveram coisas». -- Tenho eu ouvidos aracaizantes, pois...
Cumpts.
De Bico Laranja a 11 de Setembro de 2012
Segui a remissão que me deixou e a única distinção (nada) subtil que se lá menciona é a da justificação de «há» por «havia» com o tempo do enunciado; já aqui ffoi falado. Mais afirmativamente, há-de ter notado, o artigo corrobora o sobretudo o «preciosismo» ante a (aqui descoberta) correcção dos clássicos.
Eis-me pois cá. Eu precioso e o(a) jornalista(o?), afinal, estribado(a) aos clássicos. Sabê-lo-á o(a) dito(a)?
Passo a endorreia. É assunto dos trópicos, não meu.
Grato pelo seu comentário. :)

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