7 comentários:
De Agostinho Paiva Sobreira a 15 de Outubro de 2012
Caro BicLaranja. Fiquei maravilhado com estas imagens. Fez-me recuar uns bons anos. No tempo em que eu ia jogar futebol aos campos da Estrada de Chelas, e outro mais acima chamado do "Lérias". Bons tempos!Se me permite, posso acrecentar um pouco de comentário à foto: Subindo a Rua que nos fica à direita (Calçada do Grilo) até á bifurcação e virando um pouco para a esquerda(sentido Bairro da Madre de Deus), o segundo edifício com ringue de parinagem na parte de trás, era o «ATENEU DA MADRE DE DEUS». Passando para o lado esquerdo da foto na parte inferior podemos ver metade do início do túnel da CP no sentido para Chelas. Andando para a direita (sempre na parte sul) vamos encontrar vestígios do «FORTE DE S. FRANCISCO», mesmo ao lado da antiga «FÁBRICA DAS VARANDAS». Ainda no lado esquerdo da foto podemos ver a «RUA GUALDIM PAIS» que no seu lado direito apresenta a »VILA EMÍLIA» (ainda resistente) e no seu lado esquerdo a extinta «TINTURARIA PORTUGÁLIA». Logo a seguir ainda existia o «PÁTIO JOSÉ INGLÊS». Deixando a «RUA GUALDIM PAIS» subindo em direcção ao «BAIRRO DA MADRE DE DEUS», podemos ver nitídamente lugares que eu conhecia bem (1953), chamavam-lhe a "ILHA", que fazia fronteira com o «BMDEUS» na parte sul. E mais não digo para outros poderem comentar. Um abraço. APS
De Bic Laranja a 16 de Outubro de 2012
Boa vista. Passou-me o túnel da Bruxa. O forte de S. Francisco bem me lembrou um forte, sim, mas pelo desarranjo nem passei de fugaz ideia a conjectura mais sólida...
A tinturaria. A designação que me faltava e por isso me vali da ancestral «fabrica das chitas» para apontar o local entre a Estr. de Chelas e a Gualdim Paes.
O pátio do inglês foi arrasado (como quase todo o troço da Estr. de Chelas da Amorosa à Gualdim Paes).
Boas achegas, obrigado.
Cumpts.
De tron a 22 de Outubro de 2012
Como era Lisboa e como está agora
De Bic Laranja a 23 de Outubro de 2012
Pois é.
Cumpts.
De Madalena S F a 13 de Outubro de 2017
Já lá vai algum tempo mas mencionou aqui a Quinta dos Poiais Vermelhos. Sabe dizer-me alguma coisa sobre essa quinta, onde encontrou o registo dela e tb onde poderei pesquisar algo? Fico muito agradecida desde já. Culpto
De Bic Laranja a 14 de Outubro de 2017

A quinta dos Poiais Vermelhos vem mencionada sumàriamente em Ralph Delgado n' A Antiga Freguesia dos Olivais (Grupo Amigos de Lisboa, Lisboa, 1969, p. 27), referida à Estrada de Sacavém, como um dos lugares e propriedades principais. — Erradamente vem ali impressa como Quinta dos Goiais Vermelhos, por gralha tipográfica ou erro de leitura do A. dalguma das plantas 12 N ou 12 O do Levantamento da Planta de Lisboa: 1904-1911, (C.M.L., Arquivo Municipal, Lisboa, 2005), onde achamos uma representação a quinta.

Segundo as ditas plantas 12 N, 12 O e 12 P, confrontava esta quinta a
— N com a Azinhaga e Quinta das Therezinhas (Colégio Suzanna de Valsassina);
— S com a quintas do Polão e da Ferradura;
— E com as quintas dos Alfaiates (ou Alfaiatas), da Bella Vista e Nova da Bella Vista;
— O com a Estr. de Sacavém (Av. do Aeroporto), com as quintas da Fonte Coberta, da Noiva, da Fronteira (Av. E.U.A. x Av. Gago do Aeroporto) e de Santa Cruz ou da Montanha.

Uma descrição desta quinta acha-se num anúncio de venda na Gazeta de Lisboa, n.º 10, de 12 de Janeiro de 1824, a pp. 39:
Vende-se a Quinta dos Poiaes Vermelhos, sita na estrada real que vai de Arroios á Portella, N.º 430, e consta de 3 grandes hortas com seus poços de nora, e tanques, olivaes em terras de semeadura, e vinha que dá para cima de 40 pipas de vinho, parreiras, e arvores de fruta; e tem boas casas nobres, com Capella, adêga, lagar e muitas casas para todas as precisas accommodações, cocheira, e cavalharices, he livre de foro : quem a quizer comprar, falle com seu dono que mora na mesma quinta.

O anúncio não identifica o dono da quinta, mas acha-se no Arquivo Municipal notícia dum certo dr. José Joaquim da Costa, em 9 de Junho de 1787, como sendo ou representando o proprietário dumas quintas aos Poiais Vermelhos, [as quais] pretende murar pela parte que confina com a estrada pública que vai desta cidade para Sacavém, e que foi embargada a obra (Arq. Hist. Mun. de Lisboa, Administração, Livro de cordeamentos de 1760-1789, fs. 401 a 412v.)

O Alto da Bella Vista, onde se tem realizado o Rock In Rio de Lisboa, fica no perímetro que foi desta quinta. As boas casas nobres, com Capella e restantes accommodações que foram dela eram pelo actual n.º 80 da Av. do Aeroporto (pouco mais ou menos a par da Quinta de Santo António, que lhe ficava — e ainda lá está hoje com o nº 81 — no lado oposto da estrada); as hortas, mai-los poços e tanques do anúncio da Gazeta de Janeiro de 1824 abrangeriam uma correnteza dos actuais n.ºs 70-98 da Av. do Aeroporto.

João M.ª Baptista e João Justino Baptista de Oliveira, na Chrographia Moderna do Reino de Portugal (vol. IV, Lisboa, 1874, p. 742), mencionam de raspão esta quinta na parte referente ao Concelho e Freguesia dos Olivaes.

Fica para outra oportunidade a consulta à Corografia Portugueza do Padre Ant.º Carvalho da Costa. Pode ser que lá diga o nome do dono e a invocação da capela.

Cumpts. :)
De Madalena S F a 14 de Outubro de 2017
Estou muitissimo agradecida pela sua resposta, tão completa. Nada diz que tenha ligação, como eu tinha alguma esperança, a um antepassado meu (não directo e não da nobreza)) que em 1814 era proprietário desta quinta, mas talvez com os dados que já me adiantou, poderei avançar com mais pesquisas. Não quero maçar ninguém, e por isso o informo que o que me move e a outros familiares, é um interesse comum e uma forte curiosidade "geneológica", por saber o que foram e faziam os meus antepassado. Mais uma vez muito obrigada.
Cumprimentos

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