De Costa a 10 de Março de 2013
Poderei estar a ser injusto e a esquecer o princípio de que se deve dar sempre, à outra parte num diferendo, a oportunidade de salvar a face e de corrigir a sua posição sem ter que admitir expressamente que errou (como se reconhecer um erro fosse humilhante e não um gesto de nobreza...), mas, vejamos, porque alterou a Câmara Municipal das Caldas da Rainha a sua posição?

Por constatar que o AO90 de facto não vigora na ordem jurídica portuguesa - já que uma resolução não revoga um decreto-lei (coisa que um mediano aluno do primeiro ano de Direito saberá, para vergonha dos batalhões de juristas entre governantes, deputados e, como agora se diz, "fazedores de opinião") - e portanto não faz sequer o menor sentido chamar "antigo acordo ortográfico" ao que de facto tem entre nós força de lei?

Por entender que o AO90 é, como tão largamente demonstrado, indefensável no plano científico e que, além e antes disso, a língua de uma nação é demasiado importante como seu factor de identidade, de alicerce histórico, para ser deixada às mãos de lunáticos que confessam agir guiados por inalcançáveis (e indesejáveis) objectivos de uniformização e interesses políticos descaradamente prejudiciais para Portugal?

Nada disso. O regresso à ortografia que nunca deixou de ser a vigente faz-se porque a maioria dos P.A.L.O.P . ainda (ainda, note-se) não adoptou o AO90 . Ou seja a tirania dos números não só não é questionada como a ela se professa submissão.

É de facto triste ler os editoriais do Jornal de Angola, arrasando Portugal com a vingativa arrogância do ex-colonizado que se vê na mó de cima perante o ex-colonizador, escritos num português irrepreensível, culto, orgulhoso como por cá vai sendo raro encontrar.

Como triste é encontrar em Portugal quem, afinal, se preste a abastardar o seu idioma se o simples argumento aritmético, de milhões de gente essencialmente inculta, assim o ditar. Porque esse é também um argumento dos acorditas.

Invoquem-no, esse argumento, a um inglês, um francês ou um espanhol (um castelhano, seja) e verão qual a resposta...

Registo a decisão da Câmara das Caldas. Mas não a posso em consciência, e pela argumentação invocada (pois nada tem de respeito pela língua portuguesa), festejar.

Costa
De Bic Laranja a 29 de Março de 2013
Em bom rigor, os argumentos não são os mais sólidos, é verdade. São os mesmos que deu a Câmara da Covilhã e, em relação ao descaso jurídico e moral que é o caco gráfico, são mais do que bastantes. Mais do que os argumentos, regista-se o regresso à boa ordem. É mais significativo deste episódio. Aguardemos que mais se sigam.
Cumpts.
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