11 comentários:
De mujahedin a 30 de Abril de 2013
Cara Maria,

sabe, eu não vi nada disso.

Não vivi o suficiente para conhecer outra coisa que não fosse a bandalheira. Quando nasci, já o FMI cá tinha vindo duas vezes em democracia. Oferece-se-me agora a oportunidade de testemunhar a terceira.
Não sendo republicano - nunca fui nem deixei de ser - também não sou saudosista: penso que até para um português, lhe é difícil ter saudades do que nunca teve, viu ou sentiu. Também não sou fascista - nunca conheci nenhum, nem nisso fui doutrinado.
Não sou rico, nem rico nasci. E apesar do sacrifício que fizeram meus pais para me prover com o necessário para que pudesse ganhar a vida - o que faço confortavelmente; tive, não obstante, que abandonar o país que me viu nascer e apartar-me dos que amo e estimo. Não sou, portanto, nem aristocrata nem burguês nem capitalista, nem o são meus pais, nem o eram meus avós.

Enfim, o que afirmo, afirmo-o partindo do que observo hoje em dia e da contraposição que faço dessas observações com os registos e elementos históricos que vou conhecendo, lendo e compreendendo. Limito-me a objectivamente extrair dessas comparações as conclusões que me parecem correctas e avisadas.
E as conclusões são por demais evidentes: do que se diz sobre esse regime e, sobretudo, sobre os que à cabeça lhe estavam e assim guiavam o país é em uma medida, ignorância papagueada; e em outra, calúnia infamante.
Por mais defeitos que tivessem - e que ínfimos parecem! comparados com os que quase caricaturalmente exibe quem, para nossa desgraça, hoje nos desgoverna - as suas obras são mais que suficientes para lhos eclipsarem, e para lhes fornecer (aos defeitos) a discreta irrelevância. Já das qualidades, há uma que brilha mais que todas as outras e que se não encontra no teatro de revista que é a hodierna política nacional: a honestidade. Tanta falta nos faz, e tão raro é hoje esse singular atributo do carácter na vida pública, que é suficiente a sua posse para tornar o proprietário digno do maior respeito e consideração.

Assim sendo, não sou fascista, nem saudosista, nem bolorento, nem burguês, nem capitalista, nem republicano. Sou apenas português. E como tal, não deixarei sem resposta os que, seja por que motivo fôr, vilipendiem aqueles a quem devo a réstia de dignidade ainda tenuamente associada a esse atributo de nacionalidade!

Não sei qual das desgraças a maior: se ver um país que progride e se desenvolve, devagar mas seguramente, mergulhar na desordem e na miséria moral e económica; se nesse estado de coisas nascer e nunca outra coisa ter conhecido por realidade...
De [s.n.] a 30 de Abril de 2013
Esta é a terceira vez que tento enviar um comentário em resposta ao seu comentário, mas por qualquer motivo têm-me fugido.

Que excelente pedaço de prosa. Muitos parabéns.
Tem graça, os seus sensatos e coerentes comentários (e justíssimos, ademais) relativos ao Estado Novo e ao seu Governante máximo, que não perco, faziam-me crer ser uma pessoa pelo menos já chegada à idade adulta no fim do Estado Novo. Mas vejo que não. Este facto só o enobrece por ser um português bem criado (isto é, bem educado pelos seus próximos) e sobretudo traduz as qualidades que identificam um verdadeiro patriota.

Mas voltarei ao assunto assim que o tema o justifique. Tenho alguma matéria que posso aqui descrever, em que é completamente impossível não elogiar o Estado Novo e não desacreditar em absoluto este regime de bandoleiros que somos infelizmente obrigados a suportar.
Maria

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