7 comentários:
De Helena Aguas a 13 de Junho de 2013
eheheh muuito bom
De Bic Laranja a 13 de Junho de 2013
Camillo é todo elle assim.
Cumpts. :)
De mujahedin a 13 de Junho de 2013
Estou a acabar de o ler, no original, obtido no Projecto Gutenberg.

Ando numa tirada camiliana:

'O que fazem as mulheres', 'Novellas do Minho' e agora 'A Filha do Arcediago'. A neta já está à espera... :)

De todas as personagens deste em particular, a que gosto mais é a D. Angelica, beata irmã do sr. António José da Silva.
O que me eu rio com o discurso da pobre senhora, sempre atazanada pelo medo do barzabum e suas tentações malignas, descortinando o peccado nas suas mais subtis manifestações!

A passagem em que a senhora visita Maria Elisa e Rosa, em casa de já não sei qual delas, e Maria Elisa lhe dá para se dirigir à beata em "alto estylo", fazendo-lhe crer que está em presença de uma douda, tais são os "latinórios" com se exprime.

É prodigioso o vocabulário de Camillo. Se não tivesse um dicionário sempre à mão (à tecla, para melhor dizer), escapavam-se-me uma data de preciosidades...


De Bic Laranja a 13 de Junho de 2013
A camiliana está na Amazon (Kindle), nos e-Books do iPad, no Archive.org (.pdf), é como se queira, e para gáudio geral.

D.ª Angelica incarna bem a velha palermice beata que parecia que dava saltinhos como uma franga de azas cortadas. Camillo devia ter um gozo formidável em escarnecer das personagens (ou do mundo em redor de si). Era sublime. A scena do annúncio do casamento do sr. Silva com Rosa é um primor de ironia contra a ingenuidade chico esperta de certo povo, com o papelão do visinho João Pereira, do chinó...

A Neta do Arcediago enrola um pedaço lá para o último terço, mas a penna de Camillo vale sempre a pena.

É prodigioso o lexico de Camillo, sem dúvida. Ajuda ler-se munido de diccionario, quando não perdem-se ricos nacos de litteratura. Mas não é só o lexico. Em Camillo, cuido, o melhor instrumento de caracterização das personagens é a sua (das personagens) linguagem em discurso directo. Só a habilidade de captar e reproduzir o falar das gentes, os trejeitos e niveis de linguagem, e fustigar por meio d' ella a sociedade de alto a baixo é um outro prodígio.

Mais prodigioso ainda, que me lembre agora, só o eduquês sumir com o estudo de Camillo Castello Branco dos programas de ensino.

Cumpts.
De Bic Laranja a 13 de Junho de 2013
Outra graça deste naco aqui transcripto é que o interlocutor de quem descreve Ana do Carmo é o próprio marido que o arcediago lhe arranjou.
Cumpts.
De mujahedin a 14 de Junho de 2013
Em Camillo, cuido, o melhor instrumento de caracterização das personagens é a sua (das personagens) linguagem em discurso directo. Só a habilidade de captar e reproduzir o falar das gentes, os trejeitos e niveis de linguagem, e fustigar por meio d' ella a sociedade de alto a baixo é um outro prodígio.

Cuida V. e cuido eu. É o que mais gosto n'ele! Deliciam-me todos os diálogos e monólogos, e não é raro arrancarem-me sonoras gargalhadas!
Envergonho-me de dizer que desconhecia a obra camiliana. Li a obra da praxe decerto, mas foi já há alguns anos e quando ainda não tinha apurada a sensibilidade para o que mais me dá prazer em lê-lo agora.

Terá sido pelo melhor, pois agora, como bem diz o meu caro amigo, há toda uma abundância de Camillo, disponível em linha, para que uma pessoa se possa dele refastelar, ainda por cima na comodidade de o ler num aparelho como o Kindle.

Pois é isso mesmo que tenho eu feito! :)


PS: A propósito do trecho citado, o arcediago viu-se num belo aperto com a conversa do francez com o padre que só tinha ido apurar se São Tiago teria vindo a Portugal ou não. Cara lhe saiu ao arcediago a curiosidade do padre...
De Bic Laranja a 15 de Junho de 2013
Muito a calhar ao romance. O padre de aldêa conhecia de gingeira o arcediago de Barroso...
Cumpts.

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