Segunda-feira, 4 de Maio de 2020

A Quinta do Bacalhau

Panorâmica da Penha de França para Norte, Lisboa (J.A.L. Bárcia, c. 1909)
Panorâmica da Penha de França para Norte, Lisboa, c. 1909.
Fototipia animada dum or. de José Arthur Leitão Barcia, in archivo photographico da C.M.L.


 Quando publiquei a da Quinta do Bacalhau conjecturou-a a benévola leitora Mandarinia para os lados das Olaias. Estava em boa medida, certa; a quinta do Bacalhau, cuja história antiga não curei ainda de saber, estendia-se para a proximidade da Quinta das Olaias. Aliás, se gente ainda há com memória da Quinta do Bacalhau, será por esses lados além do Alto do Pina, pelas costas da Rua Barão de Sabrosa e da Az. da Fonte do Louro. Nas bandas da Encosta das Olaias, portanto. Mas a Quinta do Bacalhau descia até à beira da Estrada de Sacavém, caminho de hortas e retiros que, saindo do Largo de Arroios levava ao Arieiro e prosseguia até ao seu anunciado destino pela Portela e Encarnação (ponto geográfico no nó de estradas designado depois por Rotunda da Encarnação e hoje mais por nó do Prior Velho, também dito do RALIS).
 Não sei se da parca legenda inscrita na panorâmica se conseguirá quadrar com o presente o que se via aí há mais de 100 anos. Nem sei se ajudarão essoutras duas a seguir, dos anos 30, em que se acha casa. A primeira é uma vista aérea de sobre o Colégio Vasco da Gama, hoje do Sagrado Coração de Maria; a segunda é tirada das terraplenagens da Alameda D. Afonso Henriques, apontando à Rua Actor Isidoro, em embrião. Desafio o benévolo leitor a descobrir nelas a casa da Quinta do Bacalhau e a mudança que se deu nesta parte da cidade.

Vista aérea sobre a Rua Perreira Carrilho, Az. das Freiras a Arroios, Inst. Sup. Técnico, futura Alameda e quintas do Areeiro, Lisboa (J.P.P. Corrêa, Pil.-Av., c. 1934)
Vista aérea sobre a R. Pereira Carrilho, Az. das Freiras a Arroios, Inst. Sup. Técnico, R. Alves Torgo, futura Alameda e quintas do Areeiro, Lisboa, c. 1934.
José Pedro Pinheiro Corrêa, Pil.-Av., in archivo photographico da C.M.L.

Terreplenagens na Alameda, Lisboa (E. Portugal, 1939)
Terreplenagens na Alameda, Lisboa, 1939.
Eduardo Portugal, in archivo photographico da C.M.L.


 Últimas notas:
 Tomo a casa do 256 da Estrada de Sacavém como a principal da Quinta do Bacalhau. Bem o parece, mas não sei se foi inteiramente assim, pois havia outra casa grande no coração desta quinta. Vê-se-a pela metade na margem direita da panorâmica, a 2/3 da altura. Ela sobressai numa elevação natural, no justo lugar onde em 1921 se construiu a Creche do Alto do Pina, hoje Casa dos Plátanos.
 Uma descrição mais completa da panorâmica lá em cima escrevi eu há pedaço tempo aqui.

Escrito com Bic Laranja às 17:54
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8 comentários:
De [s.n.] a 5 de Maio de 2020
Fora do tema.

Já viu a homenagem que lhe foi feita pelo autor do Eternas Saudades do Futuro?
Eis um Blogo de que tanto gosto, só tenho uma critica a fazer ao seu autor (depois de há muito ele ter retirado o seu nome, já me esqueci dele), não admitir comentários. Houve tempos em que isso era possível..., infelizmente acabaram. E foi muita pena.
Maria
De Bic Laranja a 5 de Maio de 2020
Vi há dias e ainda lhe nem agradeci. Supro agora a falta em estou, agradecendo aqui ao Confrade João Marchante a enorme generosidade e carinho que sempre manifesta para Com este blogo. Muito maior do que realmente mereço.
Muito obrigado!
De Mandarinia a 6 de Maio de 2020
Caro Bic,

A casa tem seis janelas (que me parecem ser de guilhotina) e duas colunas brancas à frente? Será? É que mudanças mais drásticas na paisagem deverá ser difícil encontrar.
Graças a si fui seguindo as ligações e pude ver essa Lisboa de que (quase) já não há memória. O texto da Lisboa dos antigos retiros pareceu-me tão bonito. Que pena o livro já não estar à venda.

Com os melhores cumprimentos
De Bic Laranja a 6 de Maio de 2020
Sim. Mas a casa tem 7 janelas. Uma está encoberta, à direita. As «colunas» são simples pilastras.
A ordem de 7 janelas é marca de casa nobre.
Essa Lisboa é só uma saudade.
O livro ė raridade de alfarrabista. O meu ficou-me por perto de 50€, e traz marcas de bicho. Mas o texto está inteiro e é um regalo.

Cumpts.😃
De Mário Cruz a 11 de Maio de 2020
A casa assinalada parece ser a que está na foto do arquivo da CML
Abertura da rua Actor Vale, ligação com a rua Carvalho Araújo
Data(s): 1944-11
Dimensão e suporte:
Dimensão: 10 x 15 cm
Suporte: Negativo de gelatina e prata em vidro
Dimensão: 10 x 15 cm
Suporte: Prova em papel de revelação baritado
Autor(es):
Portugal, Eduardo. 1900-1958, fotógrafo e colecionador
Condições de reprodução: Direitos reservados para efeito de publicação, exposição e utilização comercial.
Cota(s): EDP000693
A5890
N5446
De [s.n.] a 14 de Maio de 2020
Fotografias de Eduardo Portugal 1944
Não parece ser essa casa, esta tem janelas quadradas em dois andares.
Essa fotografia foi tomada à entrada da Rua Actor Vale do lado do Largo Mendonça e Costa, o prédio do lado direito com a porta alta e estreita encimada em triângulo ainda lá está com o nº.8, e a casa ficava atravessada no meio da Rua quase em frente do local da actual Escola Primária.
Tanto essa fotografia como outra, da Rua Actor Joaquim de Almeida, são referenciadas sendo da abertura da Rua Actor Vale com, erradamente, a Rua Carvalho Araújo.
A Rua Carvalho Araújo também começa junto ao Largo Mendonça e Costa e é em parte paralela à Rua Actor Vale.
De Bic Laranja a 15 de Maio de 2020
Tem razão. A Rua Actor Vale está bem, a Carvalho Araújo não. O arquivista cuidou talvez estar a casa na posição da Rua Actor Joaquim de Almeida, que liga entre a Carvalho a Araújo à Actor Vale. A casa ficava mais a Sul, na embocadura da parte nova (prolongamento) da Rua Actor Vale. Aliás, é notório esta serventia (Actor Vale) ter sido rasgada em dois tempos: os primeiros números a partir do Largo Mendonça e Costa são gaioleiros dos anos 20-30; o prolongamento é construção em betão no estilo Português Suave dos anos 40-50.
Cumpts.
De Bic Laranja a 15 de Maio de 2020
Meu caro Mário,

(Lembras-te dum Costa e dum Magno e dum Basílio e dum mais um ou dois maduros…? Quem te responde é um desses.)

Pois parece, mas não. A casa da Quinta do Bacalhau tinha pilastras, essa que dizes não tem. Aquela tinha uma ordem de 7 janelas simétricas 1+1+3+1+1, e a que dizes tem 6 janelas sincopadas no alçado S. Aquela era na Estrada de Sacavém, a que dizes era na Az. do Areeiro, c. de meio km a SE.

A da imagem de Eduardo Portugal era a casa da Quinta da Saúde que confrontadva a N com a quinta da Ladeira ou so Sabido, a Sul com a Quinta do Manoel dos Passarinhos (actual L. Mendonça e Costa) e a Poente com a dita Az. do Areeiro (actual R. Carvalho Araújo) e a Nascente (desculpa a falta de rigor) com os barrancos da Barão de Sabrosa.

Esta que dizes por pouco se não via à esq. da legenda da Az. do Areeiro na panorâmica colorida.

Deixo-te mais uma planta, talvez dos anos 1920; a casa da fotografia de Eduardo Portugal vê-se desenhada à esquerda.

Vai daqui um abraço.

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