Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2016

Ainda a 1.ª Circular

«Segunda Circular», 24 Horas,  08/VII/1998 
 Contrariando a insciencia geral e a falsa conjectura de Pedro A. Santos sôbre o nome da 2.ª Circular em particular, esclareci há dias por cá eu o que pude do caso. Não imaginava era vir tarde. O Dept.º de Contôlo de Trafego da C.M.L. há mais de [quase] 20 annos o esclareceu e explicou a um leitor do extincto diario 24 Horas. E com admiravel entendimento de causa.
 Registo que da 2.ª Circular os serviços do municipio soubessem já em 1998 do século passado que era uma avenida — Marechal Craveiro Lopes de seu nome. — Descuraram foi esse nome ser só metade... isto é, ¼ de circular, justamente o trôço do Campo Grande ao Relogio, que d'elle ao marco 0 da auto-estrada n.º 1 a dicta avenida é radial. Por dizer ficou a outra metade, o trôço dicto do General Norton de Mattos, do Campo Grande a Benfica e à Buraca, quiçá por vergonha de ser toponimo postiço a esconder o original, do Marechal Carmona, supprimido por «necessidade de eliminação dos nomes afrontosos para a população, pela sua última ligação ao antigo regime» (Edital 161/74, de 30 de Dezembro).
 Pormenores que não interessam.
 Não obstante a confusão de radial com circular e de circular inteira com metade ou ¼ d'ella (ou por môr d'isso tudo)  lá aventaram de sciencia certa (ou de certa sciencia) na resposta ao indagante leitor do jornal  o conceito de que tinham, a final, vaga noção, exemplificando, não nunca com a circumvallação de 1852 como Pedro A. Santos (seria estulto esperar tal conhecimento da Historia da cidade na Camara), mas com uma amálgama da 3.ª circular do plano De Groer (de que fizeram segrêdo e baralharam a sequência) com a Av. Central de Chellas (quereriam em vez dizer Estr. de Chellas e R. Gualdim Paes, mas que importa), no que demonstraram sem espantar a sua idéa duma 1.ª Circular que, no entanto, nunca «pegou».
 
Pudera!

E a 2.ª

 Tornaram hontem ou antehontem as trombetas noticiosas com a propaganda à idéa fixa da vereação municipal para a 2.ª Circular.
 Conheço a predilecção do pessoal politico d'estes valhacoutos municipaes pelo cimento e pelo alcatrão. Mas, como é negócio que anda deprimido, cheira-me que se propuseram agora aquelles em desbravar novos mercados; como flôres dão pouco (mas já se viu como destruiram os brasões da Praça do Imperio para opportunamente contratarem nova jardinagem politicamente mais correcta) e, como massacrar o arvoredo dos jardins e avenidas da cidade são migalhas que mal pagam a pateada que os votantes alfacinhas hão-de dar nas urnas, vemos os tractantes municipaes n'estes dias empenhados em plantar árvores com tanto ardor que scismam até cravá-las entre alcatrão e cimento; a 2.ª Circular, se não acabar numa Amazónia dos pequeninos há-de vir ser a Floresta Negra de Entre-Monsanto-e-Aeroporto.
 Perdão! Floresta Marechal Craveiro Lopes.

2.ª Circular à Az. das Galhardas, Telheiras (A Goulart, 1961)
Segunda Circular à Az. das Galhardas e a floresta autoctone, Lisboa, 1961.
Arthur Goulart, in archivo photographico da C.M.L.

 

(O recorte do 24 Horas devo-o ao estimado Plúvio.)

(Revisto.)

Escrito com Bic Laranja às 14:05
Verbete | comentar
8 comentários:
De PiErre a 28 de Janeiro de 2016 às 18:43
Fiquei a saber o mesmo, ou seja: nada.
De Bic Laranja a 28 de Janeiro de 2016 às 19:29
Obrigado!
De Bic Laranja a 28 de Janeiro de 2016 às 19:31
Mas diga. Que não percebe?
Cumpts.
De xpto a 28 de Janeiro de 2016 às 21:14
A Primeira Circular:
Dona Maria Pia, Campolide, Marquês de Fronteira, Duque de Ávila, Pereira Carrilho, Morais Soares, Afonso III

Cést ça dit par qui, très bien, le savait.
De xpto a 28 de Janeiro de 2016 às 21:16
No início do Séc XX
De [s.n.] a 3 de Fevereiro de 2016 às 01:10
Esta moradia ainda existe a meio da 2ª. Circular, mas com mais um piso, acrescentado há muitos anos. Está ali de pedra e cal, literalmente. Sempre achei estranho não a terem deitado a baixo, já que todas as habitações e casebres, antes e depois dela, o foram há muitos, muitos anos. E sempre achei igualmente que não sendo especialmente bonitas as suas linhas exteriores, é no entanto de estrutura aparentemente bastante sólida.
Maria

Nota: Depois do 25/4 esteve a precisar de obras durante muitos anos. A fachada foi-se deteriorando e até cheguei a pensar ter o destino traçado, o camartelo. Por certo que terá sido impedido pelos seus proprietários. Há uma década, mais ou menos, foi finalmente reabilitada e nela creio ter ficado instalada ou uma Associação ou uma Habitação para idosos ou uma Escolinha.
De Bic Laranja a 4 de Fevereiro de 2016 às 21:37
É uma casa castiça. Deve ter para cima de 100 annos e resistir ali até hoje é um feito galhardo. Mas lá está, encravada entre a Circular, o bairro social da Quinta(?) dos Barros, e ligação à Circular que lhe corre nas traseiras.
A serventia primitiva passava-lhe deante e ainda se a lá acha um trocozinho; ligava a Palma a Telheiras; chama-se a Az. das Galhardas — nem de propósito!...
Cumpts.
De Bic Laranja a 4 de Fevereiro de 2016 às 21:53
Quinta da Calçada e não dos Barros.
A casa era a escola das Telheiras, cujo sítio era dali até ao convento atrás da Escola Alemã e não mais. Hoje é que pegam com o Lumiar.
Cumpts.

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