23 comentários:
De Valdemar Silva a 26 de Novembro de 2017
Já Fernão Lopes, na Crónica de D. Fernando, fala de '... carregamentos de vinho no Montijo..', que seria uma póvoa num montículo nas margens do Tejo frente a Aldeia Galega já existente.
De Aldeia Galega há várias conjecturas, desde ser um terreno galego (estéril), desde ter sido doado a cavaleiros gauleses (Gália), desde ter sido povoado inicialmente por Fernando Galego e seus descendentes formarem famílias de apelido Galego/a e desde por via popular ter havido uma estalajadeira de nome Alda, a Galega. Nos finais do século XIX a população não gostava do nome de Aldeia Galega do Ribatejo e como Montijo começou a ter força económica mudou o nome de toda a localidade para Montijo.
Parece que outra, a Aldeia Galega da Merceana que ainda mantém o nome, também tem as mesmas histórias na origem: terrenos estéreis, doação de terrenos a gauleses, povoamento por galegos.
Mas de certo que haverá outras explicações eruditas, lógicas ou populares para a razão de ser do topónimo.
Valdemar Silva
De Bic Laranja a 26 de Novembro de 2017
Muito bem lembrado.
«[…] jaziam mujtas vezes ante a çidade [de Lixboa] quatro çentos e quinhentos navios de carregaçom : e estavom aa carrega no rio de Sacavem e aa ponta do Montijo da parte do Ribatejo sesemta e sateemta navios em cada logar, carregando de sal e de vinhos […]»
(Crónica de D. Fernando, cap I.)
.
Todo o comentário é muito a propósito, aliás.
Obrigado!
De Valdemar Silva a 26 de Novembro de 2017
A mudança para Montijo foi feita em 1930, mas desde finais do século XIX que a população andava descontente com o nome de Aldeia Galega.
Valdemar Silva
De Bic Laranja a 26 de Novembro de 2017
Em Punhete dera-se o mesmo, mas o embaraço ali não era serem galegos.
Não tardará e até o nome portugueses será embaraçoso, porquanto há já de expiar pecados judeus no L. de S. Domingos, o Padre Vieira na Trindade e em breve haverá de expiar, por todos, o comércio negreiro da Idade Moderna.
Cumpts.
De Valdemar Silva a 26 de Novembro de 2017
Sobre o topónimo da Aldeia Galega da Merceana, escreve Guilherme Henriques 'o nome de Aldeia Gallega tão commum em Portugal apenas significa que o terreno em redor não era fértil ou rendoso mas sim terra delgada, charneca ou inculto'.
Não sei se este Guilherme Henriques era Guilherme Henriques de Carvalho antigo Patriarca de Lisboa.
Valdemar Silva
De Bic Laranja a 26 de Novembro de 2017
Onde o leu?
Não tenho o nem o Dicionário Toponímico nem a Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira agora aqui.
Talvez a Internete diga alguma coisa. Vou ver...
Cumpts.
De dh a 26 de Novembro de 2017
Fico a pensar, talvez com muito engano, se o tijo não será Tejo e se a palavra não se terá formado como a dupla Beja/Mombeja. Segundo o texto abaixo, o Mom anterior seria de Monte, a palavra sendo de origem moçárabe (ou seja a população cristã de origem latina que vivia sobre domínio mouro e cujo romance evoluiu de maneira diferente daquele mais a norte).

http://www.acad-ciencias.pt/document-uploads/1675604_azevedo,-maria-luisa-seabra-marques-de---mocarabismo-e-toponimia-em-portugal.pdf

cmpts

De Bic Laranja a 27 de Novembro de 2017
O sufixo é -ijo e não -tijo. É castelhano e corresponde ao português -ilho/-elho; um sufixo de diminuição ou pequenez. Porque se sobrepôs ao vernáculo ali? Cuido que o nome da Aldeia Galega é a melhor explicação.
De Bic Laranja a 27 de Novembro de 2017
O documento da Academia das Sciencias pode ser interessante, mas é ilegível. Está redigido em crioulo ortográfico.
De Valdemar Silva a 26 de Novembro de 2017
Montijo quer dizer pequena elevação, montinho (pequeno monte)
A localidade espanhola de Montijo (Badajoz) fica numa pequena elevação e não passa por lá o rio Tejo.
Em castelhano montinho (pequeno monte) é montijo.
Valdemar Silva
De [s.n.] a 27 de Novembro de 2017
Caro Valdemar

não seria a primeira vez na historia que origens diferentes dão nomes parecidos. (Por exemplo o nome Recarte que parece ter origem em Ricardo ou alguma variante deste, tem origem bastante diferente deste).

Ser verdade que algures em Espanha haja Montijos (o de Badajoz segundo li vinha de Montejo), com origem num diminutivo de Monte, não implica, no entanto, que o nosso tenha que ter essa origem.

Porquê uma terminação castelhana para um nome da margem sul? Ha mais exemplos de lugares afastados da raia onde uma terminação castelhana tenha perdurado? O castelhano nem tão pouco era o dialecto espanhol a mais curta distância do nosso (galaico-português) dado que até Caceres se falava o asturo-leonês.

Ao mesmo tempo também creio conhecida a influência moçarabe na zona a sul do Mondego, assimcerto o exemplo que dou não é o unico de um caso, pelo contrario.

Lamento, mas ainda não me convenceu da sua hipotese nem me desconvenceu da minha!... mas a ver vamos


cumprimentos
De Valdemar Silva a 27 de Novembro de 2017
Tem razão quanto ao castelhano.
Mas, segundo alguns, o povoamento daquele lugar foi feito por camponeses da família de Fernando Galego.

Cumpr.
Valdemar Silva
De Bic Laranja a 27 de Novembro de 2017
Montijo, pela Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, é termo da província do Alentejo que significa montículo em forma de prirâmide cónica. Deriva de monte. Um diminutivo, como parece fácil de entender.
De dh a 27 de Novembro de 2017
Caro bic

essa hipotese compreendo-a bem. Mas é curioso que não haja mais nenhum Montijo então...

Não encontro nenhum no diccionario corographico de Rodrigues Andrade de, 1878

http://purl.pt/13921/4/hg-5407-p_PDF/hg-5407-p_PDF_24-C-R0090/hg-5407-p_0000_capa-capa_t24-C-R0090.pdf

Estoutro diz que Alhos Vedros é de fundação arabe e que Montijo era o nome da zona onde o Tejo ali reentra...

https://archive.org/stream/portugaldiccion00peregoog#page/n223/mode/2up/search/montijo

mas bom...

cmpts
De Bic Laranja a 1 de Dezembro de 2017
A Corografia Portuguesa (V. 3.º) do Pe. Ant.º Carvalho da Costa refere uma quinta do Montijo na freguesia de N. Sr.ª do Amparo de Benfica sem dar precisão do local, mas emparceira-a com outras, a saber, de Rui de Moura, Junqueira, Casal do Mercador, do Pinheiro, do Outeiro e de Alfragide. Pode fazer-se uma vaga ideia do lado de Benfica em que ficaria...
Refere também o Montijo de que aqui tratamos no termo da Aldêa Galega — cuja origem do nome dá a uma lendária Alda Galega, com locanda no sítio; Alberto Pimentel desdi-lo com mero senso comum, aliás.
A lenda, transmittida pelo Padre Carvalho, conta que a primeira locanda que se estabeleceu n'este sitio pertencia a uma gallega, de nome Alda, vindo d’ahi á terra a denominação de Aldagallega.
Eu, sem dar grande valor ao assumpto, pendo a crer que o primitivo nome da povoação não seria Alda, mas Aldea Gallega, talvez por serem da Galliza os primeiros negociantes que se aldearam aqui ; tanto mais que os nossos chorógraphos dizem que, para a differençar da Aldea Gallega da Merceana no concelho de Alemquer, se lhe acres- centou — do Ribatejo.
Ora, se esta villa era Aldagallega não podia confundir-se com a Aldea Gallega da margem direita do Tejo.
E se o complemento possessivo — do Ribatejo — foi necessario, é porque a confusão nascia de haver duas Aldeas Gallegas, uma na margem direita e outra na margem esquerda.
[…]
Os habitantes da villa querem agora chamar-lhe «Aldegallega», como que mostrando-se envergonhados da sua aldea originaria.
(p. 105 e ss.)

Mais Montijos haverá (e dois foram já referidos em baixo), em lugares ermos ou cuja pouca importância não mereceu para referência no Pinho Leal ou outros. As etymologias, por seu lado, não fogem à derivação diminutiva de «monte» e à origem espanhola da forma -ijo.
Do Montijo que tratamos, Camillo, nas Noites de Insomnia, n.º 1, refre-lhe como que em corolário as ostras, «igualmente boas, e igualmente irritantes. Vamos a elas!»
De [s.n.] a 28 de Novembro de 2017
Pelas informações dadas pelos ilustres comentadores e pelo autor do blogo, deduzi que foi a região (então) castelhana Montijo, que creio ter sido e porventura ainda é muito pequena, que deu o título de Duquesa à irmã de Napoleão, não é verdade? Curioso.
De Valdemar Silva a 28 de Novembro de 2017
Não.
A Duquesa Eugénia de Montijo casou com Napoleão III.

Valdemar Silva
De [s.n.] a 28 de Novembro de 2017
Obrigada Valdemar Silva, pela gentil e pronta resposta. Não fui investigar, disse de memória e esta já não é a melhor, aliás nunca foi grande coisa:)
Maria
De nn a 30 de Novembro de 2017
"Altos Montijos" é um nome da toponímia ribatejana. Se não me engano, no Concelho da Golegã, freguesias de Azinhaga ou de Pombalinho.
A ver...
De Valdemar Silva a 30 de Novembro de 2017
Sim.
Rua Alto dos Montijos - Azinhaga (Golegã) e também Rua Alto do Montijo - Oeiras.

Valdemar Silva
De dh a 6 de Dezembro de 2017
O labor de vários faz-me pôr em dúvida a hipótese que antes formulei. Muito obrigado pelos exemplos indicados.

cumprimentos
De dh a 6 de Dezembro de 2017
Mas também não posso deixar de notar que todos menos um dos Montijos de que deram exemplo são montes com vista para o Tejo. Pergunto-me se a quinta do Montijo, "que são três casaes com duas fontes & partem com a freguesia de Carnaxide", não corresponde
ao alto do Montijo, hoje em Oeiras e portanto teria vista para o Tejo

https://www.google.pt/maps/place/Alto+do+Montijo,+2790-045+Carnaxide/@38.7264498,-9.2212572,13z/data=!4m13!1m7!3m6!1s0xd1ecc93028d97df:0xc4e7306ba62bf87c!2sAlto+do+Montijo,+2790-045+Carnaxide!3b1!8m2!3d38.7256689!4d-9.2202961!3m4!1s0xd1ecc93028d97df:0xc4e7306ba62bf87c!8m2!3d38.7256689!4d-9.2202961?dcr=0

peço desculpa pela teimosia...

cumprimentos
De Bic Laranja a 6 de Dezembro de 2017
Nao peça. O seu argumento tem boa razão de ser. Mereceria um estudo para aferir a hipótese.
Cumpts.

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