Sexta-feira, 30 de Outubro de 2015

Av. da República, 55

  Àquele notável comissário de «swaps» ao governo e de bens nacionais aos «swaps» quando secretário de Estado foi ontem cometida a venda do Novo Banco. Tem graça este borboletear porquanto as mariposas «andem» aí, preciosas com coisas que não lembrariam...

  Na Av. da República, 55 há umas casas devolutas, entaipadas ao rés do chão, escaveiradas em todos os andares, desprezadas e abandonadas à ruína pelo(s) senhorio(s) há um ror de anos. Vá lá preceber-se...
  Há ano e meio, pouco mais ou menos, desocuparam os intrusos e emparedaram 2.ª vez a porta de entrada que aqueles haviam desentaipado para se fazerem clandestinamente a umas assoalhadas na Av. da República. Fizeram-no (o emparedamento)  por intimação do município, mas entretanto do buraco que tornou a ser aberto pelos «okupas» não se fez mais caso.
  Há meses gente despeitada (e diz que esbulhada) pelo Novo Banco desabafou ali no sempre «inspirado» estilo da arte urbana. Ora quem tenha memória da célebre frase [com Vossa licença] «Bibi é rabo» grafiteiramente chapada no n.º 48 da Alameda de Dom Afonso Henriques em Lisboa, lembrar-se-á que durou ela ali pelos anos 80 e em boa parte dos 90 até que uma alma caridosa a de lá limpou. Foi pena porque se perdeu um raro exemplar rupestre de incalculável valor do que o município e a própria civilização com aplauso geral vieram, e muito bem, a classificar e a promover como «arte urbana».
  Como uma desgraça nunca vem só e, ao contrário das inclucas de Abril, a liberdade é contingente, o progressivo neobanquês aí está e, na viradeira que o deu, vemos agora o livre grafitismo a escrutínio; vamos lá que — dirão alguns — arte urbana é uma coisa, rabiscos panfletários lesivos do bom-nome particular ou colectivo da fidalguia do burgo é outra — o Correio da Manhã aí está que o diga... — Vai daí o zelo em abafar o estrebuchar arte-urbanístico menor doutros lesados nada fidalgos e do obliterante e definitivo passar ao esquecimento de qualquer memória futura do caso; o que não deixa vestígio nunca existiu, não é verdade?!…

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Av. da República,55, Lisboa, 17/9/2015.

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Av. da República,55, Lisboa, 2/10/2015.

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Av. da República,55, Lisboa, 27/10/2015.

P.S.:  faltou zelo, dir-me-ão os mais atentos, em emparedar o buraco dos «okupas». — Nada é ao acaso. Não temos aí migrantes na calha?...

P.P.S.: e com os migrantes na calha, restaurar o prédio a preceito em lugar de o só emparedar nem seria caridade solidariedadezinha de mais...

Escrito com Bic Laranja às 17:56
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