16 comentários:
De Luís a 28 de Maio de 2015
Portugal praticamente não tem floresta. O que temos são plantações de pinheiros e eucaliptos. É caso único no Ocidente pois até nos EUA cerca de 50% da floresta é pública e nativa. E em Portugal, o que há? A Margaraça, que ocupa apenas uma encosta na serra do Açor, ou a mata da Albergaria, a ocupar uma reduzida percentagem do único Parque Nacional que temos.

Nas nossas serras a floresta nativa traria a necessária protecção aos solos contra a erosão, prevenindo assim a ocorrência de cheias. E uma boa gestão florestal geraria emprego e riqueza.

Não é apenas problema dos arredores de Lisboa. No Alentejo e Algarve quase extinguiram os carvalhos. Na região Centro desnudaram as serras. No Norte houve mais respeito pela floresta mas depois veio o eucalipto, essa praga. As serras algarvias são hoje um mar de estevas.

Faltam também árvores nas bermas das estradas, mas com as «limpezas» as autarquias não as deixam crescer. E nas sebes que dividem os terrenos ou nas galerias rípicolas, a acompanhar os cursos de água.

E por que motivo em Portugal as autarquias não utilizam árvores portuguesas nos jardins, nas cidades? A nossa azinheira é usada em jardins na Irlanda e o nosso Quercus canariensis, árvore nativa da serra de Monchique, está em jardins ingleses. Temos o azevinho, o amieiro, o castanheiro ou o ulmeiro. Há ainda a rainha das árvores do Norte, o carvalho-roble, que dominou a paisagem portuguesa a Norte do sistema montanhoso Sintra-Montejunto-Estrela, estando ainda presente a Sul onde as condições climáticas permitem a sua ocorrência.

Os portugueses não conhecem a sua flora nativa e dedicam-se a espalhar espécies vegetais introduzidas que depois se tornam invasoras e causam prejuízos económicos e ambientais incalculáveis. Renegamos o que é nosso, ansiamos pelo que vem de fora. Isto diz muito sobre o estado em que nos encontramos.
De Bic Laranja a 28 de Maio de 2015
Comentário pertinentíssimo. Destaco-o em adenda.
Obrigado!
De muja a 28 de Maio de 2015
Renegamos o que é nosso, ansiamos pelo que vem de fora. Isto diz muito sobre o estado em que nos encontramos.

Não diz muito, diz tudo. É nas árvores como em tudo o resto.

De Bic Laranja a 28 de Maio de 2015
Ocorreu-me exactamente isso quando li o comentário do leitor. É o portugalinho solúvel em toda a medida como «best practice» do suicídio colevctivo.
Cumpts.
De muja a 30 de Maio de 2015
suicídio colectivo, talvez...

Mas ainda há quem resista ainda e sempre ao invasor.

Podemos estar a morrer, mas ainda não morremos.

Obrigado.
De Bic Laranja a 30 de Maio de 2015
Mas sobramos poucos. É só os suicidas parecem arregimentar...
Cumpts.
De Marcos Pinho de Escobar a 28 de Maio de 2015
Podaram tudo... o Ultramar, as grandes empresas, a agricultura, a História, a identidade, a soberania...a Língua Portuguesa. E não vão parar por aí.
Abraço amigo
De Bic Laranja a 28 de Maio de 2015
E podam haveres enquanto cá houver gente.
Cumpts.
De Rosa a 29 de Maio de 2015
E promove-se oficialmente o medo da árvore, essa terrível provocadora de alergias, doenças, sujidade e que até é capaz de complicados exercícios de pontaria aos capôs dos inofensivos automóveis. Um medo que não é mais do que ignorância mas que se entranha, corrompe e compromete o futuro.
De Bic Laranja a 29 de Maio de 2015
Promove-se o empreendedorismo. A lenha há-de estar a render...
Rosa, as árvores que na fotografia vejo circundam o coreto são plátanos, consegue dizer? Tive curiosidade de veras que o circundam actualmente e vi que são jacarandás. Tenrinhos.
Confere com o que o leior Luís diz da troca de espécies nativas por estranhas...?
Cumpts.
De rosa a 29 de Maio de 2015
Tem toda a razão, eu arrisco com alguma confiança que as árvores da fotografia são Bordos (Acer pseudoplatanus) uma espécie espontânea em Portugal a norte do Tejo. Já os Jacarandás...Estão na moda.
De Bic Laranja a 29 de Maio de 2015
Bordos pseudoplátanos. No mínimo posso pseudo-orgulhar-me.

Cumpts.
De Bic laranja a 30 de Maio de 2015
... De não haver andado longe.
De gato a 29 de Maio de 2015
O jacarandá é uma árvore originária da Argentina. Clima próximo do do norte da Europa (não é Escandinávia...)
Tem um ritmo que é importantíssimo para quem anda em Lisboa de carro (que não é seu, mas tem chauffeur).
Por voltas de Maio flora. São flores com resina que as agarram a tudo (solas de sapatos, carros, etc.)
Num mês acabam e ficam umas árvores de galhos nús que são preciosas para verter sombra sobre os transeuntes.
Se não houver humidade ou um chovisco, o pedestre livra-se de escorregar na pasta azul das flores no solo.
Grandes palhaços camarários.
Abraço
De Rosa a 29 de Maio de 2015
Não me venham cá agora dizer mal dos Jacarandás. Aquilo é árvore para fazer sorrir um morto. ;)
De Bic Laranja a 29 de Maio de 2015
Em Maio, sim! As flores são um regalo e atapetam o chão. -- Atapetavam, não foram os automóveis.
Em Junho seguem-se as tipuanas... -- Vê-se Lisboa mais e mais exótica agora, até se lhe somamos os excursionistas...
Cumpts. :)

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