Domingo, 10 de Dezembro de 2017

Demolido e desapercebido (ou talvez não)

Av. do Duque de Loulé e Rua de Andrade Corvo, Lisboa (F.M.Pozal, 194...)
Av. do Duque de Loulé e Rua de Andrade Corvo, Lisboa, 194...
Fernando Martinez Pozal, in archivo photographico da C.M.L.


 Primeiro quarteirão da Av. do Duque de Loulé em Lisboa. Tudo demolido. Cuido que num passo ou outro dos Sinais de Fogo a personagem Jorge viu esta cena, tal como o autor Jorge de Sena.

 Quem entre na Duque de Loulé vindo da Gomes Freire (a Estrada da Cruz do Taboado) pode aperceber-se, não já dos prédios que se vêem na imagem, mas dos que lá fizeram ao depois. — Ainda por lá agora andam a alevantar um modernaço na esquina da Pr. de José Fontana por conta dumas casas muito antigas que lá restavam, arrisco, do séc. XIX.
 Quem entre pela Av. do Duque de Loulé, vindo, pois, de cima, se for atento notará o desalinho do primeiro quarteirão à direita com o eixo da avenida nova (do Duque de Loulé) que desce à Rotunda. A direcção desses prédios à direita de quem desce, aponta no sentido da Rua do Andaluz, uma velha rua hoje «escondida», que levava ao largo do chafariz dito ao cima da Rua de Santa Marta, mas que, dali, do cimo da Duque de Loulé se não vê hoje, pois foi truncada pela Andrade Corvo e pela a construção do prédio do Hotel Alicante no seu leito. Da primitiva serventia — a Rua do Chafariz do Andaluz, que partia da Cruz do Taboado e levava ao Largo do Andaluz, como já disse — subsiste o troço intermédio, das traseiras do Hotel Alicante à Rua de Sousa Martins; ali ainda achamos hoje à mão direita de quem desce umas casas antigas com a fachada em azulejo e um portão encimado duns dizeres: Quinta da Cruz do Taboado. É no n.º 52. Não seria a casa principal da quinta, porquanto esta me parece ter sido o solar da família Mayer, que pousava mais além, onde hoje havemos o palacete Sottomayor.

 Tornando à imagem aqui em cima, disitingue-se bem no empedrado da calçada o que é alinhamento novo — a Duque de Loulé — do que é o alinhamento antigo da Rua do Andaluz ou do Chafariz do dito. Adiante segue a Andrade Corvo, mais larga hoje e, mais esburacada também ao presente numa proporção bem maior do que a largueza que ganhou.

Escrito com Bic Laranja às 12:23
Verbete | comentar
2 comentários:
De dh a 12 de Dezembro de 2017
Caro Bic

E o chafariz do Andaluz ainda lá está, sabe Deus como...

Deixo-lhe aqui um livrinho de 1873

https://books.google.pt/books?id=6BlZAAAAYAAJ&printsec=frontcover&hl=fr&source=gbs_ge_summary_r&cad=0#v=onepage&q&f=false

cumprimentos
De Bic Laranja a 12 de Dezembro de 2017
Mudaram-no. Talvez disso se salvasse.

Obrigado do achado. Onde não faltam umas ricas décimas à Tia Gertrudes da Perna de Pau.

Cumpts.

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