Sábado, 12 de Março de 2016

Dez e meia da manhã, sábado...


O Alemtejo não tem sombra
Senão a que vem do céu

 

*   *   *

 A esquerda baixa e o cante mundial alvoroçaram-se com a Raposíada alentejana dum moço com coluna semanal no Espesso. Estranhando o escarcéu dispus-me a ver por mim como valeria o gèniozinho do saco de plástico tão formidável polémica.
  Dez e meia da manhã, sábado, procuro o volumezinho no escaparate da biblioteca 3,5 € do Pingo e lá o acabo de achar, às pilhas, no chão, atrás do dito escaparate. — Bom prenúncio...
 Passo o talho e enquanto aguardo o loto da peixaria abro a obra do génio moço para matar a espera:

« Dez e meia da manhã, sábado, 20 de julho (sic) …»

 Paro.
 Fecho o volumezeco e ainda o olhar diagonal sobrevoa nubladamente um «batizar» e uma «exceção» na página daquela linha. Antes de sair a pagar, deixo-o cuidadosamente nos congelados, à direita da pescada n.º 3 para fritar.

Untitled-1.jpg


  Para ler do Alentejo recomendo o Brito Camacho.

Escrito com Bic Laranja às 18:12
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11 comentários:
De [s.n.] a 14 de Março de 2016
Vem mesmo a propósito este seu tema.

Algumas meninas e alguns meninos das televisões continuam a dar pontapés na gramática.

Na TVI, um dias destes, pelas 16.27 (não anotei o dia, peço desculpa) a menina Rita Rodrigues a determinada altura das notícias disse a seguinte frase "... espera-se as palavras(!!!)..." E não suporto ouvir frases em que o sujeito não concorda com o predicado e vice-versa. Para quem aprendeu as regras gramaticais à maneira antiga, este linguajar fere os tímpanos e mais do que se possa imaginar.

Mas não é/foi só ela a fazê-lo. Por falta de oportunidade ou por a imagem (e a frase proferida) passar ràpidamente sem eu ter tempo d'anotar o erro ou ainda por distracção ou simplesmente por estar mais do que farta de ouvir bacoada atrás de bacoada, vou deixando passar os tropeções em vão.

Por estar cada vez menos habituada ao contrário, nºao quero deixar de assinalar que, por exemplo, no Corta-Fitas, salvo alguma excepção possível de ter havido - e por acaso até houve uma há poucos meses, mas da parte de outro autor que até escreve normalmente bem - há dois ou três dias li um texto de uma autora que geralmente escreve sobre economia e escreve com conhecimento de causa. Mas o que me surpreendeu no bom sentido foi, numa frase a meio de um texto, abordando outro tema que não economia, ela ter conjugado o verbo da porposição a concordar impecàvelmente com o respectivo sujeito, o que me deixou muito boa impressão da pessoa em causa. Pelo visto esta senhora ainda foi das que aprendeu o português no tempo em que havia excelentes professoras desta matéria que a ensinavam com todos os 'esses' e 'erres' ou seja, à antiga usança.

É de inteira justiça dizer-se que João Távora e F. Lobo Xavier, mas não só estes, escrevem igualmente num português escorreito.
Maria


De [s.n.] a 14 de Março de 2016
"bacorada" e "proposição", òbviamente.
Maria
De [s.n.] a 14 de Março de 2016
A inicial correcta do nome próprio de um dos autores do Corta Fitas citado mais acima, não é 'F' mas sim "V." Lopo Xavier. O seu a seu dono:)
Maria
De Bic Laranja a 15 de Março de 2016
D. Marcelo, o afectuoso, quase a abrir o discurso ao Corpo Diplomático com:
« Devem provavelmente esperar que quebre o protocolo (…) Pois não vos vou desapontar.»

Para não desapontar, vertamos os interlocutores ao singular:
« Deve provavelmente esperar que quebre o protocolo (…) Pois não te vou desapontar.»

Mesmo sem próclise o crioulo nunca desaponta, portanto, quase a fechar, vai de optimizar com o p muitíssimo audível (minuto 33:52). No discurso publicado oficialmente, porém, vem escrito otimizar. Que papel estaria D. Marcelo, o aftoso, a ler? Papel de notas falsas ou pergaminho de mau coiro?...

Com exemplos assim no primeiro magistrado da república, tudo o que vier abaixo não há-de vir senão... abaixo. A ruína é total.

Cumpts.
De [s.n.] a 14 de Março de 2016
Desculpe voltar ao assunto, mas aproveito o facto para deixar aqui algumas particularidades ou melhor, defeitos, de que os próprios não têm culpa mas sim os directores de informação que os escolhem (mal) para fazerem a respectiva locução, por que pecam os locutores dos telejornais, que me incomodam tremendamente. A dificuldade vocal pela qual estas pessoas passam para pronunciar as frases que lhes cabem, devo dizer que até me causam uma certa dó, porque noto da sua parte um esforço quase sobre-humano (sem exagero) para concretizá-las.

Como não compro jornais diários, aproveito as notícias das várias televisões para me ir actualizando, se é que de facto fico verdadeiramente inteirada da realidade política nacional e internacional e não deturpada e/ou incompleta da mesma... Valha o facto de volta e meia ir dando uma vista d'olhos pelos problemas mundiais, sobretudo aqueles que nos preocupam e afectam a todos, através de alguns vídeos no YouTube, designadamente os extraordinários e imperdíveis do Dr. David Duke.

Vi há pouco um pedacinho das notícias do África ZOOM e a locutora ( que já não é novinha na RTP) tem uma dificuldade na fala e isto já vem de longe. Esforça-se imenso mas não obstante nota-se que a projecção de voz não se processa com naturalidade. Não pode fazer nada quanto a este particular. Só lhe dou um pequenino conselho (sem ofensa), sendo uma senhora gorducha e em televisão isto nota-se a dobrar, coloque uns chumacinhos nos ombros que não só lhe valorizam a imagem como a fazem um pouquinho mais magra. Verá que a roupa lhe cairá muito melhor, ficará mais elegante e a sua imagem melhorará consideràvelmente.

Estas pechas são exactamente as mesmas por que peca Dina Aguiar. Tudinho. Foi levada para a RTP pelo Letria e pecou de estaca. Nunca foi grande coisa como locutora. Veste-se assim, assim. Tem uma dicção fraquíssima, tem dificuldade em projectar a voz em toda a sua amplitude. Não pronuncia as últimas sílabas das palavras (defeito terrível de que foi acusada há dezenas d'anos por vários telespectadores, quando começou na locução dos telejornais). Enfim, é pena mas esta é a verdade. Esta rapariga entrou para os quadros da RTP por cunha de um comunista e por lá se foi mantendo provàvelmente por tê-lo sido. (E segundo os comunas, era no antigamente que havia cunhas para se aceder a determinados empregos..., pois claro que era..., depois do 25/A nada disto tem acontecido!).

O jornalista João Carlos da TVI (peço desculpa mas neste momento não me recordo do seu apelido), sendo uma pessoa simpática sofre do mesmo problema de voz. A projecção desta é dificultada pelo esforço enorme que ele faz para poder silabar com eficiência, nota-se perfeitamente o esforço na fala através das veias e tendões salientes no pescoço. E porque a tem, lá se lhe escapam as últimas sílabas das palavras ou, se não, estas são pràticamente inaudíveis.

Desculpe a verbosidade mas ando para escrever isto desde há tempos infinitos. O que quero sublinhar é que o faço para bem dos respectivos jornalistas e para melhoria dos telejornais de cada um dos canais televisivos.
Maria

Junto uma pequena nota pessoal sobre estes problemas de que padecem certos locutores, no caso um da BBC, para que se veja quanto vale uma pequena observação da parte de uma telespectadora que se preocupa com o que se ouve nas televisões.
Aqui há anos eu costumava ver alguns programas vindos da BBC. Havia um entrevistador inglês, de nome Frost (creio que David) muito famoso naquela estação, que tinha uma maneira de falar horrível, uma dicção péssima, não se percebia nadinha do que dizia. Foi uma entrevista falhada da parte de um locutor que deveria ter sabido articular decentemente numa profissão que o exige obrigatòriamente. Uma dia este locutor entrevistou um intelectual, creio que escritor, Johnatan (qualquer coisa), este sim, era um sonho de se ouvir. Sílabas impecàvelmente pronunciadas, tom de voz brilhante, num inglês magnífico, uma maravilha de ser escutado e tudo quanto dizia era perfeitamente audível. Resolvi escrever para a BBC e transmiti-lhes exactamente o que acabei de descrever agora. Resultado, o tal Frost deixou de entrevistar personalidades e nunca mais o vi nestas andanças.

Mais uma vez um enorme obrigada por me permitir ocupar este seu espaço.
De [s.n.] a 14 de Março de 2016
Esqueci-me de mencionar no comentário anterior que a BBC me respondeu à carta, agradecendo-me a crítica que consideraram apropriada.
Maria
De Inspector Jaap a 15 de Março de 2016
É pena que o pobre coitado esteja enfeudado até às orelhas à cultura plastificada; e é pena porque - ao que parece, que eu não o li - o livro nem é mau; tanto assim que o politicamente correcto cá do burgo tem vociferado impropérios q.b. para me porem de orelha alerta; mas assim, não o lerei, certamente; quanto ao local escolhido pelo caro Bic para o depositar, está correcto, mas pode vir a fazer mal à saúde pública se consumido.

Cumpts
De Bic Laranja a 15 de Março de 2016
O Orlando Braga fez uma recensão. Continuo a dizer: para ler de Além-Tejo recomendo Brito Camacho. Raposinhos não valem um saco de plástico.
Cumpts.
De [s.n.] a 15 de Março de 2016
Se possível, gostaria de dirigir estas linhas a Maria.
Não há grandes diferenças nos leitores de notícias dos canais televisivos, tão pouco nos dactilógrafos dos espaços "roda-pé" que em vez de informar... desinformam.
Já agora, que acha da prestação do humorista JP Vasconcelos (RTP) e do actor de revista J.Baião (SIC), ambos a fazer de apresentadores?
Obrigado. Zé das Caldas.
De [s.n.] a 16 de Março de 2016
Olhe, Zé das Caldas, sabe o que penso dessas duas personagens que cita? Penso que são simplesmente horríveis, tanto como apresentadores(?!?), como por serem supostamente comediantes(?) ou humoristas(?), pois creio ser uma destas a profissão por eles escolhida. Só sei que na espécie de farsa que actualmente desempenham são piores que maus.

O Vasconcelos, a cada meio minuto esboça um sorriso pavoroso, género sapo, que faz medo ao medo. Tem a mania que tem graça, mas é uma lástima nas graçolas, nos esgares e nas piruetas (julga que está no circo) disparatadas que faz. Sem ter a mais pequena piada e mais do que qualquer outro sentimento repulsivo, só provoca comiseração no observador. Passo por esse programa uns segundos apenas, só para ver se aparece alguma personalidade interessante de ser ouvida e, como raramenmte isto acontece, mudo ràpidamente de canal regressando às notícias que é o que realmente me interessa em qualquer das televisões.

O Baião é outro que tal. É muito mau apresentador. Ri demasiado sem motivo, não fala, grita e demasiadas vezes. Tenta dizer graçolas mas não tem graça, salta e bamboleia-se em demasia. Tem que haver um mínimo de decoro da parte dos apresentadores independentemente do programa em que participem, seja este ligeiro ou sério. Este rapaz, que parece ser boa pessoa, foi muito mal escolhido para a função que desempenha nos programas televisivos de entretenimento, sejam eles de que teor forem. Ele estará eventualmente melhor no Teatro de Revista, onde poderia mimar, rir, brincar, pular, bambolear-se e cantar à vontade. E quem o aprecia poderia ir vê-lo nesses espectáculos. Para o 'papel' que desempenha na RTP, de facto não serve. Está lá a mais e desvaloriza esse ou qualquer outro programa em que participe, se é que o director de programação desta televisão está mìnimamente interessado em sabê-lo. Ou os directores de qualquer dos outros canais, se lhes passar um dia pela cabeça vir a contratá-lo para programas do mesmo género (ou doutro qualquer)...
Maria
De [s.n.] a 16 de Março de 2016
Muito obrigado, Maria, pela sua gentileza em responder ao meu pedido: 100% de acordo!
Boa saúde para si.
Zé das Caldas.

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