Sábado, 30 de Outubro de 2021

Do tempo…

 Quem não tem que dizer fala do tempo. Ou fala barato…

 Logo de madrugada temos a senhora da hora. Muda a hora de Verão, aquela que gostamos mais, mas que, poucos saberão, é a mais adeantada da nossa hora solar. Mesmo a hora de Inverno, em que anoitece cêrca das 5 da tarde, é a hora de Greenwich, na Inglaterra, não a hora portuguêsa. São quási 40 minutos de adeantamento ao fuso horário de Portugal. O que significa que no Inverno, pela nossa hora solar, haveria de amanhecer pelas 7 e meia e anoitecer pelas 4 e meia da tarde. — Hora solar, não esqueçais!  Coisas do passado, dum mundo rural regido pelo Sol e o sino da igreja. A República Portuguêsa tratou dêle…

 Em Portugal a hora legal largou do fuso próprio e do Observatório da Ajuda para alinhar por Greenwich em 1912, salvo êrro. Afinou em horas de Inverno e de Verão, como era lá fora na Europa, no ano 1916. Salvas umas hesitações em 22, 23, 25, 30 e 33 e um soluço de 42 a 45, a coisa foi andando. De 66 a 76 deixou de ir. Ficou a hora de Verão, sem afinar pela hora de Inverno como era lá fora na Europa. Uma heresia (heresia então, porque agora…) resolvida logo que houve tempo de pensar em ninharias, ao depois de alijar o Ultramar e se remediar o Portugalinho e ilhas na senda da Europa e do futuro. Risonho!…
 No tempo do Cavaco o futuro sorriu mais. Sorrimos todos, para não chorar. A hora legal portuguêsa ficou quási 3 horas adeantada. Lisbôa afinou pela hora de Varsóvia. O Sol punha-se pelas 11 da noite.
 De há pouco tempo querem os de lá fora na Europa fazer como os portuguêses de há mais ou menos 50 anos e permanecer na hora de Verão. Parece que em vindo dêles, de lá fora na Europa, já é moderno, scientífico, até natural e biológico, se vamos lá de fazer caso das creancinhas na escola e do bem que faz à saúde…
 A saúde… 

 Agora do tempo — o que faz, não o que se mede —, segundo vi no ex-Instituto de Meteorologia, em passando a chuva destes dias vem frio. Vale a notícia o que vale, que é tempo de Outono. Mais vale pelo alarme, o alarmismo. Vamos para Novembro mas, no mundo de jogos de computador em que se esta civilização de recreio de escola infantilizou, são dois fins do mundo: um fim do mundo por frio em Novembro a seguir ao fim do mundo por chuva em fim de Outubro. Ou o fim da macacada. Havemos de nêle acabar todos cheios de saúde, vacinados contra a chuva, o frio e alarmados da trovoada e do vento em geral. Só contra o medinho é que não há remédio, nem com todas as vacinas juntas, mai' las focinheiras. Mas, lá será, viver apavorado é, crêem os govêrnos e os povos agora, uma vida melhor do que morrer de mêdo.

Mulher com bilha de água e cavador de enxada, E.N. 249 a Queluz (M. Novais, s.d.)
Mulher com bilha à cabeça e cavador de enxada ao ombro, E.N. 249 a Queluz, [s.d.].
Mário de Novaes, in bibliotheca d' Arte da F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 17:30
Verbete | comentar
11 comentários:
De [s.n.] a 30 de Outubro de 2021
Ah!ah!ah!
'Havemos de nele acabar todos cheios de saúde'
Dizia o Prof. Fernando Pádua 'Quero chegar aos 120 anos, alegre, activo e saudável'.
E diziam os contadores de anedotas: o Prof Pádua vai morrer por ter excesso de saúde.

Cumpts.
De Bic Laranja a 30 de Outubro de 2021
:)
Cumpts.
De gato a 31 de Outubro de 2021
Que saudade dos Parodiantes de Lisboa que, há mais de 50 anos, o chamavam de Instituto de Mentirologia. E aquilo até funcionava bem.

Há menos de 10 anos, uns adiantados mentais baptizaram-no de Instituto do Mar e da Atmosfera. Esqueceram-se que havia terra... Les bêtes.

O que os palermas adoram são os «alertas» coloridos. 'Inda' há dias falavam de «inundações súbitas» facto de que eu só dou conta quando puxo o autoclismo.

Como qualquer fala-barato anuncia: pode, calcula-se, prevê-se, depois de 2035.

Continuarei, após cumprimentar
De Bic Laranja a 31 de Outubro de 2021
:)
De gato a 31 de Outubro de 2021
Na fátua tentativa de 'normalizar' tudo, a ONU criou várias Organizações Mundiais em Genève, Suíça.
A 'World Meteorological Organization' conta com quase todos os 190 e tal países inscritos na ONU.
As entidades oficiais destes países sabem todos os dados meteorológicos dos restantes países através da 'WMO' e contribuem, diariamente, com os dados de todas as suas estações meteorológicas que são enviados (agora é fácil) para a 'WMO'.

O que é triste é que a malta 'do mar e da atmosfera' têm acesso aos mesmo dados que tantos outros, mas como são estúpidos não os interpretam correctamente.
E lá vêm os «alarmes».

Eu tenho por bons:

1. o Instituto Superior técnico em:
http://meteo.tecnico.ulisboa.pt/forecast/resume

2. o Meteorologisk Institutt (Norwegian Meteorological Institute) em Inglês:
https://www.met.no/en

Cumprimenta
De Bic Laranja a 31 de Outubro de 2021
Hão -de ser mais preguiçosos que estúpidos. Mas uma não invalida a outra.
Parece que apreciam o papel de pregoeiros da desgraça, daí os alertas. Coloridos para dar ar scientífico à coisa. Serve às tubas da imprensa porque, quanto mais alarmante, peor.
A mudança de nome diz muito.

Cumpts.
De [s.n.] a 31 de Outubro de 2021
A fotografia de Mário de Novaes, que parece ser tirada como umas outras dele cerca de 1942, tem uma particularidade interessante.
O local, na altura EN249 e agora Av. José Elias Garcia, é o final de Queluz, passando sobre a Ribeira do Jamor e ao fundo as encostas de Massamá.
A particularidade é a EN249 ser de terra batida, como parece, e não em paralelepípedo como provavelmente será uns 500 metros atrás até ao cruzamento para o Palácio.
A mulher fotografada parece ir, vasilha deitada, à água a um chafariz nos arcos do aqueduto e o homem regressa de pau ao ombro, não parece ser enxada, segurando um carrego.
Uma bela fotografia
Cumpts.
De Bic Laranja a 31 de Outubro de 2021
Boa anályse.
Obrigado!
De MCV a 1 de Novembro de 2021
Um infantilismo sem memória, que as crianças têm pouco de que se lembrar.
E um alarmismo igualmente infantil, de quem nunca viu nada igual, nem chuva nem seca nem frio nem calor.
Vivemos nisto. Com uma propaganda ela própria infantil mas eficaz dado que se destina a um mundo acéfalo.
Abraço
De Bic Laranja a 1 de Novembro de 2021
Sim. Em poucas palavras diz tudo. Vivemos nisto e não parece que consigamos sair dele.
Abraço
De [s.n.] a 1 de Novembro de 2021
Os tempos em que vivemos são todos diferentes dos que já vivemos, tem sido sempre assim. As crianças doutros tempos também se lembravam de poucas/muitas coisas, que variava em relação ao local em que cresciam.
Coitadas das crianças que por curiosidade leiam hoje, dia 1 de Novembro, a primeira página do jornal "Correio da Manhã" e não tiverem pais para lhes explicar que aquele não é um jornal da manhã, mas sim um jornal da manha, com um alarme manhoso para assustar as criancinhas e velhinhos.

Cumpts.

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