Domingo, 25 de Maio de 2014

Dos estados inteiramente livres

Descarga de ouro no Bando de Portugal (Salazar; ed. do centenário)

« Uma fotografia que fez escândalo em 1930: um camião carregado de ouro estacionava à porta do Banco de Portugal. O Mundo tinha saído há [i.é havia] pouco do craque da Bolsa de Nova Iorque, a inflacção (sic) na Alemanha alcançava índices de 300%. A fome rondava o Mundo inteiro. Em menos de um ano, porém, Salazar tinha conseguido libertar Portugal da maior parte da sua dívida externa -- e entesourava. O ouro foi, então, a única reserva digna de confiança. Rapidamente Portugal ía-se (sic) libertando de todas as dependências financeiras. O Ministro das Finanças considerava que um Estado só se pode considerar inteiramente livre se não tiver de recorrer ao auxílio externo [...]»

Manuel Maria Múrias (intr. e coord.), Salazar; Edição do Centenário, Referendo, Lisboa, 1989, p. 26.

Escrito com Bic Laranja às 09:30
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12 comentários:
De m. a 25 de Maio de 2014
É uma economia próspera, não o ouro (que não se pode comer) que garante a autonomia de um país.
Há um endeusamento do ouro em Portugal (por razões históricas e de concepções económicas e financeiras ultrapassadas).
De m. a 25 de Maio de 2014
O uso de há é correcto e admissível e representa uma opção estilística do Autor. Por isso, a "correcção" feita daquele modo denota alguma falta de gosto ademais desconhecendo-se as suas credenciais para ensinar português a Manuel Múrias.
De Bic Laranja a 25 de Maio de 2014
Tem razão. Como as suas em relação a mim.
Cumpre.
De Bic Laranja a 25 de Maio de 2014
E diga aquilo do ouro a Manuel Múrias.
Cumpts.
De m. a 27 de Maio de 2014
Manuel Múrias escreveu há 25 anos e não se esqueceu de apontar o contexto histórico: "O ouro foi, então, [i.e., nos anos 30] a única reserva digna de confiança."

A título do "post" é que parece remeter para a actualidade concepções de antanho.
De Bic Laranja a 30 de Maio de 2014
Manuel Múrias não redigiu a legenda. É autor da introdução e coordenou a edição. Assim vem na nota bibliográfica dada.
Quanto ao ouro como reserva de valor face ao papel moeda, lembro só que este se chama fidúcia, i. é, confiança. Quando ninguém lhe atribui valor -- a História está pejada de casos em que notas de banco não passam de papéis -- sobra sempre o ouro.
Cumpts.
De [s.n.] a 28 de Maio de 2014
Deve ser por isso que actualmente os metais preciosos (principalmente Ouro e Prata) atingem valores astronómicos... Pelos vistos, isto de considerar os metais como dignos de confiança, não é coisa só do tempo da outra senhora! Vá se lá saber porquê!... Aliás, esta cena de gostar de coisas assim para o brilhante já tem milénios... ;-).. Um gosto peculiar que nunca se perdeu.. curiosamente... E que em tempos de crise (e com falta de liquidez)dá sempre jeito ter umas pedritas ou jóias para assim safar-nos... "vão-se os anéis, ficam os dedos"... e não esquecer que estes metais (que realmente são de difícil digestão) também já salvaram vidas... que digam os muitos judeus que assim conseguiram escapar aos campos de concentração.. (infelizmente nem todos conseguiram)...
Maria Rebelo
De qwert a 28 de Maio de 2014
http://www.kitco.com/scripts/hist_charts/yearly_graphs.plx

O ouro desceu 600 dólares (onça) nos últimos dois anos. Está sujeito a grandes oscilações.
Tem de se pensar que hoje me dia o sistema monetário já não é o do padrão-ouro, o que tornava tudo muito diferente.
De SF a 30 de Maio de 2014
O ouro desceu 600 dólares depois de ter subido cerca de 1600 desde o ano 2000, poderá continuar a descer? É volátil? Claro que sim, a diferença em relação ao papel moeda é que o ouro não pode ser impresso ao bel prazer dos bancos centrais, é por isso que é mais confiável como reserva de valor ao longo do tempo do que por exemplo o euro ou o dólar ou qualquer outro papel moeda.
A conversa do "não se pode comer ouro" é no mínimo ridícula e sintoma de uma tremenda ignorância. Então e notas de euro? podem-se comer? Se não então porque andamos todos a trabalhar tantas horas para conseguir alguns desses pedacinhos de papel?
De qwert a 31 de Maio de 2014

A ponderação das vantagens e desvantagens do ouro como moeda/reserva não se compadece com algumas idas ao "google".
O ouro, para além de não comestível é uma mercadoria que, entre outras características, não está uniformemente distribuída pelo mundo. Este facto levanta alguns "pequenos" problemas em que convirá pensar.
De M.Martins a 1 de Junho de 2014
O ouro desceu ultimamente por causa do valor d'outros metais mais procurados,vejamos a proliferacção de l'internet e a conquista do espaço,entre outros.O medical o universitario.1984 já não é uma utupia...a descida da população terrestre vai-se acentuar nas proximas décadas; si daqui lá o prognostico do cientista Australiano com o fim da humanidade não se realisar!
De Bic Laranja a 4 de Junho de 2014
Pode não ser o fim da humanidade, mas o fim da civilização ocidental está bem à vista.
Cumpts.

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