Terça-feira, 18 de Novembro de 2014

... E hortas adjacentes

Não era formidável, quando de Lisboa se via o horizonte?

Alvores da obra da paroquial de S. João de Deus, Lisboa (J. Benoliel, c. 1950)Perímetro da obra da igreja de S. João de Deus e hortas adjacentes, Lisboa, c. 1950.
Judah Benoliel, in archivo photographico da C.M.L.

Escrito com Bic Laranja às 09:59
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6 comentários:
De Daniel a 18 de Novembro de 2014 às 11:24
Não e que Lisboa seja uma cidade com construção muito alta ou poluição acentuada que não permita ver o que há lá mais para diante :) ao contrario do que acontece aqui em Londres (que e uma cidade desenvolvida, dizem eles, cheia de mamarrachos e coisas tais, fruto do progresso e falta de planeamento urbanístico )
Ps : perdoe-me mas não consigo colocar acentos em certas letras porque o teclado inglês não me permite!

De Bic Laranja a 18 de Novembro de 2014 às 19:17
Pode ser. Ainda assim Lisboa é em cada dia mais claustrofóbica. As cérceas cresceram. Perdeu a linha do horizonte e perdeu o arejamento que se ainda nota nesta velhas fotografias.
Cumpts.
De Costa a 19 de Novembro de 2014 às 13:15
Creio perceber, das suas palavras, que toma Londres como um exemplo de mau planeamento urbanístico e, pelo menos em termos relativos, Lisboa é para si ainda uma cidade nesse aspecto consideravelmente respeitável.

Coloco as coisas nestes termos - de julgar perceber -, porque tal visão é de tal forma bizarra, a meus olhos, que vivamente desejo que se confirme um meu errado entendimento das suas palavras.

Devo entender que V. reside em Londres. Eu não e isso poderá conferir-lhe alguma autoridade, na sua opinião, de que me não poderei arrogar. Em todo o caso tenho a felicidade de visitar Londres com alguma regularidade (não com tanta frequência - de todo! - quanto gostaria; o fisco aprecia entusiasticamente os nossos rendimentos e o estado actua com perene desvelo para, sob essa forma e outras, os reduzir), desde mais de trinta anos, de ter familiar próxima lá residindo vai para cinco anos e de, por tudo isso, manter com muito gosto um interesse especial por essa cidade.

Não discutamos aqui os subúrbios arquitectonicamente deprimentes e os barros "onde nem a polícia entra", que os há por todo, ou quase, lado (será sempre uma questão de grau). Considero apenas a cidade.

Por muitos defeitos que a Londres de possam apontar, desde logo o tráfego automóvel em certas zonas (e que autoridade tem a nossa capital para lho apontar?), ela bate inapelavelmente Lisboa na preservação da arquitectura de época, na conservação dos edifícios - antigos e mais recentes -, na contenção dos mamarrachos urbanos (outro campo em que Lisboa não pode - não pode de todo! - invocar qualquer autoridade), na ordem e disposição de espaços publicitários, no asseio geral das ruas (e concordo que aí já esteve melhor), na rede de transportes públicos, no cuidado para com os monumentos e - e que grande "e" este - na existência e preservação de parques e jardins públicos de verdadeiro encanto.

Tudo isto me parece tão evidente que compreendendo eu algum orgulho e paixão na defesa do que melhor ou pior é nosso, constitui a base em que crescemos e funda a nossa identidade: a "nossa terra", enfim (embora vá partilhando do que me parece ser o cepticismo do autor deste blogue e me vá resignando à crescente possibilidade de que Portugal esteja perdido, despojado do brio que restava, embrutecido na sobrevivência mais básica, e lhe reste arrastar-se décadas a fio, semi-comatoso, dependente de ajudas externas que com essa cura o vão matando e parasitado por um bando impune e insaciável que se apoderou do país, feliz até com isso e por isso - o país - sem verdadeiramente merecer ser salvo), arrisco dizer que manda o senso comum que nos moderemos em certas comparações.

Por uma questão de apego à realidade.

Costa
De Daniel a 19 de Novembro de 2014 às 22:38
Caro Costa,

entendo o que quer dizer e são validos os pontos que levanta, mas permita-te desconstrui-los um a um e se não concordar, continuaremos amigos como antes!

- Os parques em Londres sao um encanto sem duvida alguma. Mas mais porque sao extraordinariamente verdes. Nao fossem verdes ficaria eu admirado, dado que quase todos os dias chove. Tal não se deve a grande mão humana nem a extraordinarios sistemas de rega. Em Portugal isso já se torna mais complicado dado que os periodos de chuva são menos regulares. De surpreender sim, é a falta de flores que ha nos parques desta cidade. Adoraveis sao os esquilos que os povoam.
- Quanto ao sistema de transporte, é sem duvida fenomenal. Ou talvez não. Confunde-se facilmente escala com qualidade do serviço. São rapidos, mas não sao confortaveis. Onde já se viu que em pleno seculo XXI ainda existam comboios que não tenham ar condicionado e que em pleno verão varias linhas do metro vejam o seu funcionamento suspenso porque se atigiram os 46 graus celcius e alguém se sentiu mal? Para não mencionar a falta de cobertura de telemovel (quando certas deslocações diarias podem durar ate uma hora em cada sentido).
- Preservação dos edificios, sem duvida superior que em Portugal. Mas pense lá bem e chegará à conclusão de que Londres deve ser a única capital europeia cujo centro histórico não é a zona mais antiga da cidade. Isto é, toda a zona de Picadilly é relativamente recente quando comparada à City, centro histórico, que foi quase todo demolido para dar origem a enormes arranha ceus. E basta mesmo dar um passeio por Oxford Street ou Leicester Square(Deus nos valha de lá passar!) que logo vemos que alguma coisa não está bem.
- Quanto ao trafego, estamos os dois de acordo. Eu morando na fronteira da zona 1 com a 2, cheguei a triste conclusão que de bicicleta demoro menos tempo até ao trabalho (cerca de 25min) do que de Bus (1h10), de carro (cerca de 50 min) ou de metro (35 a 40 min).
Naturalmente que não vou estar a cuspir no prato de onde como. Londres tem coisas extraordinárias que compensam tudo o resto e que atenuam as saudades de casa e da familia.
De Costa a 20 de Novembro de 2014 às 00:51
Amigos como antes, naturalmente. Dos parques, não posso deixar de notar que o clima por cá não pode ser responsabilizado por tudo. Afinal alguns parques ainda subsistem, ainda que criminosamente maltratados por quem os frequenta. Os portugueses têm uma relação muito complicada com o verde, com a Natureza. O nosso patamar civilizacional ainda é o que confunde progresso com construção: com alcatrão, betão, tijolo, com - absoluta divindade - caixilharia de alumínio. E construção horrível, fazendo caber cem pessoas onde com qualidade deveriam estar talvez vinte, não mais; e de estética repugnante.

A Natureza, os espaços verdes, é mania de ricos, coisa a ocupar com "urbanizações" (ou depósitos de sucata; ou auto-estradas para lado nenhum). Os esquilos (e não só) - que tanto gosto de ver e alimentar por aí, admirando o seu bem disposto atrevimento - só seriam úteis se comestíveis. Mas sendo-o ou não acabariam mortos, se os houvesse por cá, pelo simples prazer de matar o que se mexa, que nos é tão próprio (e sim, abomino a caça à raposa).

Poderia continuar a discutir os outros pontos que suscita. Mas fico-me pela sua afirmação de que Londres tem coisas extraordinárias que compensam tudo o resto. Museus, teatro, musicais: a cultura (ou a sua falta) que também faz uma cidade...

Costa
De Bic Laranja a 20 de Novembro de 2014 às 22:25
Obrigado pelos vossos comentários.
Cumpts.

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