Sexta-feira, 22 de Agosto de 2014

— Esta vida de turista, hem!...

Quarta-feira, 2 de Julho


Farrusco

 Tempo encoberto, como ontem. Vamos à praia só de tarde; imos mais cedo, o calor na' aperta...

Algarve (c) 2014

Pastiche

 Ante nós há um pastiche algarvio. Condimento-o no meu espírito com rememorações de estiagem a valer, canícula das antigas, em que o mormaço à tarde modorrentava o chilreio dos pardaes e os corpos da gente e, nas noutes, embalava a fadiga aos pinheiraes onde uma agulha não bulia. Pensamentos vãos num Verão pastiche de Primavera atrasada. Nem o calor é já o que era. O pastiche de subúrbio, ante nós, é imagem disto mesmo que é.

Pastiche. Algarve (c) 2014

Alcunhas

Ilustração dos «Esteiros» pelo Cunhal (lindeza em pcp.pt)  Zarôlho, Má-Cara, Gineto, Carraça, Sagüi, Gaitinhas, Guedelhas, Malesso, Doida, Manel e M.ª do Bote, Rosa Coxa, são alcunhas. É malta dos «Esteiros», do Pereira Gomes. Fossem de Eça, seriam figuras de galeria com melhor garbo. Em vez de alcunhas teriam cognomes.

Quinta-feira, 3 de Julho


«Meiguices primitivas»Eça de Queiroz (in Ler antes de morrer)

 A frase é de Eça, para dizer o castiço que se dissolve na civilização e no progresso. Leio-a em João Gaspar Simões, Vida e Obra de Eça de Queiroz, 3.ª ed., p. 163. O pastiche que vejo ante a varanda invoca-me, pois, as meiguices primitivas do Algarve.
 Outra ideia que tiro de Eça naquele livro é a de que os deuses do Olympo, se se não deixam morrer nas florestas, acabam empregados numa qualquer secretaria. O progresso e a civilização tudo esmagam. Se o «genius loci» do pinhal do concelho se não deixou já aqui imolar com os últimos pinheiros, foi porque se filiou num partido e acabou empregado na câmara de Albufeira.

Crentes

Romeiros da praia, Algarve, (c) 2012

 O areal ampliado pela baixa-mar é um afã de gente beata: uns que vão, outros que vêm; todos demandam o mesmo: o resplendor da vida saudável. Intrigante é caminharem em sentidos opostos, todos, pelo mesmo; como se o graal estivesse tanto para lá como para cá, que o mesmo é não estar em lado nenhum. Ou está: na sua crendice induzida. Uma crenndice que se lhes reconhece mais febril conforme caminhem mais apressados.

O homem que devorava livros

O homem que devorava livros. Algarve (c) 2014

 Não é dos crentes. Se crê nalgo, é no «Público», que será outra crendice. Lê-o sob um chapéu de limão.
 ...
 Fechou o jornal, mudou de crença; afinal deu em romeiro, foi para lá...

Ciganos Vendedores ambulantes

Algarve (c) 2014

 Vimo-los ensacar a mercadoria anteontem, temporões e apressados. A barraca ficou deserta. — Fuga à A.S.A.E.? — A senhora aventou festa; havíamos de lhes dar três dias. Três dias passados, ei-los de volta à venda, aai!

Praia

Algarve (c) 2011

 Há dias atmosfera estava lavada. Esta manhã há névoa fina sobre o mar e nuvens daquele lado... Não se anunciam ondas gigantes... Temperatura do ar amena, fresco à sombra; água fria; dão-na a 19º, mas nã' deve passar dos 18º — o meu pé fez de termómetro.
 ...
 Melhor de tarde; sem vento; a água aqueceu, mas não se pode falar em caldo. Poucos humanos, menos romagem para cá e para lá. Calhámos tornar esta tarde justamente ao mesmo lugar da manhã: entre os espanhóis da sombrilla laranja e a moça de biquini verde, toalha escarlate, saco amarelo e que está a ler o livro branco à sombra do guarda-sol azul.
 A melhor tarde.

Algarve (c) 2010

Desenhos em P.C.P. ponto PT e «Ler antes de morrer».

Fotografias: Algarve (c) 2010-2014.

Escrito com Bic Laranja às 23:59
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