(Enquanto estradas se afundam num país ao deus-dará depois do fim…)
Dependente de firmes exigências funcionais repartidas entre o armazenamento, o tratamento (limpeza ou calibragem) de cereais e um complexo sistema de circulação, recepção, expedição, aglutinando também a indispensável área administrativa […] A Federação Nacional de Produtores de Trigo desenvolveu um papel muito importante na dotação e regularização quase por todo o país de estruturas de armazenamento e calibragem de cereais, dependentes do incremento que nos primeiros tempos do regime corporativista português deu ao ciclo da produção do pão e consequentemente dos cereais.
Deolinda Folgado (Docomomo Ibérico), «Património Industrial — Arquitectura Industrial Moderna (1925-1965); E.P.A.C. – Empresa Pública de Abastecimento de Cereais», in D.-G.P.C., 2002.
Projecto: 1954-55.
Autores: Arq.ºs José Bastos Coelho e António Ribeiro Modesto; Eng.º Ângelo G. Ramalheira – construções, estudos e projectos de estabilidade.

Federação Nacional dos Produtores de Trigo, E.N. 10 à Vila Franca de Xira, 1957.
Mário de Novaes, in Bibliotheca d' Arte da F.C.G.
* * *
[…] Em 1935 com a criação da Federação Nacional dos Produtores de Trigo (F.N.P.T.) pelo Estado Novo, situando-se, a sua origem com precisão nos celeiros dos produtores de trigo instituídos a partir de 1932 no desenvolvimento da Campanha do Trigo, iniciada em 1929, a F.N.P.T. trabalhou então ao lado da F.N.I.M. (Federação Nacional dos Industriais de Moagem) criada em 1934 e estes dois organismos corporativos tiveram como cúpula o Instituto Nacional do Pão em 1936. Em 1972 o Governo procedeu à revisão do regime dos organismos de coordenação económica ligados à agricultura e determinou que na F.N.P.T., que passa a denominar-se Instituto dos Cereais (I.C.), [fossem] incorporadas as Comissões Reguladoras do Comércio do Arroz, das Moagens de Ramas, do Comércio dos Cereais [ dos] Açores e o Instituto do Pão, que ficaram extintos. Deste modo nasceu o Instituto dos Cereais. Em 1974 com o novo do regime democrático e consequência [da] extinção dos organismos corporativos obrigatórios foram integrados no I.C., a F.N.I.M., os respectivos Grémios regionais, os Grémios dos Industriais de Panificação e os dos Industriais de Arroz. Em 1976 foi instituída a E.P.A.C., E.P. [que] herdou o tecido patrimonial e humano de dezanove organismos distintos públicos e corporativos […]
Os governos que exerceram a tutela da empresa nunca souberam o que fazer com a E.P.A.C. logo que se esboçou o [curso] do país no sentido da integração europeia com a inevitável liberalização do mercado dos cereais. […] Por outro lado, os sucessivos Conselhos de Administração nunca apresent[ar]am planos de estabilização da empresa, minimamente consistentes em termos económico-financeiros [...] Consumiram-se na gestão de curto prazo e na produção de actos irrealistas […] cujo principal negócio foi vender património, reduzir o quadro de pessoal [e] traduziu-se em não tomar decisões de fundo, com a consciência a partir de certa altura de qual seria o fatal destino da empresa. Depois , como muitas vezes se assume em Portugal, quem viesse no fim que «fechasse a porta» […]E.P.A.C.: Uma longa história…, in E.P.A.C. Comercial, S.A., 2013.
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