6 comentários:
De [s.n.] a 11 de Maio de 2024
Do tempo do Camões só mudou a touca e, talvez, a vasquinha de cote.
Na Província da Guiné nos anos de 1960/70, descalças e peitos ao léu sem toucas ou vasquinhas de cote.

Cumpts.
De Bic Laranja a 11 de Maio de 2024
A touca não sei. O lenço sob, ou sobre, a rodilha, não descobre ele como touca a garganta?
A vasquinha, saia de muitas pregas, ela lá está, de cote, necessàriamente, porque mulheres não usavam bragas como homens.
Não se compare a Guiné. Era (mas talvez já não seja) outro mundo.
Cumpts.
De [s.n.] a 11 de Maio de 2024
Sim, a Guiné era outro mundo.
Em Bafatá quem fosse apanhado descalço, talvez maiores de 14 anos, pagava uma multa que era a compra de chinelos e sandálias plástico para mulheres e homens.

No mundo de cá, não me lembro se havia multa para quem andasse descalço.

Cumpts.

De Bic Laranja a 12 de Maio de 2024
A lei do Pé Descalço remonta a el-rei D. Luiz. Não surtiu até c. 1928, quando foi forçada por postura municipal e dos governos civis.
Em 28, justamente, houve n' «A Rambóia» a rábula do «Pé Descalço» pela Hosrtense Luz, que ilustrava o sentimento popular ante o caso:

Ai, ai ó Cristo!
Vê lá bem se olhas pera isto
Que é um caso nunca visto
pelas velhas do meu bêco

Já os gaiatos
Calçam botas e sapatos
Com tacões dos mais baratos
Mas com tromba à papo-sêco


A própria Hortense Luz com outros do teatro levaram a cabo uma campanha para calçar os gaiatos cá do bêco
O «Sempre Fixe», semanário humorístico brincou com isso:

Alpargatas. A Companhia Hortense Luz enviou-nos dez senhas para calçar de alpargatas dez vendedores do Sempre Fixe. Os ramboias cá da casa vão ser calçados pela ramboia da «Ramboia» do «Maria Victoria», e vão causar, como ela, o espanto das velhas do seu beco.
Em nome da rapaziada, muito obrigado.
Que nunca os calos lhe doam.

(Sempre Fixe, n.º 122, 20/IX/1928, p. 2.

Um atavismo sério! Ainda em 47 foram mais de forçar estas leis, a par duma campanha nacional de vacinação contra o tétano. Não raro se viam homens pelos caminhos com as botas ao ombro que calçavam ao chagra à vila.
Cumpts.
De [s.n.] a 12 de Maio de 2024
Então quer dizer que a fotografia de 195 e tal é enganosa. As pessoas gostavam de andar descalças, calçado não lhes devia faltar.
Talvez seja assim, as chinelas, ou o calçado, estavam reservadas para ir à missa ao Domingo.

Cumpts.

De Bic Laranja a 12 de Maio de 2024
Isso do «enganoso» e do «calçado não lhe devia faltar» tem uma certa ressonância, se bem o entendo. Mas em geral, sim, é de crer que as pessoas haveriam geralmente qualquer coisa para calçar. O caso é que, somado ao atavismo, o calçado era coisa de prezar e daí o zelo com esse atavio. Tal como hoje não se vai ataviado para trabalhos do campo — ou pera a fonte — nos anos 50 também não. Portugal era em 1950, como sabemos, um país rural, tal como a maior parte do mundo.
Uma coisa, pois, com séculos e bem razoável de entender. Todavia a cantigueirice de subúrbio hoje…

Cumpts.

Comentar