Li o livrinho enquanto ouvia a peça em teatro radiofónico transmitida pela Emissora Nacional em 23/VII/1958. Bons actores, grande declamação. Diálogos num Português maravilhoso de ouvir.
A peça, bem!… O enredo é bem esgalhado. As personagens entroncam na História do nosso séc. XVI. início do XVII, e isso agrada-me, mas…
É cá um dramalhão!
A inocente morre, os «pecadores» morrem para o mundo: recolhem-se à clausura conventual. Pecadores desgraçados pela sua própria consciência, por crentes num Deus que lhes lançou um ardil nas suas vidas, em que não haveriam de nunca ter a mínima hipótese de não cair. Só negando-se ao irreprimível amor (quereis lá ver pecado tão grande?!…) que nutriam um pelo outro.
O cânon da peça reflecte um gosto e uma mentalidade que não entendo, nem concebo, a menos que reflicta uma ímpia e turtuosa elaboração do A. para mostrar como mal a fé doentia ou, um Deus tenebroso.
Uma urdidura do marfarrico através da pena superior, mas aventaleira, anticlecrical do A.?…
Mas, não é o avental marca da venda por régua e esquadro da própria alma ao diabo?!…
Talvez até por isto, deveio um clássico.
Ao depois, pode sempre dizer-se que a dramaturgia nacional não tinha substância, nada em que se estribar… — Adeus ó Gil Vicente!…
O volumezinho desta edição vale por mais do que pela peça que é, no mínimo, se quisermos com alguma boa vontade, uma desgraçada e enjoativa tragédia das antigas. À grega, mas para pior.
As notas em apêndice, do A., à conferência no Real Conservatório em 6 de Maio de 1843, quando da apresentação do drama, são um interessante testemunho e reflexão erudita de Garrett sobre literatura, drama, história, política, e sobre a sociedade, vistas na marcha do tempo na sua época — a do liberalismo e do romantismo — e no confronto desses ideais com o passado remoto do classicismo e, sobretudo, com o próximo — do Antigo Regime —, que era o alvo a abater.
Achei mais interessantes do que a peça.
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