Segunda-feira, 16 de Maio de 2016

O panegirista de Salazar...

« Demolidora vem a crise mundial [de 1929] que na opinião da engenheira Perpétua (*) devia ter sido uma salvação para nós... Por nós importarmos mais que exportamos. Com ela naturalmente vieram as falências e as penhoras. Cunha Leal (**) esfregará como esperto, as mãos de contente, e dirá: não é a crise a culpada; é o Salazar, seguindo a Perpétua. La politique oblige...

  Quem tem culpa de no Canadá se queimar o trigo como carvão para... o aproveitar? — Salazar. O culpado do desemprêgo na Inglaterra e na Alemanha — o Salazar. Dos estoiros dos bancos da livre América? E assim por diante? Sempre o Dr. Oliveira Salazar... ”Vão às colheitas os pardais? ”De quem a culpa senão dos Cabrais?“...

   [...]

   O mais contra Salazar não tem resposta. Só a tiro, como já disse.»

Humberto Delgado, Da Pulhice do “Homo-Sapiens“, Lisboa, Casa Ventura Abrantes, 1933, pp. 222, 250.

  Ou o mito do grande demitidor servido à populaça por democráticos aldrabões. Mas a estes ninguém demite.

Comissário Adjunto da Mocidade Portuguesa
Capitão aviador do Estado-Maior Humberto Delgado

Humberto Delgado. Comissário Adjunto da Mocidade Portuguesa, c. 1938.(Retrato in «Um fascista esquecido», Área Nacional, 6/III/06.)

 


(*) « Outro que se atirou, além de Cunha Leal, à obra de Salazar, foi um tipo que por aí anda com o nome de Perpétuo da Cruz. Eu cheguei a julgar, como algures um jornal alvitrou, que fôsse uma engenheira Perpétua da Cruz, em virtude dos métodos de combate, por serem tão miüdinhos, darem a perfeita impressão de pertencerem a indivíduo vulvado. Mas não; é homem, ao que parece, o cidadão.» (Op. cit., p. 203.)
(**) « Que o Cunha Leal pedia a Ditadura toda a gente o sabe. Di-lo êle no livro em que ataca o estadista Oliveira Salazar e disse-o muita vez antes ”do 28 de Maio“.» (Id., p. 110.)

Escrito com Bic Laranja às 07:40
Verbete | comentar
19 comentários:
De João José Horta Nobre a 16 de Maio de 2016 às 13:11
A única coisa a lamentar é que não lhe tenham limpo o sebo mais cedo.
De Bic Laranja a 16 de Maio de 2016 às 18:31
Havia de ter morrido do cancro que o atingiu. Depois de 58 a sua morte antecipada só poderia trazer proveito à oposição. Como aconteceu.
O mito fez-se daí, com tábua rasa na folha de serviços ao Estado Novo.
Estes de ontem na Portela são uns rematados aldrabões, se não na ignoram (o Marcelo sabe-o, decerto, o outro já é mais burro...)
Cumpts.
De João José Horta Nobre a 17 de Maio de 2016 às 10:24
Eu tenho dificuldade em crer que foi a oposição a matá-lo. Para mim o que faz mais sentido é que a morte do Humberto Delgado resultou de uma operação da PIDE que correu mal.

A PIDE tentou prender Humberto Delgado e ele quando se apercebeu da cilada, tentou sacar da pistola, a situação escalou e o Casimiro Monteiro matou-o.

Conheço um retornado que jura que ouvia Casimiro Monteiro a gabar-se nos cafés de Lourenço Marques de que tinha sido ele a matar Humberto Delgado...
De José Lima a 17 de Maio de 2016 às 10:49
Como já aqui escrevi em tempos, a questão não é saber se foi a Pide - provavelmente numa operação que se descontrolou no terreno - que matou Humberto Delgado: o que importava saber em relação a este assunto, e que nunca foi devidamente esclarecido, é primeiramente por que motivo Humberto Delgado decidiu reentrar em Portugal naquele preciso momento e pela fronteira do Caia; e, de seguida, como é que a Pide foi colocada no encalço de Delgado, isto é, quem lhe transmitiu a informação de que o General iria reentrar no país.
De Bic Laranja a 17 de Maio de 2016 às 13:08
Alguns amigos de Argel, que foram os que capitalizaram com a desdita do grande demitidor. Diz foram pressurosos vasculhar-lhe o escritório por lá ainda não era sabido o fim.
Cumpts.
De João José Horta Nobre a 17 de Maio de 2016 às 14:48
«o que importava saber em relação a este assunto, e que nunca foi devidamente esclarecido, é primeiramente por que motivo Humberto Delgado decidiu reentrar em Portugal naquele preciso momento e pela fronteira do Caia; e, de seguida, como é que a Pide foi colocada no encalço de Delgado, isto é, quem lhe transmitiu a informação de que o General iria reentrar no país.»

Veja o filme Operação Outono de Bruno Almeida:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Opera%C3%A7%C3%A3o_Outono

Essas coisas que perguntou, no filme estão bem explicadas.
De Bic Laranja a 17 de Maio de 2016 às 15:04
Quem escreveu o argumento do filme? A Flunser Pimentel?...

Cumpts.
De José Lima a 17 de Maio de 2016 às 15:42
Não vi o filme que refere e, aliás, nem sequer sabia da sua existência. Do que dele se conta na "Wikipédia", parece limitar-se a repetir a verdade oficial (e esta mesmo não sei se algo ficcionada) acerca do caso.

Sobre este assunto, tenho em lista de espera de leitura, há já bastante tempo, os livros "O Bando de Argel", de Patrícia Pinheiro, e "Acuso", de Henrique Cerqueira, que suponho fazerem alguma luz sobre a matéria, sendo certo que esta discussão reavivou-me o interesse de os ler proximamente.
De Bic Laranja a 18 de Maio de 2016 às 00:36
A Patrícia Pinheiro pode ser que adiante. Os «Acusos!» são palha densa meia danada de entender. E no fim só se pode metê-los na estante com a lombada para o fundo...
Cumpts.
De José Lima a 18 de Maio de 2016 às 10:45
Sim, as duas fronhas constantes da lombada desse livro - o "Acuso" - são dignas de constar num manual de criminologia de final do século XIX, princípio do século XX...
De João José Horta Nobre a 18 de Maio de 2016 às 19:03
«Quem escreveu o argumento do filme? A Flunser Pimentel?...»

Eu refiro-me à operação da PIDE para capturar Humberto Delgado. Isso no filme está retratado de forma que me parece ser fiel à verdade.

Não acredito na lenga-lenga de que o Delgado caiu numa armadilha montada pelo PCP. Isso simplesmente não é credível e carece de fundamento.

O mais lógico, é aquilo ter sido uma operação da PIDE que deu para o torto. Quiseram prender o Delgado, ele resistiu, aquilo escalou e ele acabou morto. Para mim foi isto que se passou.
De José Lima a 16 de Maio de 2016 às 15:53
Obras esquecidas de autores famosos - http://www.alamedadigital.com.pt/n2/pulhice.php
De Bic Laranja a 16 de Maio de 2016 às 18:35
Obrigado de me ajutar cá as remissões. A da Alameda Digital tresladei-a para a ficha do livro na «Boa Leitura».
umpts.
De Bic Laranja a 16 de Maio de 2016 às 18:40
Ajuntar e Cumpts.
(problemas com o teclado.)
De ainda a 16 de Maio de 2016 às 20:08
Para neófitos, basta ir à Wikipedia, pedir só o nome do Autor da pulhice humana. Antes que ela feche.
De Bic Laranja a 16 de Maio de 2016 às 20:59
Se fechar não se perde nada. Sôbre o que se lá diz até lhe respondi
...
Cumpts.
De MCV a 16 de Maio de 2016 às 21:54
Um fascista esquecido. Sem dúvida alguma.
E concomitantemente o "fado do futebol", coisa tão salazarista, foi afastada das mentes simples.
Abraço
Manuel
De Bic Laranja a 17 de Maio de 2016 às 13:01
Foi. Felizmente livraram-nos desses salazarismos todos.
Prò ano vão a Fátima.
Cumpts.

Comentar

Julho 2019

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
12
15
16
20
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

Visitante


Contador

Selo de garantia

pesquisar

Ligações

Adamastor (O)
Apartado 53
Arquivo Digital 7cv
Bic Cristal
Blog[o] de Cheiros
Caminhos de Ferro Vale Fumaça
Carmo e a Trindade (O)
Chove
Cidade Surpreendente (A)
Corta-Fitas(pub)
Delito de Opinião
Dragoscópio
Eléctricos
Espectador Portuguez (O)
Estado Sentido
Eternas Saudades do Futuro
Fadocravo
Firefox contra o Acordo Ortográfico
H Gasolim Ultramarino
Ilustração Portuguesa
Lisboa
Lisboa de Antigamente
Lisboa Desaparecida
Menina Marota
Mercado de Bem-Fica
Meu Bazar de Ideias
Paixão por Lisboa
Pena e Espada(pub)
Perspectivas(pub)
Pombalinho
Porta da Loja
Porto e não só (Do)
Portugal em Postais Antigos(pub)
Retalhos de Bem-Fica
Restos de Colecção
Rio das Maçãs(pub)
Ruas de Lisboa com Alguma História
Ruinarte(pub)
Santa Nostalgia
Terra das Vacas (Na)
Ultramar

arquivo

Julho 2019

Junho 2019

Maio 2019

Abril 2019

Março 2019

Fevereiro 2019

Janeiro 2019

Dezembro 2018

Novembro 2018

Outubro 2018

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

RSS

____