Segunda-feira, 5 de Fevereiro de 2018

O petróleo já é pecado

Fundação Gulbenkian, Palhavã (H. Novais, 197…)


 Perorava o Nicolaço na emissora nacional esta manhã sobre vender a Gulbenkian o seu negócio de petróleo aos chins. Não percebo nada de petróleos nem de negócios da China, mas fica a gente assim, pensando: — Que raio! Não foi o negócio do petróleo que enriqueceu o sr. Calouste Gulbenkian? Não é com ele que se sustenta a fundação, e por ele que é riquíssima?!...

 Na Miscelânea cantava Garcia de Resende:

Vimos taes cousas passar
em nosso tempo e idade,
que, se se ouuiram contar,
per mentira e vaidade
se ouueram de julgar […]

 Mas era um tempo e idade de grandes feitos…

Outro mundo nouo vimos,
per nossa gente achar,
e o nosso nauegar
tam grande, q descobrimos
cinco mil leguas per mar
e vimos minas reaes
douro, e doutros metaes
no Reyno se descobrir;
mais que nunca vi saber

ingenho de officiaes.

 Quando arribou a Portugal, o sr. Gulbenkian, vindo dum mundo antigo a desabar, ainda por cá o ingenho de officiaes sabia de minas reaes douro, e doutros metaes no Reyno se descobrir. Hoje, neste negócio da China, quereria crer eu que ainda fosse isso, mas duvido. O largar o petróleo neste tempo e idade puritanos de mudança nunca vista ou imaginada por Garcia de Resende, cheira-me, tem tudo de ideológico — um eufemismo moderno de crendice; a mesma que ditou à Fundação Gulbenkian tanta pressa em obedecer ao novo acordo ortográfico e em publicar prestes com ele uma monumental gamártica do Português: tudo numa obediência como que de rito; da nova ordem mundial.

________

Fotografia: Fundação Gulbenkian, Palhavã, 197… Horário de Novais, in bibliotheca d'arte da F.C.G.

Escrito com Bic Laranja às 22:35
Verbete | comentar
8 comentários:
De fty a 6 de Fevereiro de 2018 às 01:50
São crendices diferentes. A do acordês é matéria das lojas.
De Bic Laranja a 7 de Fevereiro de 2018 às 15:28
E não chegou o petróleo já lá? Lembre-se do aquecimento global (ou alterações climáticas, conforme seja Verão ou Inverno).
Não estão as lojas metidas nele?
Cumpts.
De Valdemar Silva a 6 de Fevereiro de 2018 às 17:43
Pois, quando o pitrol está acabar, ou não está a dar, vai a vela para alumiar ou o que está a dar.
Contava-se aquela história das pessoas poderem levar quantos livros quisessem, das Bibliotecas Ambulantes da Gulbenkian, para ler em casa e de graça. O Manel da Zefa, alentejano que sabia ler e com gosto da leitura, gastava o pitrol do candeeiro lendo belos livros à noite. Mas, passado uns tempos ficou cismando no gasto do pitrol para ler os livros: querem lá ver que o tal Gulbencã empresta os livros pra nós gastarmos pitrol?
Estas Bibliotecas foram obra do Dantas 'Vermelhão' para a Gulbenkian se fazer à situação.
Em todo o caso com um serviço meritório ultrapassando o Estado em muito aspectos culturais.
Valdemar Silva
De Bic Laranja a 7 de Fevereiro de 2018 às 15:33
Uma rica história. Mas V. sempre recompõe. O facto é que foi o Estado (melhor, o estadista) que aproveitou o que valia C. Gulbenkian, mai-la Fundação, para bem comum.
Mérito à filantropia como ao bom governo.
Cumpts.

De [s.n.] a 7 de Fevereiro de 2018 às 21:21
Grande Calouste Gulbenkian, um grande Senhor. Foi uma honra enorme (e uma sorte) ele ter vindo estabelecer-se em Portugal. Os portugueses devem-lhe muito em todas as áreas, desde a científica, passando pelo apoio à cultura e acabando na verdadeira e profunda amizade que professava por Portugal e pelo seu Povo.


Aproveito para deixar mais umas dicas sobre o assunto do costume e porque nada tem a ver com este seu tema, peço-lhe desculpa.

A Conceição Queiroz continua a não saber falar português e tem uma dicção inadmissível. E para compor o ramalhete, ela teima em usar aquele acabelo horrível, julgando que fica muito bonita e sobretudo muito original. Lá original ficará, mas mais parece ter agora não uma, mas duas esfregonas enfiadas na cabeça. Esta rapariga projecta uma imagem extremamente deselegante com aquela carapinha rústica, além de a prejudicar como apresentadora de um métier que requer sobriedade e compostura, exige, tanto quanto o resto, uma apresentação geral (cabelo, roupa, maneiras) irrepreensível.

A Clara de Sousa da SIC, que continua com a mania que é a jornalista mais vampe de Portugal e nem é grande coisa como jornalista, a falar só faz boquinhas para parecer ainda mais vampe... e contudo não há meio de ir para Hollywood fazer fitas. Esta rapariga com aquele cabelo meio louro-palha meio preto (outra que não tem a noção das conveniências), a juntar a péssima pintura das sobrancelhas "à palhaço", parece um verdadeiro travesti.

Caramba!, quando é que o director de informação da SIC afasta esta rapariga do telejornal? Já não se aguenta ter de a suportar (felizmente vejo pràticamente e só a TVI), tal como a outra referida mais cima.

A Manuela Moura Guedes, quando aquela fugiu da TVI e aterrou na SIC de certeza por uma bruta cunha metida pelo então marido por este deter na altura um cargo de chefia neste Canal, à pergunta sobre o que lhe apetecia dizer sobre aquela, respondeu simplesmente "tem a cor de burro quando foge"...
Maria
De Bic Laranja a 10 de Fevereiro de 2018 às 10:48
O director de informação da S.I.C. é irmão do primeiro ministro do Rato. Nada se espera dum destes, muito meno informação. Director também não é porque grafa o pomposo cargo à brasileira.

Cumpts.
De [s.n.] a 11 de Fevereiro de 2018 às 03:10
"O director de informação da S.I.C. é irmão do primeiro ministro do Rato."

Pois, desta maltosa brava nada de bom se pode esperar.

Mas então o Ricardo Costa não deixou a direcção da SIC para ir dirigir o Expresso? Ou foi ao contrário?...

Também não interesa, estou farta desta gente, não lhes ligo nenhuma. Na verdade já não os posso ver nem ouvir e muito menos saber o que andam a fazer profissionalmente.

O que se vai sabendo é que saltitam de um cargo para outro com o apoio do sistema (ao qual pertencem) com a maior das facilidades e entre um posto de trabalho e outro continuam a empochar montes de massa porque estão protegidos por um sistema que nunca os abandona, mesmo se estiverem durante meia dúzia de dias no desemprego. O que para este género de gente nunca acontece.

É a paga pelo 'belo' serviço que os vendidos desempenharam enquanto jornalistas durante o tempo em que o foram. E continuarão a fazer o mesmo em cargos subsequentes.

Não há nada como pertencer ao sistema, os que o fazem têm a vida assegurada. A deles, dos pais, irmãos, filhos, sobrinhos, amigos e familiares destes.
E viva a 'democracia'!
Maria
De Bic Laranja a 13 de Fevereiro de 2018 às 15:03
Se deixou uma pela outra, confesso, não estou a par. A personagem merece-me poucochinho interesse, e nisso concordamos. É só mais uma dessas rolhas, que se mantêm à tona, dada a natureza das cousas.
Cumpts.

Comentar

Setembro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
14
18
19
20
21
23
24
25
27
28
30

Visitante


Contador

Selo de garantia

pesquisar

Ligações

Adamastor (O)
Apartado 53
Arquivo Digital 7cv
Bic Cristal
Blog[o] de Cheiros
Caminhos de Ferro Vale Fumaça
Carmo e a Trindade (O)
Chove
Cidade Surpreendente (A)
Corta-Fitas(pub)
Delito de Opinião
Dragoscópio
Eléctricos
Espectador Portuguez (O)
Estado Sentido
Eternas Saudades do Futuro
Fadocravo
Firefox contra o Acordo Ortográfico
H Gasolim Ultramarino
Ilustração Portuguesa
Lisboa
Lisboa de Antigamente
Lisboa Desaparecida
Menina Marota
Mercado de Bem-Fica
Meu Bazar de Ideias
Paixão por Lisboa
Pena e Espada(pub)
Perspectivas(pub)
Pombalinho
Porta da Loja
Porto e não só (Do)
Portugal em Postais Antigos(pub)
Retalhos de Bem-Fica
Restos de Colecção
Rio das Maçãs(pub)
Ruas de Lisboa com Alguma História
Ruinarte(pub)
Santa Nostalgia
Terra das Vacas (Na)
Ultramar

arquivo

Setembro 2018

Agosto 2018

Julho 2018

Junho 2018

Maio 2018

Abril 2018

Março 2018

Fevereiro 2018

Janeiro 2018

Dezembro 2017

Novembro 2017

Outubro 2017

Setembro 2017

Agosto 2017

Julho 2017

Junho 2017

Maio 2017

Abril 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

Julho 2007

Junho 2007

Maio 2007

Abril 2007

Março 2007

Fevereiro 2007

Janeiro 2007

Dezembro 2006

Novembro 2006

Outubro 2006

Setembro 2006

Agosto 2006

Julho 2006

Junho 2006

Maio 2006

Abril 2006

Março 2006

Fevereiro 2006

Janeiro 2006

Dezembro 2005

Novembro 2005

Outubro 2005

Setembro 2005

Agosto 2005

Julho 2005

Junho 2005

Maio 2005

Abril 2005

RSS

____