De Luís a 6 de Fevereiro de 2015 às 22:59
Os portugueses já não conhecem o seu próprio país. Paradoxal, pois nunca houve tanta informação acessível a todos, através das novas tecnologias.

Tenho reparado que o nosso parolismo reflecte-se muito nas plantas que usamos para embelezar estradas, rotundas ou jardins.

Em Portugal não se plantam medronheiros, rodendros, carvalhos-roble, carvalhos-cerquinho, carvalhos-de-Monchique, castanheiros, carvalhos-pardos-da-Beira, bétulas, teixos, ulmeiros, alfarrobeiras, carrascos de porte arbóreo (espécie exclusiva de Portugal), cerejeiras, murtas, catapereiros, avelaneiras, loureiros, entre tantas outras espécies nativas de árvores e arbustos. A paisagem está dominada pelo eucalipto, pelo pinheiro, pela mimosa ou pela acácia. No Sul, o sobreiro está a morrer e desaparecerá de vastíssimas áreas dentro de poucos anos.

Constato também que as novas habitações já não utilizam as artes tradicionais. Não há telhados de quatro águas, uso da cal, ferro forjado, portas de reixa, janelas de madeira, azulejo português, calçada portuguesa nos jardins e quintais, e as medidas já não são as tradicionais. Que andarão a estudar os arquitectos? As moradias de várias zonas do Porto, Coimbra, Lisboa ou Algarve, anteriores a 1970, ainda reflectem o uso dos materiais tradicionais, da arquitectura típica portuguesa. Faziam-se belíssimas moradias em Portugal.

Agora está na moda a tinta picada, o alumínio, a pressiana, o ladrilho de cimento, o azulejo rasca, não há equilíbrio nas proporções...

Algo matou a Beleza décadas atrás. Por outras palavras, regredimos, a nação está a morrer.
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