13 comentários:
De [s.n.] a 11 de Junho de 2018
Mais logo, se tiver tempo, deixarei aqui uma notinha sobre este excelso Historiador e Grande Português cujos belíssimos programas televisivos (sem esquecer os seus livros de História) tanto nos maravilharam.
Maria
De Bic Laranja a 12 de Junho de 2018
Este programa, invocando um canção autobiográfica de um Camões perdido, entediado, desesperado, em 1555,

Junto de um seco, fero e estéril monte,
inútil e despido, calvo, informe,
da natureza em tudo aborrecido;
onde nem ave voa, ou fera dorme,
nem rio claro corre, ou ferve fonte,
nem verde ramo faz doce ruído [...]


... imagem viva da tórrida, árida e inóspita região entre o corno de África e a Arábia, na embocadura do Mar Roxo (moderna e menos encatadamente Mar Vermelho), quase nos quase leva a sentir na pele a solidão desoladora que tocava o Poeta experimentou desgarrado ali naqueles dias e semanas da navegação das portas do estreiro. Camões há-de ter escrito a canção XIII duma penada, entre o tédio desinspirador do mar alto no golfo de Adém, a caloraça iemenita, e a saudade que lhe aflorava nas gotas de suor que lhe desciam nas frontes com toda aquela desolação.
O cenário pedregoso do Cabo Espichel foi um achado para materializar a cinco séculos de distância o que deve ter visto Camões nalguma aguada da armada em que seguia por aquelas costas, ali, naquele ano de 1555.
Eis uma vez mais o tempo e a alma unindo tão eloquentemente o prof. Saraiva e a História de Portugal. A nós, basta deixarmo-nos ir na sua boleia.

Cumpts.
De [s.n.] a 12 de Junho de 2018
Que bonito o que escreveu. Parabéns.

Esta nota vai abreviada, mais tarde alongar-me-ei um pouco mais sobre a maravilha que era ouvir o Prof. Hermano Saraiva a descrever os mais relevantes períodos da nossa Gloriosa História de um modo extremamente interessante e que encantava não só os portugueses em Portugal como os milhões espalhados pelo mundo, os quais, eu sei, não perdiam um único episódio das várias séries sobre o mesmo tema que o Professor havia concebido e apresentava como só ele o sabia fazer.
Maria
De Bic Laranja a 13 de Junho de 2018
Havia de tê-lo relido mais uma vez. Demaisadas gralhas.
Paciência!
Mas, obrigado! É sempre generosa demais comigo.

:)
De [s.n.] a 13 de Junho de 2018
Não vi gralha alguma, mas pronto:-)
Maria
De [s.n.] a 13 de Junho de 2018
"... gralha alguma no seu texto", queria eu dizer!
Maria
De Bic Laranja a 13 de Junho de 2018
... menos encantadamente...
quase nos quase leva a sentir na pele a solidão desoladora que tocava o Poeta experimentou desgarrado ali naqueles dias e semanas da navegação das portas do estreiro estreito.


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E veja o aspecto do cabo de Guardafui...

De [s.n.] a 13 de Junho de 2018
Uma pequena maravilha!
Maria
De [s.n.] a 14 de Junho de 2018
Deixe-me ser mais específica.

Estava-se então perante Terras desoladoras e inóspitas e tremendamente tristes, exactamente como Camões as encontrou e tão bem descreveu. Mas visto com olhos do presente e por estranho que pareça vejo nelas qualquer coisa de belo. Talvez diga isto por saber que o nosso Herói por lá andou e tanto penou, mas onde de certeza deixou um pedacinho da sua alma, tão grandiosa quão inquieta e sofredora.

O vídeo que deixou e que mais uma vez adorei, embora já o tivesse visto na altura em que passou na TV e ainda voltei a vê-lo tempos depois, é uma verdadeira obra de arte não só pelo conteúdo selecto, mas também e sobretudo pela paixão patriótica contagiante como o Professor o apresenta.
Maria
De [s.n.] a 16 de Junho de 2018
Não posso deixar de me penitenciar por uma falha minha inicial. Acredite que só ontem fui ver as lindíssimas imagens em sequência do Cabo de Guadarfui, tal como é no presente.

Claro que vi logo a primeira que postou, de uma/s montanha/s árida/s e agreste/s e mentalizei-me ser a única que havia para ver!!! "Erro meu, má fortuna", mas tratou-se sobretudo de uma distracção minha inadmissível. É o que dá ter pressa. Tinha que sair e antes disso queria ler ainda alguns textos. Mas o pior, mesmo, é que pensei estùpidamente não haver mais imagens para ver..., mas sobretudo ter pouca experiência(ainda) para abrir d'imediato PDF's e preciosidades internéticas do estilo.

Escusado será dizer que as seguintes imagens são lindas de morrer. Um sonho de praias(?) a perder de vista e de um mar calmo e um céu azul deslumbrante. Na verdade hoje o tal Cabo de Guardafui deve ser um lugar deslumbrante.
Maria
De Bic Laranja a 16 de Junho de 2018
Aqueles mares andam infestados de piratas. A nossa Marinha de Guerra tem andado por lá integrada numa qualquer «força internacional», a única coisa que ainda permite que haja Forças Armadas neste rectângulo do futebol cervejeiro e brunícola.

No tempo de Camões patrulhávamos nós, os portugueses, por inteiro para tolher o comércio turco do Oriente ao Mediterrâneo através do Mar Vermelho. A ilha de Socotorá, ante o cabo de Guardafui, foi conquistada em 1507 e construímos lá um forte, parece que com madeira aparelhada levada de Portugal. Mas a aridez daquelas terras, a fome que assolava as guanições, a dificuldade dos abastecimentos e a inospitalidade da moirama circundante levaram ao desmantelamento do forte.
Camões andou por lá nestes trabalhos. Do que descreve na canção, desesperou.

Cumpts.
De [s.n.] a 16 de Junho de 2018
Uma pequenina informação que é uma delícia de se ler. Obrigada por esta sua preciosa achega.
Maria
De Bic Laranja a 16 de Junho de 2018
Obrigado!

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