12 comentários:
De Ana Pereira a 15 de Junho de 2015
Boa noite. Efectivamente o plural de João é Joões. https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/pergunta.php?id=1949
De Bic Laranja a 15 de Junho de 2015
Ah pois é! Deus já me tinha dito: Como ninguém diz cães... é como matacões...

Cumpts.
De Ana Pereira a 15 de Junho de 2015
Falo fluentemente 5 línguas e posso assegurar-lhe que a Portuguesa é a mais traiçoeira e após o recente aborto ortográfico ainda ficou bem pior. No entanto, visito o seu interessante blog frequentemente e chamou-me a atenção a sua crítica. O exemplo aqui deixado é apenas mais um das irregularidades da língua onde o plural do João é outro. Todos comentemos erros - Errare humanum est, perseverare diabolicume - só se torna grave quando o erro não é assumido. :)

«O plural de João é Joões.

Etimologicamente, deveria ser Joães, porque a forma antiga era Joane, com origem remota no hebreu Iohanan, pelo grego Joánes ou Joánnes e depois pelo latim Jo(h)anne, de Jo(h)annes.

Como ninguém diz Joães, o natural é dizermos Joões, porque a maior parte dos substantivos terminados em -ão fazem o plural em -ões: barracão, bofetão, botão, cordão, tampão, esfregão, etc.

É, pois, asneira o que, não raro, lemos nos jornais: os Silva, os Barreto, os Almeida. A família dos Monteiro e a família dos Mafra estiveram na festa. Que ridículo! E que ignorância não saberem que os nomes de pessoas também têm plural!»
De Bic Laranja a 15 de Junho de 2015
Agradeço-lhe o apreço mas não teime nas Ciberdúvidas para fazer regra dos joões. Viu o nexo do que trasladou? -- O plural de João é Joões. -- tão peremptórios os das Ciberdúvidas, que dão ponto parágrafo logo aqui. E no entanto, não hesitam em arrotar logo no parágrafo a seguir a sua pançuda sabedoria afirmando que etimologicamente, deveria ser Joães, porque a forma antiga era Joane &c. &c.

Uma no cravo outra na ferradura. E no fim o que fazem?...

Quando à ignorância que campeia os entendidos das Ciberdúvidas sopram a fanfarronada inconsequente de que, etimologicamente, deveria ser Joães, e já antes perempròriamente se demitiram de o ensinar como caberia, por quem havemos de nivelar estes sábios? Pelos inocentes ignorantes das etimologias que ninguém lhes ensinou? Ou por cretinos que dizem balofamente que como ninguém diz Joães, o natural é dizermos Joões sem lhe medir o alcance? -- Como haverá alguém de aparecer a dizer joães se esses que lhe sabem o porquê, ensinam só o que as massas ignaras já dizem?!...

Cumpts.
De Joe Bernard a 15 de Junho de 2015
Gostei!
Obrigado.
De Bic Laranja a 15 de Junho de 2015
Obrigado eu.
Cumpts.
De [s.n.] a 15 de Junho de 2015
Excelente exposição, tanto quanto a explicação.
Maria
De [s.n.] a 16 de Junho de 2015
Com o devido respeito não concordo com o que escreve a senhora dona Ana Pereira relativamente aos apelidos de em português deverem possuir plurais.
Se nos referirmos genèricamente a várias famílias com o mesmo apelido a viverem em determinado prédio, diremos correntemente: os vários Silvas daquele prédio têm filhos com idades idênticas - o que já não se repete se nos referirmos a famílias perfeitamente identificadas, por ex.: os Correia Couto do primeiro andar são primos dos do segundo andar (seria completamente descabido e erro crasso dizer os Correias Coutos do primeiro andar...); as dezenas de Ferreiras que partiram na mesmo avião pertenciam à mesma Associação; os inúmeros Teixeiras que se reúnem anualmente para comemorar o mesmo dia e ano em que nasceram, fazem-no sempre no restaurante de um deles; etc.

Como é sabido os apelidos grafados no plural derivam do mesmo nome próprio grafado no singular, querendo simplesmente significar "ser filho de". O apelido Henriques que já vem dos primórdios da nacionalidade, é uma derivação do nome próprio Henrique, para dele se distinguir e também para adquirir identidade própria: D. Afonso Henriques adquiriu este apelido precisamente por ser filho de D. Henrique e porque na época havia necessidade de poder distinguir-se, sem confusões possíveis, quem era o progenitor e quem era o filho. Os nomes próprios dos pais ligeiramente alterados davam origem aos apelidos dos filhos distinguindo-os em absoluto daqueles.
O mesmo se passa com o apelido Fernandes, que deriva do nome próprio Fernando e passou a esta grafia para se saber que era quem e também para serem reconhecidos como pessoas distintas.
O mesmo se passou com Álvaro e Álvares, etc., etc.

Estes nomes próprios adaptados ao plural, tal como o foram num passado longínquo, chegaram aos nossos dias já sem essa necessidade inicial e sim - e por habituação - como simples apelidos naturalmente aceites.

Quando nos referimos a determinada família em concreto, o correcto é que a designemos pelos apelidos mas no singular, naturalmente. Para só citar uma muito conhecida, vejamos por exemplo os Horta e Costa: não podemos referir-nos a eles como os Hortas e Costas(!!!), sob pena de parecermos analfabetos e, pior, de cometermos um erro clamoroso e ademais pirosíssimo. O mesmo se passa com os Silva Carvalho, que horror seria chamar-lhes os Silvas Carvalhos. Quem diz estes diz um sem fim deles.
Maria
De Bic Laranja a 17 de Junho de 2015
Prezada Maria,

Não é a leitora Ana Pereira que o afirma, são os das Ciberdúvidas -- misturam-no é para lá com o plural de João, mas isso não vem agora ao caso. -- Reparou que o texto é traslado dum verbete das Ciberdúvidas?

E lembra-se d' «Os Maias»?...

Pois é (e não é de agora) os apelidos (e com ele as famílias) dizemo-los correctamente, em Português, no plural: a família dos Silvas (e não a família Silva), ou os Sousas, os Coutos, os Palmelas, os Loulés, os Braganças &c. dizem-se no plural. Outrora até se usavam no feminino -- ocorre-me o caso conhecido da Bacalhoa (exactamente, a quinta em Azeitão) que era a viúva do Bacalhau, o homem que lhe deu o nome.

Convém distinguir os apelidos de origem toponímica e alcunhas enumerados acima dos patronímicos (literamente, nome do pai) como os Henriques os Fernandes &c. Os primeiros usavam-nos os antigos sempre com preposição (da Silva, de Sousa, do Couto &c.) que tende hoje a perder-se e até a recriminar-se como ostentação de vaidade (que não é); os segundos são genitivos (invariáveis em género ou número) cujo sufixo de origem germânica (goda) -iz evoluiu em português para -es (em castelhano -ez) -- daqui, Fernando > Fernandes (i.é filho de Fernando), Henrique > Henriques (cá está o nosso 1.º rei, à letra: Afonso filho de Henrique), Rui (diminutivo medieval de Rodrigo) > Roiz (idem de Rodrigues), Múnio > Moniz (estes dois últimos conservando a desinência primitiva) e alguns menos óbvios como Diogo > Dias, Froila (ou Fruela) > Fróis (antigamente Froes), João > Eanes (ou o menos vulgar Joanes), Soeiro > Soares &c. &c. -- Por curiosidade, Afonso não se declina e daí o filho de D. Afonso Henriques ser Sancho Afonso (rei D. Sancho I) e o filho deste por sua vez Afonso Sanches (D. Afonso II). Esta prática de apelidar a descendência decaíu aí pelo séc. XIV, cuido, mas não estou inteiramente certo.
Admito que isto o já soubesse ou intuísse, mas deixe-me que o cá deixe aos demais a quem interesse.

Tornando ao plural e pegando nas famílias que usem dois apelidos como Horta e Costa, Pinto Coelho, Corte Real, e outras, não vejo por que subverter a regra, pois não são Hortas e Costas, Pintos Coelhos, Cavacos Silvas (perdão, Cortes Reais)?...
O uso de apelidos no plural (mesmo apelidos estrangeiros: Bourbons, Médicis...) é do génio do nosso idioma. Nem sei de que ocorra noutros idiomas que conheço. Ocorre?

Cumpts.
De [s.n.] a 21 de Junho de 2015
Fez bem em mencionar o nome próprio Sancho que passou a Sanches como apelido. Também o mesmo aconteceu com Domingo/Domingos/Domingues/ Domingas; Nuno/Nunes; Seda/Sedas; Simão/Simões. E outros mais. Vou-me lembrando a pouco e pouco:)

Sobre o plural dos apelidos, com ou sem apóstrofo, os norte-americanos, que não falam inglês mas sim americano - tanto quanto os brasileiros falam brasileiro e não português, tal como este foi instituído, desenvolvido e aplicado em Portugal - dão pontapés lexicais e gramaticais que metem dó... Eles, americanos, nos apelidos e mesmo em nomes próprios, não separam o S da última vogal daqueles quando se referem a famílias e/ou a várias pessoas com o mesmo apelido. Ao passo que os ingleses fazem-no, colocando o sinal gráfico após a vogal final de determinado apelido e antes d'acrescentar a consoante.

Ex. americano: Vanderbilts; Rockfellers (há quem por lá chame a estes, a gozar, claro, Rockafellas); Macmillands; Gettys; Rothchilds; Reagans; Kennedys, Johnsons, etc.

Ex. inglês, irlandês, escocês: Mcdonald's; Geldof's; MacMilland's; Kelly's; Hamilton's; MacCann's; Spencer's; Ferguson's, etc.

Achei graça ter-se referido aos "de", "da" e "e" que intermedeiam os apelidos em português. Não sei se cá lhe dão grande importância ou acham sinónimo de snobismo, mas acho que nem por isso. Com a excepção de certas pessoas estúpidas de nascença, normalmente comunistas e extremistas hipócritas e cínicas que por pura inveja gozavam as pessoas com vários apelidos (tive essa experiência desagradável em várias ocasiões e, como não podia deixar de ser, durante o PREC, fenómeno este que não estranhamente se prolongou até há bem poucos anos - o mesmo aconteceu com o catalogar Salazar e Caetano de fascistas, epíteto que parece finalmente já ter passado de moda..., mas e será que passou? - vinda sempre da banda de alguns destes idiotas, os de sempre) esta porém é uma norma linguística que existe na língua portuguesa desde há séculos, não se tendo extinguido com o passar do tempo - Luís de Camões, Vasco da Gama, Mouzinho de Albuquerque, Joseja d'Óbidos, Eça de Queiróz, Antero de Quental, Carolina Micaelis de Vasconcelos, Amália Vaz de Carvalho, Kaulza de Arriaga, António de Oliveira Salazar, etc.

Por curiosidade, em França, por exemplo, dão-lhe muito mais importância e quem sobe na vida, principalmente quando e se assumindo cargos políticos, facto que confere um elevado estatuto social, não o possuíndo nos apelidos há tendência para o acrescentar (por acaso e já em Portugal, conheci duas pessoas de famílias totalmente diferentes que não o tendo nos apelidos o quiseram acrescentar). Giscard d'Estaing não possuía a preposição a ligar o penúltimo ao seu último apelido e, já na política, resolveu acrescentá-la (na altura em França e na Bélgica, alguns artigos de revista satirizaram-no pelo facto de ter resolvido colocar "la particule" (como eles a designaram) no apelido para o tornar mais pomposo e também por significar estar-se perante uma pessoa "bem nascida" ou, se se preferir, de classe alta. Enfim.
Maria
De Bic Laranja a 23 de Junho de 2015
:)
De Bic Laranja a 16 de Junho de 2015
Obrigado!

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