Quarta-feira, 7 de Maio de 2014

Terraplanagens na Av. de Roma

 A propósito do ajardinamento da Praça de Londres de 1950 para 51, salientou a estimada leitora Maria a rapidez da obra e o aprumo com que se acabou, tão diferentes de hoje...
 No caso dos bairros de Alvalade e S. João de Deus foi notável.
 Em 46 as perspectivas dos terrenos de Alvalade a partir do Campo Grande que nos legou Eduardo Portugal eram duma pureza rural imaculada (v. Carpintaria Mecânica de Santa Isabel, Lda., Campos do futuro B.º de Alvalade e Antes do bairro de Alvalade); e nos alvores dos anos 50, meia dúzia de anos volvidos, podíamos admirar-lhe diferença irreconhecível na obra acabada que era a Av. da Igreja.
 O bairro de S. João de Deus andou-lhe a par. Em Julho de 45, outro legado de Eduardo Portugal, em chãos adjacentes à actual Av. Óscar Monteiro Torres pouca obra havia; via-se ainda a Quinta do Areeiro mais ou menos onde pousa o jardim traseiro à João XXI; ao longe, à esq. a embocadura da Av. João XXI com a Pr. do Areeiro [melhor, da Av. de Paris com a Almirante Reis]; ao centro a Penha de França através da neblina e dos primeiros prédios da Av. Guerra Junqueiro; à dir., ao longe, os prédios de esquina da Alameda do lado da Av. Rovisco Paes, a Estatística e, mais cá, os primeiros prédios da Rua Oliveira Martins, assente sobre a velha Estr. das Amoreiras. Em 50-51 este lugar era como se viu...

Terraplanagens da Av. de Roma, Lisboa (E. Portugal, 1946)
Terraplanagens entre a Av. de Roma e a Alameda,  Lisboa, 1946.
Eduardo Portugal, in Arquivo Fotográfico da C.M.L.



 Do rigor do planeamento e execução das obras públicas no Estado Novo, do zelo na sua manutenção, é ler nos arquivos municipais o que os serviços determinavam nesse tempo...


PORTUGAL. C.M.L./Arquivo do Arco do Cego, Projecto de construção de arruamentos na quinta dos Britos, sítio do Fole e compra de propriedade a Maria Teresa de Oliveira Calheiros Viana, 1929-39, PT/AMLSB/CMLSB/UROB-PU/10/011.

Escrito com Bic Laranja às 13:34
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5 comentários:
De 239 a 8 de Maio de 2014
"Terraplanagem" ou "terraplenagem"?
(O verificador ortográfico acabou de sublinhar a segunda; uma professora minha alertou a turma há tempos que a segunda é a única correcta...)

Já pesquisei pela rede e parece que as duas formas estão correctas.

Sabe se é mesmo assim? (Nada como fazer a pergunta no sítio certo.)

Seja como for, excelente publicação. Mais uma vez.
De Bic Laranja a 8 de Maio de 2014
O verbo «terraplenar» é tirado do substantivo «terrapleno» (or. it.). Segundo Morais, remonta no Port. ao séc. XVI, por via do francês (Machado, «Dic. Etimológico»).
O Corpus do Português não o recua mais do que o séc. XVII. Ainda segundo o Corpus, o sinónimo «terraplanar» aparece sòmente no séc. XX (afinidade semântica com «aplanar»?...)
A 1.ª ed. do Aulete (1881) não dá «terraplanar».
Os dicionários contemporâneos que consultei -- Lello Ilustrado (ed. de 1976), a última edição do Morais (ed. do Público), o Priberam na rede, o próprio Dic. Etim. de José Pedro Machado -- todos caucionam «terraplanar» como sinónimo.
«Terraplenar» será melhor, parece-me.
Obrigado pela pergunta e pelo apreço.
Cumpts.
De 239 a 9 de Maio de 2014
Eu é que agradeço.

Cumprimentos.
De [s.n.] a 8 de Maio de 2014
Bem, o que me deixa aqui de informação sobre a enorme transformação e rapidez destas grandiosas obras, é um assombro no mínimo.

Uma maravilha em todos os aspectos. As instruções extremamente pormenorizadas para o correcto calcetamento e o cuidado a ter no alinhamento dos passeios em relação ao pavimento, é qualquer coisa de extraordinário. Mas pensando bem nada disto é de admirar, já que tudo - das obras públicas aos edifícios, da estatuária aos jardins públicos, da lavagem frequente (no Verão era semanal, creio) das ruas e avenidas rigorosamente desenhadas à varredura diária pelos almeidas em toda a cidade - era feito com planeamento, organização, correcção nos métodos e máxima perfeição na execução. E, como disse e repito, orçamentos e prazos nunca excedidos! Esta, sim, foi uma governação de louvar em cuja época, por todos os motivos e mais algum, dava prazer viver e que deixa eternas saudades a quem teve a felicidade de por ela passar. Só por má fé, inveja, ódio ou maldade (ou por todos estes defeitos juntos) se poderá dizer o contrário.

Sobre os terrenos imensos que abrangiam tão extensa área, segundo se pode ler, haviam pertencido à Srª. Dª. Tereza Calheiros Viana. Creio ter sido esta Senhora da família do Conde de Calheiros. Correcto?

Um muito obrigada pela curiosíssima documentação que deixou relativamente àquela zona (muito cá minha mas cujo aspecto anterior à urbanização desconhecia por completo) da incomparável Lisboa que já foi e que, não se sabe lá muito bem como... talvez por milagre, aqui e ali ainda vai restando algo dela.
Maria
De Bic Laranja a 8 de Maio de 2014
bom, talvez a Câmara não lavasse tanta vez a calçada. Mas os vizinhos, as porteiras e os comerciantes faziam-no sempre deante das suas casas.
Quanto ao resto, de facto...
A referida sr.ª Maria Teresa de Oliveira Calheiros Viana era filha do 2.º Conde da Guarda.
Cumpts. :)

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